Ministra das Mulheres detalha como vai ser a mobilização nacional pelo Feminicídio Zero durante os dias de folia e fala sobre investimentos para construção de mais Casas da Mulher Brasileira
A mobilização nacional pelo Feminicídio Zero vai estar presente durante o Carnaval. O assunto foi detalhado pela ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, durante o programa Bom Dia, Ministra desta quinta-feira (27/2). transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação.
“A mobilização do Feminicídio Zero é uma forma da gente tentar contactar homens e mulheres que não estão no debate todos os dias sobre a questão da violência, a agressão, que às vezes acham que encostar é normal, que o cara passar a mão na mulher é normal. Nós estamos ali para dizer que não, não é normal. Não é não. Se a mulher não quer, você não pode”, afirmou a ministra
A ação do Ministério das Mulheres vai ocorrer no Sambódromo da Sapucaí. Peças da campanha ‘Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada’ serão expostas em diversos espaços do sambódromo, com painéis, faixa na avenida carregada por mulheres, adesivos nas portas dos banheiros e distribuição de materiais gráficos, impactando uma estimativa de mais de 5 milhões de espectadores que passarão pelo espaço, considerando os dias e que também ocorreram ensaios técnicos.
As mensagens da campanha lembram que o Carnaval é um momento de festejar, livre de assédio, e que enfrentar e interromper a violência contra a mulher é papel também dos homens. Outro destaque da campanha é reforçar, em todas as peças, a divulgação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, disponível também no WhastApp (61) 9610-0180.
O Feminicídio Zero é uma mobilização nacional permanente do Ministério das Mulheres. A articulação envolve diversos setores do país, a partir de diferentes frentes de atuação — comunicação ampla e popular, implementação de políticas públicas e engajamento de influenciadores.
“A mobilização, na verdade, ela é uma campanha. Ela vem desde agosto do ano passado. Ela é um processo de curto, médio e longo prazo, porque é um processo de fazer com que a população brasileira entenda que ela precisa se meter na violência contra as mulheres. Então nós já fomos para os estádios, nos jogos de futebol. A mesma coisa vai ser no Carnaval. A nossa ida desde novembro nas comunidades, nas quadras das comunidades, nos ensaios, é exatamente para estabelecer a relação com a comunidade, com a escola, para que a gente possa ter um processo de continuidade efetiva na mobilização”.
“E nós vamos continuar. Em junho vamos fazer no Nordeste, nas festas juninas. Onde nós pudermos chegar para falar com toda a população, junto com as secretarias estaduais de Mulheres, nós estaremos lá para dizer festa é festa. As mulheres têm o direito de viver, de ter autonomia econômica, igualdade salarial, têm o direito de ser felizes e o direito de estar onde elas quiserem, no Carnaval, no forró e no estádio de futebol. E vivas”, afirmou a ministra
Casa da Mulher Brasileira
Durante o bate-papo com radialistas de várias regiões, Cida Gonçalves falou sobre o fortalecimento e expansão das Casas da Mulher Brasileira. Uma das principais ferramentas para proteger mulheres vítimas de violência, ela é destinada a oferecer atendimento integral e humanizado a todas as cidadãs. O local oferece serviços especializados para os mais diversos tipos de violência, entre eles triagem, apoio psicossocial, promoção de autonomia econômica, cuidado das crianças – brinquedoteca, alojamento de passagem e central de transportes. Também é possível contar com serviços de delegacia, juizado, Ministério Público e Defensoria Pública.
Os espaços compõem um dos eixos do Programa Mulher Viver sem Violência e foi retomado em março de 2023 pelo Governo Federal.
Atualmente, há 10 Casas em funcionamento no país, localizadas em Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Boa Vista (RR), Ceilândia (DF), São Luís (MA), Salvador (BA), Teresina (PI) e Ananindeua (PA)
Recentemente, foi assinado repasse de R$ 19 milhões para construção de uma unidade em Maceió (AL) e inaugurado o Primeiro Centro de Referência da Mulher Brasileira da Região Norte, em Cruzeiro do Sul (AC).
Em 2024, o ministério investiu mais de R$ 389 milhões em ações de enfrentamento à violência contra as mulheres. R$ 330 milhões foram aplicados para ampliação e fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira, R$ 19 milhões para equipamentos em Centros de Referência da Mulher Brasileira, outros R$ 11 milhões para veículos e R$ 16,8 milhões para o fortalecimento do Ligue 180.
Segundo a ministra, existem 37 Casas da Mulher Brasileira em processo de licitação ou construção. Estão previstas as inaugurações de cinco Casas neste ano e entre sete e nove Casas em 2026.
“Ela (Casa da Mulher Brasileira) é exatamente para evitar a Via Crucis da mulher. Vai em uma delegacia, depois tem que ir no IML, tem que passar por todos os serviços, isso demora quase dez, 15 dias. A Casa da Mulher Brasileira é todos os serviços num mesmo espaço físico para atender essa mulher. Então o papel é fazer a integração e a humanização do atendimento. Inova o fato de você, por exemplo, ter os Juizados de violência contra as mulheres e a medida protetiva, que deveria, e está prevista até 48 horas, pode sair em duas, três horas, porque estão ali, dependendo da gravidade e análise do risco da mulher”, explicou a ministra
Segundo Cida, no país existem mais de 400 mil medidas protetivas para proteger mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Para ela, esse dado revela que é necessário que todos confiem nos sistemas de proteção e que as mulheres se sintam encorajadas a buscar atendimento.
“A medida protetiva salva, ir na delegacia salva, fazer a denúncia salva. As mulheres que estão morrendo, a grande maioria são aquelas que nunca fizeram uma denúncia. Então, acreditem na medida protetiva, acreditem na denúncia e acreditem no Governo Federal”, afirmou a ministra.
Com informações da Agência Gov.
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