Capital registrou 50 mil mudas plantadas na área urbana em três anos

Árvores
Foto: Nilson Figueiredo

Cidade é destaque entre regiões mais arborizadas

Nos últimos três anos Campo Grande ganhou mais de 50 mil árvores na paisagem já conhecida por abrigar o verde em suas ruas. Apesar de não haver números atualizados, pela média de plantios, estima-se que passa de 310 mil o total na área urbana da cidade, tornando privilégio para o campo-grandense morar na Capital que, por dois anos consecutivos, ganhou prêmio internacional por ser uma das cidades mais arborizadas do mundo.

De acordo com balanço da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana), de 2017 a 2020 a prefeitura plantou 49.738 mudas pelas sete regiões da cidade. O número de novas árvores é ainda maior pelo plantio feito por ONGs (organizações não governamentais) e pelo setor privado. A área do Segredo, onde ficam bairros como o Nova Lima, José Abrão e Santa Luzia, foi a que mais foi arborizada, com um total de 15.367 plantios.

Em seguida, aparece a região do Prosa, onde ficam o Jardim Autonomista, Chácara Cachoeira e Carandá Bosque, que ganhou 10.474 mudas. Pelo levantamento, o lugar menos arborizado foi o Centro, onde, nos últimos três anos, foram plantadas apenas 1.020 árvores.

Em 2020 e 2021, Campo Grande foi reconhecida pela fundação internacional Arbor Day como uma Tree Cities of the World (“Cidades Árvore do Mundo”), que premia cidades do mundo todo por cultivo e manutenção de florestas urbanas. “Nosso desafio é conciliar conservação ambiental com o desenvolvimento urbano para promover uma cidade sustentável e organizada. Ter esse reconhecimento também tem como resultado qualidade de vida e proteção aos recursos naturais”, pontua.

O último Plano Diretor produzido pela Semadur, em 2009, apontava que na época a Capital tinha um total de 153.122 árvores nas vias urbanas. Fazendo a soma da média de plantio dos últimos anos e sem considerar cortes, acredita-se que hoje o total atinja 319 mil. A prefeitura informou que trabalha para atualizar os dados do Plano Diretor, que geralmente é refeito com intervalo de dez anos.

Em comemoração ao Dia da Árvore, celebrado nesta terça-feira (21), a prefeitura vai plantar 14 mil novas mudas em diversas partes da cidade. Em uma das ações, o canteiro do Hospital Regional em Campo Grande vai receber uma árvore de ipê-branco para cada servidor da unidade que morreu vítima da COVID-19. Ao todo, serão sete ipês e, para completar o espaço, 30 mudas de árvores frutíferas.

Na manhã dos dias 21 e 25, o município fará a entrega no sistema drive-thru de 12 mil mudas de pitanga, acerola, goiaba, jabuticaba, amora, romã e nêspera. A distribuição será pela manhã na Central do Cidadão e na sede da prefeitura.

Bom exemplo

Se Campo Grande tem viveiro próprio em plena área urbana da cidade, dona Elvecy Fernandes, de 66 anos, tem parcela de contribuição nisso. Cansada do vazio no canteiro da Avenida Fábio Zahran, bem em frente do local onde mora, na Vila Carvalho, a aposentada resolveu dar cara nova à área.

“Eu olhava e via que não tinha nada, só o mato que vira e mexe ficava grande e feio”, conta. Com ajuda de um vizinho, Elvecy limpou e adubou o terreno, comprou mudas em uma feira e passou a plantar.

Hoje, quatro anos depois de a primeira muda de poncã ser plantada, a loucura do vaivém de veículos contrasta com a sensação de tranquilidade proporcionada por sombra e frutas das dezenas de árvores que agora dão vida ao trecho da Fábio Zahran.

Na lista, o “cantinho” da aposentada tem pés de pitanga, romã, jabuticaba, mamão, goiaba, amora, lichia e variados tipos de manga, inclusive uma que veio do Haiti. “Minha alegria é olhar aqui do meu quintal e ver as pessoas parando para pegar as frutas. As crianças adoram e isso me deixa feliz”, relata.

A ideia deu tão certo que dona Elvecy inspirou vizinhos, que começaram a fazer o mesmo na extensão do canteiro. Aprendizado em vida que a amante das árvores quer deixar como legado. “A última que plantei foi um abricó-de-macaco que demora sete anos para dar flor. Se eu não estiver mais aqui quando florescer, sei que alguém vai olhar e se lembrar de mim”, completa.

(Texto de Clayton Neves)

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