Patrícia troca camisa de torcedora por uniforme profissional

Danielle Mugarte

Ernesto Guerra – Santos FC

Se consagrar como jogadora profissional de futebol em um time da série A já é difícil, mas poder vestir a camisa do time do coração parece um sonho mais distante ainda. Quem conquistou essa façanha é a sul-mato-grossense Patrícia Sochor, 24 anos, que atua há dois anos como meio campo e atacante no Santos Futebol Clube.

Natural de Iguatemi, a 460 km de Campo Grande, a atleta ama correr com a bola nos pés desde os 9 anos e começou a projetar um futuro profissional desde nova. O que ela não imaginava é que um dia seria uma Sereia da Vila. “Sem dúvida é um prazer enorme fazer parte deste time. Todos que me acompanham sabem que sou santista de coração, então é uma alegria dobrada para mim, me sinto muito feliz”, conta. Ela afirma estar muito feliz pois, além de jogar pelo time que torce, é a primeira vez que tem a carteira assinada. “Temos décimo terceiro, férias, tudo como qualquer outro trabalhador, então estou conseguindo me manter”. Seu contrato encerra no fim de 2019.

Emily Lima, comandante do Santos e ex-técnica da seleção brasileira feminina, disse que acompanha a atleta desde quando atuava pela verde e amarela. “A Patrícia vem sendo avaliada por nós desde quando estávamos na seleção, então foi fácil trabalhar com ela dentro da equipe. Não tivemos dificuldades nem com a Patrícia, nem com nenhuma atleta. Independente de onde as atletas vêm o trabalho é o mesmo”.

Além da habilidade técnica e precisão nas finalizações, a facilidade de se adaptar em outras posições é uma das qualidades da atleta. “Hoje temos um modelo de jogo um pouco diferente, ela também se adaptou em uma função diferente dentro do que nós estávamos precisando, mais como meia do que como uma meia aberta. Durante esses dez meses ela fez essas duas funções e fez muito bem. Então minha avaliação sempre foi positiva em relação à Patrícia na equipe”, complementa a comandante.

Atleta faz história em conquista do Campeonato Paulista 2018 

Marcos Maluf

No início do mês, a equipe feminina do Santos se consagrou campeã paulista após empatar com o Corinthians no Estádio Alfredo Schürig, no Parque São Jorge, na casa das adversárias. A vantagem veio da vitória de 1×0 no jogo de ida, no Estádio Urbano Caldeira, conhecido como Vila B16:27:57elmiro. A sul-mato-grossense entrou no segundo tempo e fez a assistência do gol de Ketlyn que deu o empate por 2 a 2 e o título às sereias.
“Me sinto feliz e satisfeita com minha atuação e com a conquista da equipe, que é o mais importante. Foi muito importante ter a vantagem, nós jogamos em casa pra fazer um resultado positivo para depois depender de dois resultados favoráveis para nós. Foi um jogo de gigantes, com duas equipes muito qualificadas e venceu quem errou menos nas duas partidas”, conta a meia atacante.

Mesmo que tenha entrado no segundo tempo, a técnica do Santos explica que a atual comissão técnica não trabalha com titular e reserva. “Nós trabalhamos com o desempenho nos treinos e nos jogos, então elas que escolhem o que querem ser. É claro que tem jogos que a gente precisa identificar qual característica de atleta nós precisamos para aquele jogo específico, como na final do paulista. Nós fizemos a escola pela Maria por conta da força e velocidade que ela têm”.

O elenco santista se reapresentou esta semana aos treinos. Emily contou à reportagem do Jornal O Estado MS que o plano da equipe é focar toda a força, concentração, motivação e desempenho na Libertadores, para aí sim pensar no depois. Já a atleta revela que apesar de estar focada no time, não está fechada para outras possibilidades. “Pretendo ainda sair do Brasil para conhecer outras ligas e por ser financeiramente diferente o salário de futebol feminino no Brasil e fora dele”. A competição continental começa no dia 18 de novembro e encerra no dia 2 de dezembro, em Manaus (AM)

Pouca idade de Sochor contrasta com seu histórico extenso no futebol 

Divulgação – CBF

A bagagem de Patrícia dentro do esporte é grande. No começo de sua carreira se dedicou ao futsal, e passou por três escolas. Após adquirir cinco anos de experiência nas quadras, foi convidada a jogar pelo Palmeiras após chamar a atenção de olheiros durante a Taça Brasil de Futsal, em 2010.

Após um ano no clube paulista, retornou para Campo Grande e entrou de cabeça no futebol de campo, ao defender a Moreninhas e o Comercial.

Em 2012, aos 18. foi para Santa Catarina jogar pelo Joinville e desde então não parou mais. Passou pelo Kindermann, Foz do Iguaçu, Vasco, Audax, Ferroviária e, no início do ano passado, saiu do país pela primeira vez e jogou a “La Liga” (Liga Espanhola) pelo Sporting Club de Huelva. Ela também vestiu a camisa verde e amarela. Foi atleta da Seleção Brasileira Sub-20 em 2014, ano do Mundial de Futebol Feminino.

Sua mãe permanece na capital sul-mato-grossense. Elaine da Silva contou que a família sempre apoiou o sonho de Patrícia, mesmo que isso custasse não tê-la por perto. “Ela sempre gostou de futebol, jogava com os meninos porque não tinham muitas meninas no meio. A gente sempre incentivou ela, carregávamos ela nos treinos, as vezes ela passava o dia inteiro fora”.

Apesar da saudade e da apreensão por ter a filha longe, Elaine ressalta que o que é importante é ver a felicidade da filha em vestir a camisa alvinegra. “Vestir a camisa do Santos para ela e para nós foi uma alegria muito grande. Ela sempre foi guerreira, enfrentou muito o preconceito que ainda existe no futebol feminino e enfrenta até hoje. Mas ela conquistou aos poucos o espaço dela, tem uma bagagem grande e está bem colocada”, finaliza.

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