Sesau apura morte de menina em UPA de Campo Grande

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A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) informou que abriu uma investigação para apurar o que aconteceu durante o atendimento de Hannah Julia Romeiro Nolasco, de 8 anos, que morreu nos braços da mãe na UPA Leblon.

O caso ocorreu após a mãe da criança buscar atendimento médico em quatro ocasiões. Em todas elas, Hannah recebeu alta, até que, na última tentativa de atendimento, a menina morreu nos braços da mãe.

Em conversa com a reportagem, a mãe, Sara Romeira, de 46 anos, relatou que inicialmente esteve com a filha na CRS Coophavila II (Centro Regional de Saúde). Hannah apresentava quadro gripal, com tosse e febre.

Segundo Sara, o atendimento médico foi rápido. A menina deveria receber soro para hidratação, remédio para enjoo, já que não queria se alimentarm e dipirona para baixar a febre.

Com a demora para ser chamada e receber a medicação, a mãe questionou uma enfermeira e foi informada de que a ala estava lotada.

“Ela precisava tomar soro junto com a dipirona. Como estava com a febre muito alta, a [enfermeira] falou que iria demorar para dar a medicação porque a sala de hidratação estava cheia”, contou Sara, que completou:

“Ainda questionei. Minha filha estava com quase 39 graus de febre, eu precisava dar alguma coisa. Ela falou assim: ‘Volta e fala com o médico, pergunta se você pode dar dipirona em gotas para ela’.”

Ela informou que, diante da situação, o médico teria autorizado a medicação. Em seguida, comprou o xarope antialérgico prescrito.


Cronologia

Primeira entrada — 24 de abril: Hannah passou por consulta médica devido à tosse e à falta de apetite;

Segunda entrada — 27 de abril: a menina apresentou inchaço nos olhos, tosse persistente e palidez;

Terceira entrada — 28 de abril (manhã): a mãe retornou com a filha, que apresentava quadro de vômito e lábios arroxeados. Hannah recebeu atendimento e teve alta;

Quarta entrada — 29 de abril (madrugada): Hannah, já debilitada, recebeu atendimento médico com prescrição de soro e medicação. Ela morreu nos braços da mãe, em uma possível confusão entre a ala de medicação e a de internação.


Quarta busca por atendimento

Durante a madrugada de quarta-feira (29), Hannah não conseguia dormir. Na quarta entrada na unidade de saúde, passou por nova avaliação médica. Segundo a mãe, os profissionais descartaram meningite, embora a menina reclamasse de dores na nuca, nos braços e pelo corpo.

“Naquele dia, só pesaram ela, não aferiram a pressão. Eu acredito que, se utilizassem aquele aparelho que mede a oxigenação, iria aparecer que ela estava com falta de ar.”

Falta de vaga

A médica solicitou medicação intravenosa, e Sara levou a filha até o setor indicado. No entanto, segundo ela, foi informada de que aquele não era o local correto para o procedimento.

“Mandaram eu ir para outra área. Quando cheguei lá, disseram que não havia vaga para atender. Não tinha maca no local de internação e mandaram eu voltar para a sala de medicação.”

Ainda sem definição e sem receber o medicamento, a criança desmaiou nos braços da mãe. Foi nesse momento, conforme o relato, que a equipe percebeu a gravidade da situação.

“Um paciente foi tirado da cama e colocaram a minha filha. Mas já era tarde. Naquele instante, eu acredito que ela morreu.”

A mãe descreveu momentos de correria dentro da unidade, além da dificuldade da equipe em encontrar uma veia da menina. Na sala de espera, os familiares foram informados de que Hannah seria entubada.

“Ficaram mentindo para a gente. Não fizeram nada, foi negligência total. Eu só queria que aplicassem a medicação nela, e isso não aconteceu.”

Outro lado

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) informou que irá consultar prontuários, verificar horários de atendimento e que, com base nos levantamentos, caso sejam identificadas falhas no atendimento, as medidas cabíveis serão tomadas.

Leia a nota na íntegra:

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso será investigado. Em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e ao princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e do sigilo das informações de saúde, a secretaria não fornece dados ou esclarecimentos sobre atendimentos individuais de pacientes à imprensa ou a terceiros, mesmo que de forma indireta.

A pasta esclarece ainda que as informações serão devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas”.

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