Neca Chaves Bumlai, criada em uma família que ajudou a construir o ensino privado no Estado e, agora, como reitora,
propaga os novos modelos de aprendizagem.
Por décadas, o Ensino Superior seguiu um roteiro conhecido: professor na frente, alunos enfileirados e conhecimento transmitido de forma linear. Mas uma nova geração de educadores começou a questionar se esse modelo que ainda existe em algumas salas de aula.
Em Mato Grosso do Sul, uma das vozes dessa mudança vem justamente de dentro de uma família ligada à construção da educação privada no Estado. Filha de um dos maiores nomes da educação regional, professor Pedro Chaves e da professora Reni dos Santos, Neca Chaves Bumlai cresceu acompanhando de perto a rotina escolar. Décadas depois, assume a reitoria do Insted Centro Universitário defendendo algo que já enxerga há alguns anos: a necessidade de repensar a forma como a educação acontece.

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“Hoje o estudante não aprende da mesma forma que há vinte ou trinta anos. O acesso à informação mudou, as relações mudaram e a universidade precisa acompanhar isso. Vivemos um tempo que educação exige mais que discernimento, exige equidade e responsabilidade. E é exatamente essa educação que queremos fortalecer com o Insted, das metodologias ativas e do aluno como centro do ensino”, afirma a agora reitora, Neca.
A discussão não é nova, mas acontece em um momento em que a Instituição vive uma nova fase, com a transformação para Centro Universitário. Novidade que amplia a autonomia acadêmica e projetos de extensão. Mas, para além da mudança administrativa, a trajetória chama atenção pelo simbolismo, de uma nova geração que passa a conduzir parte de um legado educacional conhecido no Estado.
“A educação não se configurou como uma nova trajetória, como um empreendimento comercial, mas sim como um propósito especial e uma vocação. Aprendi desde cedo que educar é mais do que transmitir conteúdos, é abrir horizontes, despertar potencialidades e criar oportunidades para aqueles que muitas vezes não as tinham. E tudo o que realizamos ao longo desta caminhada sempre teve o mesmo propósito: oferecer ensino sério, humano, acessível e comprometido com a formação integral das pessoas”, afirma o chanceller da instituição e presidente da mantenedora do Centro Universitário, professor Pedro Chaves do Santos Filho.
O professor Pedro, que participou de diferentes transformações no ensino básico e superior sul-mato-grossense, já afirmou em outras ocasiões acreditar que educação não pode ser “mais da mesma”. A filha parece seguir a mesma linha, embora com ferramentas diferentes.
Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UNB) e com 28 anos de experiência em gestão educacional, Neca defende metodologias mais participativas, em que o estudante deixa de

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ser apenas receptor de conteúdo e assume papel ativo na própria formação.
Apesar das mudanças, ela diz que algumas lições permaneceram intactas dentro de casa. “O principal aprendizado que tive com meus pais não foi gestão. Foi entender que aluno nunca é número. Eles me mostraram que atuar na educação é mais do que uma profissão, é uma missão, um compromisso com o futuro e que sempre deve ocupar lugar central do desenvolvimento humano e social”.
Essa nova etapa foi oficialmente marcada durante o evento de instalação do Centro Universitário, realizado nesta segunda-feira (25), que reuniu diversas autoridades do Estado e representantes da educação. Entre os discursos, o destaque foi justamente para a continuidade de um legado educacional e o papel da instituição na formação de novas gerações.
“A transformação do Insted em Centro Universitário possibilita a continuidade de um excelente trabalho desenvolvido ao longo de anos de Pedro Chaves, o único sul-mato-grossense a ocupar vaga na Academia Brasileira de Educação. É a passagem de um legado, de um sonho, de um pai passando para sua filha, a continuidade daquilo que ele dedicou a vida, daquilo que ele acredita, que a forma de transformar, de modificar a vida das pessoas, só pode ser por intermédio da Educação”, pontuou o vice-governador do Estado, José Carlos Barbosa.
Já o representante do Conselho Nacional de Educação, Henrique Sartori, relembrou sua relação com a trajetória do Insted e destacou a importância da nova fase institucional. Ex-aluno do professor Pedro Chaves, ele afirmou ter acompanhado o surgimento da Instituição desde as primeiras conversas e ressaltou que, entre mais de três mil instituições de ensino superior do país, pouco mais de 450 possuem o grau de Centro Universitário. “É uma condição que demonstra maturidade institucional, qualidade acadêmica e impacto regional”, afirmou.
A mudança institucional do Insted acaba revelando também outra transição, a passagem entre gerações que ajudaram a construir a educação em Mato Grosso do Sul, mas agora com novos desafios e uma forma diferente de enxergar a sala de aula.

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