O custo de vida na capital continua pressionando as famílias campo-grandenses. No fechamento do primeiro semestre do ano, quem depende do piso nacional para sustentar o lar teve que enfrentar 56,43% do seu salário voltado para a cesta básica, segundo a análise mensal do CONAB (Companhia Nacional de Abastecimentos) e DIEESE (Departamento intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). Isso representa 114 horas e 50 minutos de trabalho necessário para adquiri-la, considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social.
A pesquisa aponta que Campo Grande se consolidou como a sexta capital com a cesta básica mais cara, custando R$ 846,06, atrás apenas de Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo, com a mais cara do país, R$ 918,42. No acumulado de 2026, foi registrado um aumento de 9,04%.
No período entre dezembro de 2025 e junho de 2026, seis produtos registraram alta nos preços, a batata e o tomate foram os principais com 99,75% e 96,90% respectivamente, alimento.
De acordo com a pesquisa semanal da cesta básica produzida pelo Jornal O Estado, estes alimentos já registraram altas de R$6,99 para a batata e R$ 9,98 para o tomate em um dos supermercados avaliados. O feijão-carioca é outro destaque negativo de aumento, com 51,03%, seguida pela carne bovina com 1,26%, leite integral, 0,87% e pão francês com 0,78%. Os alimentos que apresentaram uma queda foram: O açúcar cristal, 14,33%; banana, 12,10%; café em pó, 11,93%, óleo de soja, 11,38%; farinha de trigo, 6,91%; manteiga, 1,96%.
Com base nos indicadores inflacionários nacionais, o DIEESE projeta mensalmente o salário-mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas. Em junho de 2026, o valor ideal calculado foi de R$ 8.110,92. Isso equivalente a 5 vezes o salário-mínimo vigente no país que é R$ 1.621,00, o que evidencia o abismo existente entre o piso oficial e a realidade das despesas fundamentais com alimentação, moradia, saúde e educação.
Panorama regional
Embora a situação em Mato Grosso do Sul seja alarmante, a capital vizinha Cuiabá registrou um cenário ainda mais caro no Centro-Oeste, custando R$ 937,93, 62,55% do mínimo líquido. Já Goiânia está em décimo do ranking com um valor de R$ 821,22, 54,77% do salário-mínimo.
Cenário nacional
Essa penúria que se instala nos lares da capital ganha um contorno ainda mais perverso quando confrontada com a macroeconomia nacional. Segundo o recente Boletim de Conjuntura nº 55 do DIEESE, a inflação de alimentos no país tem avançado de forma muito mais intensa e veloz do que a inflação média oficial (IPCA), com o grupo alimentos e bebidas registrou variação de 4,81% e os preços dos alimentos consumidos no domicílio aumentaram 5,68% punindo de maneira desproporcional os mais vulneráveis.
Os dados revelam que, no recorte por classe de renda, as famílias de poder aquisitivo muito baixo sofrem com um índice inflacionário de 3,46%, 0,63 ponto percentual a mais do que a das famílias de renda muito alta, com 2,83%, o que evidencia uma desigualdade social abissal.
Por Enzo Pereira
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