No Estado 401 pessoas aguardam transplante de órgão

transplante de órgão
Arquivo pessoal

Por alguma ironia do destino, que nem mesmo os médicos souberam explicar, Santiago Cuella, de 28 anos, perdeu a função dos rins e teve de entrar para a fila de sul-mato-grossenses à espera de um transplante de órgão, e em 2021, ele foi o primeiro do Estado a realizar a cirurgia.

“Os anos que passei na hemodiálise foram difíceis, tive de me adaptar a um novo estilo de vida de restrições e enjoos. Emagreci uns 15 quilos e tinha muita dor de cabeça e inchaços. O procedimento de hemodiálise era difícil cansativo e doloroso”, lembra.

Entre idas e vindas semanais ao hospital, o bailarino se dividia entre a incerteza que maltratava e a esperança, que ganhava força com a assistência da família e dos amigos que acompanhavam a luta de perto. O apoio da mãe, a professora Marlene Cuella, foi a principal base para atravessar o mau momento.

No dia 25 de dezembro de 2020 após muita insistência em viver, veio a ligação que trouxe a notícia que ele mais esperou em quatro anos. Um misto de sensações e alívio instantâneo. Do outro lado da linha a informação de que uma família em Curitiba havia autorizado a doação do rim que salvaria a vida do bailarino. Num avião do Corpo de Bombeiros ele voou até o Paraná, mas, ao chegar, o sonho não se concretizou e, por incompatibilidades, ele teve de voltar para Campo Grande sem a cirurgia que esperava. A decisão da família salvou outra vida. “Dessa vez não deu certo”, comenta.

Com a cirurgia adiada, mas sem perder a esperança de que sua hora chegaria sua vez de ter o transplante de órgão, ele seguiu confiante até o presente de ano-novo chegar, no dia 1° de janeiro de 2021. Com novo doador compatível, ele voltou a Curitiba e o transplante aconteceu.

“Quando entrei para o transplante estava muito feliz e com medo também. Sem saber direito o que vinha pela frente, mas muito, muito feliz. A escolha de uma família em optar pela doação dos órgãos me salvou e melhorou muito a minha qualidade de vida e a de outras pessoas também”, pontua.

Segundo dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde), a fila de pacientes que aguardam por um transplante em Mato Grosso do Sul é de 401 pessoas; a maioria delas à espera de córneas e rins. No entanto, a quantidade de transplantes feita é muito inferior à necessidade. O último balanço feito pela Santa Casa, hospital de referência no procedimento, mostra que o desempenho do Estado ainda tem muito a melhorar.

Em 2020, com a chegada da COVID-19, pouco mais da metade das doações de órgãos aptas em Mato Grosso do Sul foi feita. Das 113 mortes encefálicas registradas, 67 foram aprovadas para a doação e, destas, 34 foram feitas: captações de 60 rins, 18 fígados, 5 corações e 1 pulmão. Já de transplantes foram realizados 21 rins e 2 corações em 2020.

“É superimportante a conscientização sobre a doação de órgãos porque ele pode ser enterrado com uma pessoa, mas também, pode salvar a vida de outra. É um ato de solidariedade que deveria ser mais praticado e que faz a diferença”, avalia Santiago.

Hoje, sete meses após o transplante, ele celebra a nova oportunidade que teve de viver e viver com qualidade. “Agora estou bem. Tive restrições para me adaptar ao novo rim, mas hoje já posso comer quase tudo, beber água e já não passo mal”, comemora. (Texto: Clayton Neves)

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