O preço do diesel S10 utilizado por transportadoras brasileiras chegou a subir 28,99% em 89 dias, segundo levantamento da empresa de gestão de frotas Gestran. O combustível saiu da média de R$ 5,80 por litro, registrada em 12 de fevereiro, para atingir R$ 7,42 em 6 de abril.
Em 11 de maio, último dia analisado pelo estudo, o litro era vendido a R$ 6,83, valor ainda 17,68% superior ao registrado antes da alta. Os dados foram obtidos a partir do consumo de combustível dos clientes da plataforma da empresa e abrangem o período entre fevereiro e maio deste ano.
De acordo com o levantamento, a fase de alta começou em 4 de março. Em 17 dias, o preço médio do diesel passou de R$ 5,92 para R$ 7,30 por litro, aumento de R$ 1,38. No dia 7 de março, a variação foi de 3,13% em relação ao dia anterior.
Entre 21 de março e 10 de abril, o combustível permaneceu acima de R$ 7,29 por litro durante 21 dias consecutivos. Nesse intervalo, a média foi de R$ 7,36 por litro. O maior valor do período foi registrado em 6 de abril, quando o diesel atingiu R$ 7,42.
A partir de 11 de abril, os preços passaram a recuar. Em 30 dias, o litro caiu para R$ 6,83, redução de 7,96% em relação ao pico. Apesar da queda, o valor permaneceu acima do patamar registrado em fevereiro.
O levantamento também simulou o impacto da variação sobre uma frota de 50 caminhões, cada um com consumo mensal de 6 mil litros de combustível. Considerando o consumo total de 300 mil litros por mês, o custo mensal de abastecimento passou de R$ 1,74 milhão em fevereiro para R$ 2,147 milhões em abril, diferença de R$ 407,1 mil.
Segundo o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, três fatores contribuíram para a alta do diesel no período: o conflito no Oriente Médio, o reajuste promovido pela Petrobras e o custo do combustível importado.
“O conflito pressionou o petróleo Brent acima de US$ 90 o barril em março, com picos próximos a US$ 110, o maior patamar desde 2023. Além disso, de 25% a 30% da demanda nacional é atendida por diesel importado”, afirmou.
De acordo com o executivo, o reajuste de R$ 0,38 por litro anunciado pela Petrobras em meados de março foi repassado gradualmente ao consumidor final nas semanas seguintes.
A empresa afirma que o comportamento observado em sua base de dados acompanha indicadores divulgados por instituições do setor, como ANP, Edenred Ticket Log, Veloe/Fipe e Mundo Logística.
“O período capturado pela base Gestran mostra com clareza o ciclo completo: 20 dias de calmaria, 17 dias de escalada, três semanas de pico sustentado e 31 dias de correção parcial”, disse Raymundi.
Para Edson Lazaroto, presidente do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes), as instabilidades nos preços do óleo diesel S-10 estão diretamente ligadas à guerra no Oriente Médio, que impacta a comercialização e a revenda do combustível. Segundo ele, desde o início do conflito, em fevereiro, os preços começaram a subir.
Queda nas vendas
Nos postos de combustíveis, o cenário preocupa os empresários. Um gerente de uma rede de postos de combustíveis, que preferiu não se identificar, afirma que o aumento constante dos preços tem reduzido o volume de vendas.
“Desde que os preços começaram a subir, houve queda na procura por abastecimento. O consumidor percebe que, toda vez que retorna ao posto, o preço já não é o mesmo e continua aumentando”, relata.Ele ressalta aind
a que os impactos não atingem apenas os consumidores, mas também os empresários do setor.
“Para evitar um impacto ainda maior no bolso do consumidor, temos optado por absorver alguns centavos no preço do litro do combustível, evitando afastar ainda mais os clientes. Acabamos pagando mais caro na compra e revendendo por um valor menor”, afirma.
Bolso do motorista em MS
“Desde o início do conflito internacional, em 28 de fevereiro de 2026, o diesel S-10 em Campo Grande (MS) registrou elevação superior a 22% no pico da crise, mantendo ainda atualmente alta próxima de 20% em relação ao período anterior ao conflito”, afirma o presidente do Sinpetro.
Um levantamento realizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com base em pesquisa feita em 12 postos de combustíveis de Campo Grande, mostra que o óleo diesel S-10 era revendido, em fevereiro, por um preço médio de R$ 6,06 por litro, com valor mínimo de R$ 5,79 e máximo de R$ 6,19, uma variação de 0,18%.
Já em junho, o valor do combustível subiu cerca de R$ 1,00 por litro. O preço médio de revenda para os postos passou para R$ 7,06, enquanto o valor praticado nas bombas variou entre R$ 6,88 e R$ 7,29, registrando diferença de aproximadamente 0,20% entre os estabelecimentos.
Para Edson, o preço do combustível só deverá se estabilizar após o fim do conflito e a reabertura do Estreito de Ormuz.
“Agora aguardamos que o acordo de paz entre EUA e Irã se concretize, o que deverá possibilitar a reabertura do Estreito de Ormuz a partir do dia 19 de junho”, explica o presidente.
Por Djeneffer Cordoba