Projeto social usa futebol para formar cidadãos

Escolnha - - ROBERTA MARTINS

Um projeto social vem transformando a realidade de dezenas de crianças e adolescentes por meio do esporte no bairro Parque do Lajeado, em Campo Grande. O Grêmio Esportivo Real FC, que atua há pelo menos 20 anos, oferece treinos gratuitos de futebol e tem como principal objetivo algo que vai além das quatro linhas: formar cidadãos.

A iniciativa nasceu de uma experiência simples, mas marcante, na vida do diretor-presidente Fernando Bruno Borba. Ao ver um menino correndo e perguntar sobre seu futuro, ouviu uma resposta que mudou tudo. “Ele respondeu que queria ser jogador profissional. Aquilo me marcou”, relembra. A partir desse momento, decidiu investir em um projeto que pudesse dar oportunidades a jovens da comunidade.

Hoje, aproximadamente 55 alunos, entre 7 e 20 anos, participam das atividades, que acontecem duas vezes por semana em campos de futebol da região. Mesmo sem um campo próprio, o trabalho segue firme, com portas abertas também para meninas.
– Mais que futebol: formação para a vida

O foco da escolinha vai muito além da técnica esportiva. A disciplina e o compromisso com a educação são exigências básicas. Alunos que faltam à escola, por exemplo, são impedidos de treinar. “Se matar aula para vir treinar aqui, não treina”, afirma Fernando. “O principal objetivo é formar cidadãos de bem. Se virar jogador profissional, ótimo, mas o foco é formar caráter”, destaca o diretor.

Essa visão é compartilhada pelo gerente e professor Gerson Domingos. Segundo ele, é fundamental alinhar expectativas com os jovens e suas famílias. “Nem todos vão se tornar profissionais, mas todos podem se tornar bons cidadãos”, explica.

Gerson ressalta que o trabalho envolve não apenas o preparo físico, mas também o aspecto mental e social dos alunos. A convivência entre crianças de diferentes bairros e realidades contribui para o desenvolvimento pessoal e coletivo.

– Projeto gratuito e sustentado por doações

O Grêmio Esportivo Real FC funciona exclusivamente por meio de doações e está inserido na Lei de Incentivo ao Esporte. Empresas e pessoas físicas podem contribuir legalmente com parte do imposto de renda, ajudando a manter o projeto ativo.

Todo o atendimento é gratuito, incluindo uniformes e materiais esportivos. A coordenação faz um alerta importante: caso alguém esteja pedindo dinheiro em nome do projeto de forma direta, trata-se de informação falsa.

Apesar dos desafios financeiros e estruturais, os resultados já aparecem. Ex-alunos que seguiram outros caminhos, como a educação física, ou que construíram suas famílias, retornam para agradecer. Para Fernando, esse reconhecimento tem um valor especial. “Eu não curto troféu nem medalha. O meu troféu é ver um deles se tornar um profissional”, afirma.

 

Ricardo Prado

 

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