Com MS à frente do Comsefaz, estados rejeitam corte do ICMS sobre diesel

O ICMS sobre o diesel custa atualmente R$ 1,17 por litro - Foto: Roberta Martins
O ICMS sobre o diesel custa atualmente R$ 1,17 por litro - Foto: Roberta Martins

Comitê aponta que redução de tributos têm efeito limitado nas bombas

Presidido pelo secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Flávio César de Oliveira, o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) negou o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel em meio à escalada do petróleo com a guerra no Irã.

Em nota divulgada nesta terça-feira (17), o comitê diz que os estados já acumularam perdas com cortes do imposto estadual no governo Jair Bolsonaro e que reduções tributárias não são repassadas integralmente ao consumidor.

“Não é razoável agravar, mais uma vez, com perdas de receita pública relativas ao ICMS estadual o ônus principal de uma política de contenção de preços cujo resultado final depende de múltiplas variáveis alheias à atuação dos estados”, destacou o texto.

O pedido de Lula foi feito na última quinta-feira (12), em meio a um pacote federal para enfrentar a alta do petróleo, que incluiu isenção do diesel de PIS/Cofins e subvenção de R$ 0,64 por litro a produtores e importadores.

No dia seguinte, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou que “o grande tributo sobre o combustível é o ICMS”, defendendo que estados e União precisam atuar de forma coordenada.

Segundo o Comsefaz, o ICMS sobre o diesel custa atualmente R$ 1,17 por litro, equivalente a cerca de 19% do preço final antes da isenção de PIS/Cofins. Desde 2023, o imposto passou a ser cobrado em valor fixo por litro, atualizado anualmente. Mesmo assim, alterações legislativas desde 2022 resultaram em perda acumulada de R$ 189 bilhões para estados e Distrito Federal.

A nota cita ainda que postos e distribuidoras não repassam integralmente reduções de preços nas refinarias, limitando o efeito prático de qualquer renúncia fiscal. Dados do INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis) mostram que, nos últimos três anos, enquanto o preço da gasolina caiu 16% nas refinarias, subiu 27% nas bombas.

O comitê ressaltou que a União possui instrumentos fiscais e patrimoniais mais amplos, como participação nos dividendos da Petrobras e arrecadação de royalties, capazes de absorver choques internacionais sem transferir aos estados o ônus principal da estabilização de preços.

Por isso, segundo o Comsefaz, a responsabilidade de políticas de contenção de preços não deve recair exclusivamente sobre os entes subnacionais.

A entidade manifesta, ao final, que permanece aberta ao diálogo com o Governo Federal e demais atores para buscar soluções coordenadas que garantam estabilidade de preços sem comprometer receitas essenciais para políticas públicas.

Por Djeneffer Cordoba

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *