Durante coletiva, prefeita afirmou que acesso às informações internas das empresas será fundamental para identificar problemas financeiros e operacionais que afetam a qualidade do serviço em Campo Grande
Durante coletiva realizada nesta terça-feira (16), no Paço Municipal, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a intervenção no Consórcio Guaicurus busca garantir acesso às informações internas das empresas para identificar as causas dos problemas no transporte coletivo e promover as mudanças necessárias no sistema.
Segundo a chefe do Executivo, a medida foi adotada após uma série de levantamentos técnicos, recomendações do poder público e discussões realizadas durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte, conduzida pela Câmara Municipal em 2025.
“Tivemos uma recomendação do poder público. Campo Grande, no ano de 2025, passou por uma CPI da Câmara Municipal e, juntando todas as informações e os fatos diante de uma comissão técnica que trabalhou seis meses, chegamos a essa decisão de hoje”, afirmou Adriane.
A prefeita destacou que esta é a primeira vez que o município intervém diretamente na operação do transporte coletivo, diante da avaliação de que os serviços oferecidos não estão atendendo adequadamente às necessidades dos usuários.
A intervenção foi oficializada por meio de publicação no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) e terá duração inicial de até 180 dias. O advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira foi nomeado interventor e ficará responsável pela condução dos trabalhos.
“Agora, com a intervenção, passamos a ter acesso às informações de dentro das empresas do Consórcio Guaicurus para que, ao final desse processo, possamos reunir dados que subsidiem a tomada de decisão para uma mudança necessária no transporte da Capital”, explicou.
De acordo com Adriane Lopes, a operação do transporte coletivo continuará normalmente durante o período de intervenção, sem demissões dos funcionários vinculados ao consórcio. Neste momento, o foco será analisar a situação financeira e operacional do sistema para identificar os fatores que contribuem para a falta de investimentos e a baixa qualidade dos serviços.
A prefeita afirmou ainda que a intervenção ocorreu de forma pacífica, com uma equipe técnica assumindo temporariamente as funções da diretoria da concessionária. Entre os pontos que serão avaliados estão as reivindicações do consórcio por novos aportes financeiros do poder público e o cumprimento das obrigações contratuais, como a renovação da frota.
“Hoje, a empresa cobra que o poder público municipal aporte mais recursos, mas, quando o poder público cobra mudanças, como a substituição dos ônibus, são mais de 235 coletivos que precisam ser trocados , não há uma contrapartida da empresa. Essa intervenção acontece para promover uma mudança real no transporte da Capital”, concluiu.
Por meio de nota, o Consórcio Guaicurus informou que recebeu com respeito a decisão de intervenção e que irá analisar o decreto publicado pela Prefeitura. Confira a íntegra do posicionamento:
“O Consórcio Guaicurus e as empresas que o compõem — Viação Cidade Morena Ltda., Viação São Francisco Ltda., Jaguar Transportes Urbanos Ltda. e Viação Campo Grande Ltda. — vêm a público comunicar que tomaram ciência, nesta data, do Decreto Municipal nº 16.658, de 16 de junho de 2026, que determinou a intervenção no Contrato de Concessão nº 330/2012, relativo ao Serviço Municipal de Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande/MS.
O Consórcio recebeu o ato com o respeito devido às instituições e encontra-se, neste momento, analisando integralmente o teor do decreto, seu alcance e as medidas nele impostas, a fim de compreender, em sua totalidade, os efeitos jurídicos, operacionais e administrativos da determinação.
Concluída essa análise, o Consórcio Guaicurus emitirá nova nota, de caráter específico, apresentando sua posição institucional sobre o tema.
O Consórcio reafirma seu compromisso com a prestação do serviço de transporte coletivo à população de Campo Grande e adotará todas as providências cabíveis em defesa de seus direitos, na forma da legislação aplicável”.
Perfil dos interventores do transporte coletivo em Campo Grande
A equipe nomeada para a intervenção no sistema de transporte coletivo de Campo Grande reúne profissionais com atuação nas áreas jurídica, econômica, regulatória e de infraestrutura, segundo informações da Prefeitura.
Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira (Interventor Geral) é advogado com mais de 20 anos de experiência em Direito Empresarial, Regulação e Direito Administrativo. Atuou entre 2015 e 2025 como diretor-presidente da ARSEC (Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos Delegados de Cuiabá), onde acumulou experiência em intervenções administrativas e fiscalização de serviços concedidos.
Rodolfo Bahiense Fernandes (Interventor Administrativo-Financeiro) é economista com mais de 25 anos de atuação em concessões públicas de transporte e finanças corporativas. Foi diretor executivo da Rio Terminais e integrou conselhos de administração do VLT Rio (Veículo Leve sobre Trilhos do Rio de Janeiro) e das Barcas. Atualmente, é conselheiro consultivo do Grupo Redentor, no Rio de Janeiro.
Robson Tadeu Pereira (Interventor Operacional) é advogado com cerca de 30 anos de experiência nas áreas jurídica, regulatória e de gestão contratual. Nos últimos 16 anos, atuou em contratos de concessão e PPPs (Parcerias Público-Privadas), além de ter sido consultor jurídico no setor de infraestrutura e coordenador da equipe da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) no Verificador Independente da ARSAL (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas).
Alexandre Souza Moreira (Interventor Jurídico) é advogado com mais de 15 anos de atuação na área cível, com foco em atividades contenciosas e consultivas. Possui experiência em direito contratual e gestão de litígios complexos, com atuação
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