Com blocos nas ruas, varejo já sente o Carnaval e registra alta de até 70%

Os foliões estão
em busca de glitter,
pedrarias, acessórios
e fantasias prontas  - Foto: Nilson Figueiredo
Os foliões estão em busca de glitter, pedrarias, acessórios e fantasias prontas - Foto: Nilson Figueiredo

Maquiagem lidera crescimento e supera resultado do ano passado no Centro

Os blocos já circulam pela cidade e, antes mesmo da data oficial do Carnaval, o resultado aparece no caixa das lojas do Centro. A poucos dias do feriado, a movimentação se intensificou entre prateleiras de glitter, pedrarias e fantasias prontas, um consumo concentrado, decisivo e, em grande parte, de última hora.

Na Tudo em Make, na Rua 14 de Julho, o desempenho deste ano supera o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a auxiliar de vendas Damares Ferreira, o fluxo cresceu ao longo da semana e deve ganhar novo impulso na véspera. “A procura está maior que no ano passado. O movimento no Centro ajudou bastante e isso refletiu aqui na loja”, afirma.

O aumento nas vendas chega a aproximadamente 70% em comparação com semanas regulares. A saída maior está na maquiagem artística: glitter, pigmentos coloridos, pedrarias para aplicação facial, cola específica e cílios postiços. São itens de menor valor unitário, mas com alto giro.

Apesar do aumento no volume, o comportamento do cliente é de cautela. A compra é fragmentada, com pesquisa de preço e preferência por produtos mais acessíveis. “Eles pesquisam mais. Quando encontram algo com valor melhor, acabam levando”, relata Damares.

Para atender à concentração da demanda, a loja adotou horário estendido nos dias que antecedem o Carnaval. A estratégia mira justamente o consumidor que decide perto da festa, padrão já incorporado ao planejamento do varejo.

No Bazar São Gonçalo, a movimentação começou a ganhar intensidade há poucos dias. A gerente Rosane Metello afirma que o comportamento se repete anualmente, mas que, em 2026, o resultado está acima do anterior. “O cliente deixa para os últimos dias. Desde segunda-feira o movimento cresceu bastante”, diz.
Segundo ela, o posicionamento do Carnaval em meados de fevereiro favoreceu o comércio. “Como ficou mais para o meio do mês, já tinham passado pelas despesas de começo de ano.”

No segmento infantil, predominam fantasias prontas, com preços a partir de R$ 89. O ticket médio varia entre R$ 100 e R$ 130. Para o público jovem e adulto, o giro está nos acessórios, saias metalizadas, tintas, aplicações com brilho, que permitem montar produções próprias.

“O Carnaval não é a melhor data do ano, mas é significativo. A gente se prepara dois meses antes”, afirma Rosane.

Do lado do consumidor, o discurso combina entusiasmo e controle de gasto. A estudante Maria Eduarda, 20 anos, foi ao Centro complementar o que faltava na produção.

“Como estava trabalhando durante a semana, deixei para comprar agora o que estava faltando. A gente reaproveita o que já tem e compra só o necessário”, diz. “É uma vez no ano, então dá para investir, mas com consciência.”

Para o público infantil, a lógica é diferente. Lívia Goulart, de 9 anos, escolhia a fantasia acompanhada da mãe e da avó. Animada com a festa na escola, ela resume a expectativa: “Eu gosto de comprar várias fantasias novas”, afirma. A família participará de desfile escolar, e a escolha do figurino faz parte do ritual.

Por Djeneffer Cordoba

 

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