MS soma 172 registros de estupro; 25% somente na primeira semana de janeiro

Foto: imagem ilustrativa
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Casos recentes envolvem vítimas dentro de casa, com abusos praticados por parentes

 

Entre janeiro e o início de fevereiro deste ano, 172 pessoas foram vítimas de estupro em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de MS). Ainda segundo os apontamentos da pasta, deste total, 25% dos casos se concentraram na primeira semana de janeiro, com 43 registros entre o dia 1º e 9 do primeiro mês do ano.

Já os números de fevereiro mostram uma queda no número de vítimas, se com parado ao mesmo período de tempo. Entre os dias 1º e 9 deste mês, a Sejusp registrou 26 casos, o que representa uma queda de 39% no índice de pessoas que foram alvos deste crime, embora o total de vítimas até o final de fevereiro possa ultrapassar os registros do mês anterior.

Entre os casos de abuso sexual registrados este mês em MS, está o de uma adolescente de 14 anos, que denunciou o tio, de 24 anos, após ele tentar apalpá-la. O crime aconteceu em Dourados, na Reserva Indígena Bororó, durante o sábado (7).

Segundo o boletim de ocorrência, a polícia foi chamada pela liderança da aldeia para atender o ocorrido, após a vítima pedir ajuda à mãe, porque o tio, que havia chegado na casa da família com sinais de embriaguez, estava tentando apalpá-la. O crime foi registrado como estupro tentado e o homem recebeu voz de prisão.

Comportamento recorrente

Em relato à polícia, que foi feito na presença da mãe, a menina destacou que esta não foi a primeira vez que o tio tentava agarrá-la, sendo que o comportamento abusivo do homem era recorrente, embora não tenha registrado nenhum boletim anteriormente.

Aos policiais, ela contou que o tio já havia, inclusive, tentado invadir o banheiro onde ela tomava banho, no final do ano passado, quando estava sozinha na residência. A entrada dele no local foi impedida pela própria vítima. Além disso, o acusado sempre tentava agarrá-la e a olhava de forma invasiva quando estava bêbado, chegando a ameaçá-la de morte caso o denunciasse para alguém.

Após o registro do boletim, a vítima solicitou uma medida protetiva de urgência para impedir que o acusado se aproxime dela. A vítima foi informada de que o pedido seria enviado à Justiça no prazo de 48 horas e, se concedido, ela seria informada por um Oficial de Justiça.

Estupro em Campo Grande

Outro caso registrado em fevereiro aconteceu em Campo Grande, no domingo (9). De acordo com o boletim de ocorrência, uma mulher de 32 anos estaria sendo abu sada sexualmente pelo próprio pai.

O caso está em investigação e ainda não se sabe o que teria acontecido de fato, uma vez que a vítima caiu em contradição durante o depoimento policial, já que, em um primeiro momento, a mulher teria falado que o pai manteve relações sexuais com ela de forma forçada, mas, depois, quando questionada se chegou a pedir socorro, afirmou que a relação teria sido consensual. A mulher ainda disse que não foi a primeira vez, mas acionou a polícia, porque não queria mais estar naquela situação, alegando estar disposta a fazer exames periciais que confirmam o ocorrido.

Por sua vez, o acusado, de 49 anos, negou todas as acusações e afirmou que também faria os exames necessários para desmentir a versão da filha. Ambos foram encaminhados para a DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que está investigando o caso.

3º feminicídio no Estado

Na noite de domingo (8), Mato Grosso do Sul registrou o 3º feminicídio de 2026, vitimando Janete Feles Valoes, de 45 anos, morta com um golpe de faca no peito. O caso aconteceu no Assentamento São Joaquim, na área rural de Selvíria, cidade a 400 quilômetros de Campo Grande, sendo que o principal sus peito é o esposo da vítima, Alípio Drum Alves, de 63 anos, preso em flagrante.

De acordo com o registro policial, o filho do casal relatou que, por volta das 20h40 do dia do crime, recebeu um telefonema do pai no qual o suspeito disse que a mulher “tinha feito uma besteira”. Quando chegou ao local do crime, o filho viu a mãe sentada numa cadeira com a faca cravada no peito e, para tentar salvar a vida da vítima, a colocou no carro e dirigiu até um posto da concessionária de rodovias Way, onde pediu ajuda. No momento da chegada ao local, Janete já estava morta.

Após a chegada da Polícia Civil e da Perícia, foi realizada uma busca pelo suspeito, que foi encontrado já na madrugada de segunda-feira (9). Ele foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Três Lagoas, mas negou as acusações, afirmando que a mulher estaria em surto.

Casa da Mulher Brasileira tem média 1,3 mil atendimentos mês

Consolidada como referência nacional, a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande completa 11 anos em 2026. Primeira unidade do país, a instituição registrou redução de cerca de 50% nos casos de feminicídio em 2025, em contraste com o aumento observado no cenário nacional.

Somente no ano passado, aproximadamente 16 mil mulheres buscaram atendimento na Casa, que funciona 24 horas e integra Delegacia Especializada, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Patrulha Maria da Penha e serviços psicossociais, além de abrigo temporário, alimentação e acompanhamento para autonomia financeira.

Durante evento de comemoração do marco histórico realizado ontem (9), representando a prefeita Adriane Lopes, a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social, Camila Nascimento, ressaltou que a Casa da Mulher Brasileira vai além dasestatísticas. “Cada atendimento realizado aqui alcança não apenas uma mulher, mas toda a sua família. Quando uma vida é destruída pela violência, várias outras também são impactadas. Por isso, o compromisso desta Casa não é apenas oferecer um serviço, mas garantir acolhimento, dignidade e proteção”.

Por sua vez, a coordenadora municipal da unidade, Ia cita Azamor Pionti, destacou que o diferencial da Casa está no acolhimento aliado à proteção efetiva: “Atendemos em média 1.300 mulheres por mês, cada uma com uma história de dor, muitas vezes acompanhadas de seus filhos. Aqui, elas encontram cuidado e fortalecimento para romper o ciclo da violência”.

O investimento em tecnologia também contribuiu para a redução da violência. O aplicativo Proteja Mais Mulher permite que mulheres em situação de risco acionem ajuda de forma discreta, com georreferenciamento e gravação de áudio em tempo real, com resposta em menos de cinco minutos.

Entre 2015 e 2025, a Casa registrou mais de 2 milhões de atendimentos e encaminhamentos, refletindo a complexidade e a continuidade do cuidado oferecido. Atualmente, passa por reformas para garantir mais conforto, segurança e eficiência.

 

Por Ana Clara Julião

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