Aumento do etanol na gasolina, não é garantia de preços baixos ao consumidor

A medida deve ser
discutida em maio,
com meta de reduzir os
efeitos ao consumidor - Foto: Nilson Figueiredo
A medida deve ser discutida em maio, com meta de reduzir os efeitos ao consumidor - Foto: Nilson Figueiredo

Essa mistura dependerá de como estará o preço do etanol anidro, no momento que for autorizado

O governo federal deve aumentar, a partir de maio, a proporção de etanol misturado à gasolina, passando dos atuais 30% para 32%. A medida, ainda em fase de articulação, será submetida à análise do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

A iniciativa é conduzida pelo Ministério de Minas e Energia, do ministro Alexandre Silveira, que já sinalizou a interlocutores a intenção de incluir o assunto na próxima reunião do colegiado. Para entrar em vigor, a proposta precisa do aval de todos os ministérios que compõem o conselho.

A justificativa para a medida, é para reduzir os impactos da alta dos combustíveis no país, após conflito entre o EUA e o Irã. Cabe frisar que todo esforço para que o consumidor não seja ainda mais penalizado é válido. Mas será que esse aumento da mistura dos combustíveis vai chegar de fato até as bombas nos postos de gasolina? Conforme o presidente do Sindicato que representa as distribuídoras em Mato Grosso do Sul, Edson Lazaroto, para sentir esse alívio no bolso vai depender do preço do etanol para ser vantajoso.

“Por que a mistura é com etanol ANIDRO , que é mais caro que a Gasolina A , portanto esse aumento da mistura dependerá de como estará o preço do Etanol ANIDRO , no momento que for autorizado [o projeto]”, explica Lazaroto.

O presidente da Sinpetro/MS, ainda acrescenta que a mistura de etanol na gasolina possúi pontos positivos como: diminui impacto do preço internacional do petróleo, ajuda a estabilizar os preços e fortalece a produção nacional.

Em Mato Grosso do Sul, os dados mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para abril, indicam que a gasolina é vendida em média, entre R$ 6,30 e R$ 6,35 por litro. Já o diesel, é comercializado entre R$ 6,40 e acima de R$ 7,00 por litro, dependendo da região e das altas recentes no mercado.

Benefício ao agro

A elevação da mistura é defendida por setores do agronegócio e tem como principal objetivo reduzir a dependência brasileira de combustíveis importados. O tema ganhou urgência após a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada em março, que provocou forte alta no preço do petróleo no mercado internacional.

Com o fechamento do estreito de Hormuz — rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial —, o barril ultrapassou a marca de US$ 100, pressionando os custos energéticos em diversos países. No Brasil, embora a gasolina tenha impacto parcialmente amortecido pela forte presença da Petrobras no mercado, cerca de 15% do combustível consumido ainda é importado.

Segundo estimativas do setor, o aumento da mistura para 32% pode reduzir em até 5% essa necessidade de importação. Já no caso do diesel, onde a dependência externa é maior — cerca de 25% do consumo nacional —, os efeitos da crise internacional têm sido mais intensos.

Além do impacto econômico, o custo dos combustíveis também tem peso político. A alta nos preços pode afetar diretamente o cenário eleitoral, tornando o tema sensível para o governo em um momento de disputa acirrada.

A proposta de ampliação do etanol na gasolina já havia sido mencionada no início de abril pelo ministro Alexandre Silveira e agora avança como uma das principais alternativas para mitigar os efeitos da instabilidade no mercado global de energia.

 

Suzi Jarde

 

 

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