Na outra ponta, o consumidor final tem acesso a um alimento de alta qualidade, mas com custo mais elevado
A China é um dos maiores clientes de Mato Grosso do Sul e o principal impulsionador do agronegócio no Estado. Com exigências rigorosas para importação, nem todo produto tem entrada garantida no país asiático. Não é à toa que, em fevereiro, as exportações de carne bovina tiveram um aumento de 15,4% na balança comercial, ficando atrás apenas da celulose, conforme apontam dados do Setor Externo da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
No entanto, a expansão do consumo da carne brasileira em outros países impacta o bolso do consumidor sul-mato-grossense. Isso ocorre porque os produtores de gado precisam investir valores expressivos para garantir uma carne de alta qualidade, e o chamado “custo de produção” acaba sendo repassado ao mercado interno. Ou seja, quanto maior a exportação, mais elevado pode ficar o preço do produto no mercado nacional, conforme avalia a especialista em mercado agropecuário, Renata Farias.
“O aumento da demanda por carne bovina brasileira, em um cenário de oferta estável, pode elevar o preço do produto. Quanto maior a quantidade exportada, menor a disponibilidade para consumo interno, o que impacta o valor final para o consumidor”, explica a especialista.
Para oferecer uma carne de qualidade tanto para o mercado interno quanto para o externo, os criadores de gado de corte fazem altos investimentos em práticas como manejo sustentável de pastagens, intensificação da produção e planejamento nutricional dos animais. Essas iniciativas visam atender aos critérios rigorosos de qualidade e sanidade exigidos pelo mercado internacional.
“Mato Grosso do Sul é referência na exportação de carne bovina. Um fator importante para a formação do preço interno é o chamado ‘Boi China’, que corresponde aos frigoríficos credenciados para exportar ao país asiático. Essa expansão permite uma valorização dos preços internos para o produtor sul-mato-grossense”, destacou Jaime Verruck, secretário da Semadesc, ao comentar sobre a compra de carne pela China de seis frigoríficos do Estado.
Padrão China
“Boi China” é a designação dada aos bovinos de corte destinados à exportação para a China. O país asiático impõe exigências rigorosas aos produtores brasileiros, incluindo:
• Animais jovens, com até 30 meses de idade e no máximo quatro dentes incisivos;
• Vacinação de acordo com o calendário oficial;
• Criação conforme padrões de manejo e protocolos nutricionais estabelecidos;
• Ausência de doenças como brucelose, febre aftosa e tuberculose.
Atualmente, a China é o principal destino da carne bovina sul-mato-grossense, representando 25,83% da receita de exportações do setor, seguida pelo Chile (18,39%) e pelos Estados Unidos (16,06%). Nos últimos cinco anos, a receita proveniente da comercialização de carne bovina para o mercado externo cresceu 29%, enquanto o volume exportado aumentou 3,03%.
A China também se destaca como o maior parceiro comercial do Brasil no setor de proteínas animais, sendo o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, suína e de frango. Em 2023, o país importou 2,2 milhões de toneladas de carne do Brasil, movimentando mais de US$ 8,2 bilhões. No início de 2024, o Brasil contava com 106 plantas frigoríficas habilitadas para exportação para a China, sendo 47 de aves, 41 de bovinos, 17 de suínos e 1 de asininos.
Em 2024, cinco frigoríficos de Mato Grosso do Sul foram autorizados a vender carne para a China, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As unidades habilitadas são:
• Prima Foods S.A., em Cassilândia;
• Marfrig Global Foods S.A., em Bataguassu;
• Duas plantas da JBS S/A, em Campo Grande;
• Boibrás Industrial e Comércio de Carnes e Subprodutos Ltda., em São Gabriel do Oeste;
• JBS S/A, em Naviraí.
Por Suzi Jarde
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