O músico Diogo Silva, representante da dupla Diogo Viola e Carlinhos, de Barretos (SP) procurou o Jornal O Estado Online para denunciar a falta de pagamento de cachês a artistas que participaram do Encontro de Violeiros de Campo Grande 2025, realizado em dezembro. Segundo ele, os músicos foram contratados pela ACVV-MS (Associação Cultural de Violeiros e Violeiras do Estado de Mato Grosso do Sul), presidida por Anderson Alvarenga, mas não receberam os valores acordados em contrato.
De acordo com Diogo, artistas de Campo Grande e de outras cidades, foram convidados e se deslocaram para o evento após a promessa de pagamento posterior à apresentação. O presidente da associação teria informado que os recursos estariam vinculados a projetos culturais e que os cachês seriam quitados alguns dias após o término do evento.
“Ele disse que o dinheiro estava na conta da associação e que só poderia pagar depois da execução do trabalho. Fizemos contrato de prestação de serviço, nos apresentamos e, depois disso, ele alegou que o recurso não havia caído na conta e que havia problemas na plataforma Prosas”, relatou Diogo.
Passados mais de 20 dias do evento, segundo o músico, Anderson Alvarenga, presidente da ACVV-MS, teria deixado de responder mensagens e ligações. Diogo afirma ainda ter recebido relatos de que situações semelhantes teriam ocorrido em anos anteriores, com artistas que também não teriam sido pagos após participarem de eventos organizados pela associação.
Contrato firmado entre contratante e músicos – Foto: Diogo Silva
Diante da situação, Diogo entrou em contato com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul para buscar esclarecimentos. Em resposta, a fundação informou que não houve repasse de recursos financeiros para pagamento de cachês à associação e que o apoio do Governo do Estado ao evento se limitou à estrutura, como palco, som e iluminação. A fundação também esclareceu que a plataforma Prosas não é utilizada para repasse de recursos, mas apenas para envio e acompanhamento de projetos culturais.
Diogo reiterou à reportagem como foram as tratativas com Anderson Alvarenga no período da contratação. Em conversar por meio de mensagens de áudio, o presidente da associação afirmava que havia recurso disponível, mas condicionado à execução do trabalho, garantindo que os artistas não ficariam sem receber. Mas que os valores eram limitados e que o pagamento ocorreria após a apresentação.
Apesar das garantias, os músicos afirmam que não receberam os cachês até o momento. “Nós saímos das nossas cidades para prestar um serviço. Agora estamos de mãos atadas”, disse Diogo, que é servidor público e diretor de cultura em Barretos (SP). Ele afirma que estuda, junto a um advogado, acionar o Ministério Público para apurar a situação da associação.
Procurado pela reportagem, Anderson Alvarenga afirmou que a associação convidou alguns artistas por meio de ofícios enviados às prefeituras e que os pagamentos dependem da liberação de recursos, inicialmente previstos para dezembro, mas remanejados para fevereiro ou março. Segundo ele, não se trataria de cachês, mas de doações culturais, e houve atraso no recebimento dos valores.
Anderson negou que tenha deixado de responder aos músicos.
“Sempre respondemos todos, 100%. Convidamos alguns artistas através das prefeituras , enviamos ofícios e solicitamos diretamente às prefeituras, no entanto, temos um recurso disponível que era para ter sido pago em dezembro, mas foi alterado para fevereiro e março. Quando recebermos, logo estará disponível”, afirmou.
Convite à prefeitura de Barretos, por meio de oficio enviado por Anderson Alvarenga
Anderson classificou a situação como “chata” e disse que a associação luta há três anos para conseguir recursos, além de estar constantemente divulgando ações e buscando apoio financeiro. O presidente também declarou que pretende entrar em contato novamente com Diogo para tentar esclarecer o impasse.
Enquanto a situação não se resolve, os músicos aguardam uma solução e defendem a apuração dos fatos pelos órgãos competentes. “A gente precisa receber os nossos valores ou que essa situação seja investigada”, concluiu Diogo.
*Matéria editada às 13h15, para acrescentar imagens do contrato de prestação de serviços
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