SES tem ações para combater subnotificações de casos de abuso e exploração infantil

Casos de abuso e exploração infantil
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Ontem (18), foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e a SES (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul), através do Serviço de Atenção às Pessoas em Situação de Violência, da Gerência de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente e da Gerência Técnica de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, fez um alerta para que a população denuncie e debata sobre o assunto.

O secretário de Estado de Saúde, Flávio Britto, comentou sobre a volta às ruas, após o período de pandemia da Covid-19. “Durante o período da pandemia, permanecemos mais de dois anos em casa buscando a proteção contra o Coronavírus. Mas infelizmente, para outros, principalmente nossas crianças e adolescentes, a casa que deveria ser um abrigo inviolável, pode ter se tornado um meio facilitador para que elas ficassem vulneráveis aos abusos e exploração sexual, por parte daqueles que deveriam protegê-las”, disse o secretário.

A socióloga da SES, Jadir Dantas, fala que o retorno das crianças e adolescentes às aulas presenciais é uma forma de, aqueles que sofrem algum tipo de violência, pedirem ajuda a comunidade escolar. “Por isso, é importante que professores e outros adultos com quem eles convivam durante o período de atividades escolares, fiquem atentos ao que eles dizem, principalmente, aos que demonstram sem que na maioria das vezes, consigam verbalizar às agressões”.

Um levantamento feito pela SES, baseado no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), mostra que foram registrados 94.087 pessoas atendidas nos serviços de saúde, e deste total foram 37.522 casos de crianças e adolescentes, que corresponde a cerca de 40% do total de casos notificados no Estado.

A gerente da Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da SES, Aneth da Silva Benites Lino, explica que esse tipo de violência pode acabar sendo subnotificado pelos serviços de saúde. “Por ser de difícil detecção em razão da dificuldade de a vítima relatar e até mesmo dos profissionais em reconhecer a violência sofrida, e por isso, muitos casos podem estar subnotificados. Por isso, o profissional de saúde, sobretudo os médicos, apresentam um papel importante no acolhimento e atendimento, visando identificar sinais e sintomas que possam ser indicativos de que crianças e adolescentes podem estar sofrendo abuso sexual”.

Ações 

A SES, atenta a questão da subnotificação, por meio da Gerência Técnica de Doenças e Agravos não Transmissíveis da SES, Núcleo de Prevenção de Violência da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e a Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, promove nos dias 23 e 24 de junho, no Hotel Vale Verde em Campo Grande, a capacitação de médicos sobre o acolhimento, atendimento, notificação e seguimento dos casos de violência sexual ocorridos com crianças e adolescentes, para que o profissional aprimore suas habilidades e possa reconhecer os casos suspeitos.

Diferenças entre abuso e exploração sexual 

A violência sexual contra crianças e adolescentes pode ocorrer de duas formas, pelo abuso e pela exploração sexual.

No abuso sexual, o ato é praticado por uma pessoa, independente do sexo (homem ou mulher), e que utiliza a sexualidade de uma criança ou adolescente para a prática de qualquer ato de natureza sexual.

Já na exploração sexual, crianças e adolescentes são usados com a intenção de obter lucro ou benefício de qualquer espécie. Na maioria das vezes, as vítimas são coagidas ou persuadidas por um aliciador ou delinquente sexual (homem ou mulher), que as atrai com falsas promessas, suborno, sedução, ou induzindo-as a se rebelarem contra os pais.

Como identificar 

A socióloga Jadir Dantas preparou oito dicas que a população pode usar para identificar possíveis sinais de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

1) Mudança de comportamento – se a criança/adolescente nunca agiu de determinada forma e, de repente, passa a agir. A reação também pode ser com uma pessoa em específico;

2) Proximidade excessiva – se a criança desaparece por horas brincando com alguém de mais idade do que ela ou se torna alvo de um interesse incomum. Pais ou responsáveis precisam ter bom senso neste caso e redobrarem atenção;

3) Regressão – recorrer a comportamentos infantis, que a criança já tinha abandonado, mas volta a apresentar de repente. Como: fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo, ou a chorar sem motivo aparente.

4) Segredos – abusador pode fazer ameaças e promover chantagens às vítimas. É comum também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material. É preciso explicar para a criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com adultos de sua confiança, como a mãe ou o pai ou responsável;

5) Hábitos – apresenta alterações de hábito repentinas. Pode ser desde uma mudança na escola, como falta de concentração ou uma recusa a participar de atividades, até mudanças na alimentação e no modo de se vestir;

6) Questões de sexualidade – criança que, por exemplo, nunca falou de sexualidade começa a fazer desenhos em que aparecem genitais, isso pode ser um indicador;

7) Questões físicas – é interessante ficar atento também a possíveis traumatismos físicos, lesões que possam aparecer, roxos ou dores e inchaços nas regiões genitais e gravidez na adolescência;

8) Negligência – o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência. A criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família e está em situação de maior vulnerabilidade.

Denúncia 

As denúncias podem ser feitas por meio do Disque 100 ou pelo 190 (Polícia Militar).

Com informações do Portal do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

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