Procuradora-Geral da Capital confirma pagamentos em dia e possibilidade de recorrer da Justiça

A Santa Casa da
Capital aponta déficit
milionário e prefeitura
garante pagamento - Foto: Nilson Figueiredo
A Santa Casa da Capital aponta déficit milionário e prefeitura garante pagamento - Foto: Nilson Figueiredo

Santa Casa confirma que mais de 70 pacientes correm risco de vida e solicita repasse de R$ 40 milhões

 

Por falta de insumos, mais de 70 pacientes correm risco de vida na Santa Casa, e um boletim de ocorrência de preservação de direito foi registrado pela diretoria e médicos da unidade hospitalar. A defasagem nos recursos financeiros, que deveriam ser repassados pelo município, é apontada como o pivô da crise. Devido à grave situação, a Santa Casa entrou com um pedido de liminar solicitando o repasse de mais de R$40 milhões. No entanto, a Procuradoria-Geral de Campo Grande alega que avaliará recorrer da decisão.

Para o jornal O Estado, a Procuradora-Geral do Município, Cecília Riskallah, afirma que os repasses feitos ao hospital estão de acordo com o convênio firmado entre ambos.

“De acordo com as informações prestadas pela SESAU (Secretaria Municipal de Saúde), os repasses do município à Santa Casa estão em dia e em conformidade com o convênio firmado entre as partes. No que tange à intimação em referência, informamos que o município não foi citado até o momento. Assim que citado, o município encaminhará à procuradoria especializada, que avaliará a viabilidade de recorrer da decisão”, resume.

Por outro lado, segundo o boletim registrado na última terça-feira (25) por dois médicos e pelo diretor de finanças da unidade, há 70 pacientes em situação iminente de morte ou com indícios de sequelas devido à espera por cirurgias que não ocorreram por falta de insumos e próteses. “Além destes 70 pacientes que estão na listagem, outros se acrescentarão porque acidentes ocorrem a todo momento e chegam na unidade, que fechou a porta da ortopedia hoje cedo. Colapsou. Não dá mais”, disse o chefe da ortopedia, de acordo com o documento.

Ainda conforme o boletim, além da ortopedia, outras especialidades sofrem com a escassez pelo mesmo motivo. Com a finalidade de sanar a crise emergencial, o diretor de Finanças Adjunto do hospital informou que uma medida cível foi aberta com a finalidade de bloquear valores do município.

O motivo da falta de insumos, segundo a unidade, está relacionado ao repasse realizado pelo Gestor Pleno da Saúde, ou seja, o município. A Santa Casa da Capital alega que, desde fevereiro, há desabastecimento em diversas áreas do hospital devido ao repasse realizado com valor desajustado pelo Executivo municipal desde o ano passado.

Enfermeiros planejam manifestação

Além da crise financeira, a sobrecarga no hospital tem afetado a saúde mental dos funcionários, fato que também motivou o registro do B.O. “Toda semana ocorrem reuniões, mas, na prática, para aqueles que estão na linha de frente, que atendem os pacientes ou que deverão informar aos familiares sobre a não realização dos procedimentos urgentes e até sobre óbitos que poderão ocorrer, são as pessoas dos comunicantes – e, por ato de desespero, procuram esta unidade para registrar o presente B.O. e informar o que está ocorrendo.”

O SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores nas Áreas de Enfermagem) afirma que, devido às condições precárias de trabalho, os enfermeiros da Santa Casa organizam um protesto que será realizado nos próximos dias.

“É uma situação muito crítica e isso recai tudo para a enfermagem. Infelizmente, os funcionários não têm o poder de fazer o material aparecer do dia para a noite. Faltam materiais de higiene, faltam materiais cirúrgicos. Existe a grande possibilidade de realizarmos uma manifestação. Não tem como trabalharmos nessas condições e esquecermos da nossa responsabilidade profissional”, relata o presidente do sindicato, Lázaro Santana.

 

Por Ana Cavalcante

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