Moradores da região do Tiradentes relatam quedas frequentes de energia durante temporais

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Moradores de bairros da região do Tiradentes, em Campo Grande, relatam enfrentar quedas frequentes de energia elétrica sempre que há chuva forte e ventania. O problema voltou a ser percebido no fim de semana, quando um temporal atingiu a Capital na noite de sábado (4), e se estendeu até a madrugada de domingo (5), provocando oscilações e interrupções no fornecimento em diferentes pontos da cidade.

Entre os bairros com relatos de instabilidade estão o Jardim Itatiaia, região situada entre a Lagoa e a Avenida Três Barras, o Jardim São Lourenço e o Conjunto Arnaldo Estevão de Figueiredo. Nas últimas 48 horas, Campo Grande registrou 40 milímetros de chuva acumulada, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).

Para os moradores, a situação se tornou previsível. Quando o tempo começa a virar, a preocupação com a falta de energia passa a fazer parte da rotina. A aposentada Márcia de Góes, de 63 anos, moradora do Tiradentes, afirma que a queda de energia costuma ocorrer em dias de temporal e que a instabilidade já é conhecida entre os vizinhos.

“Quando dá temporal aqui na cidade, é recorrente. A energia oscila, a internet cai e sempre dá algum problema. A gente fica com medo de queimar aparelho, então, quando o vento está muito forte, eu tiro tudo da tomada”, relata.

Segundo ela, além da chuva e da ventania, caminhões altos e galhos próximos à rede também podem agravar a situação em alguns pontos do bairro.

Na Rua Francisco Lopes da Silva, também na região do Tiradentes, a dona de casa Maria Rodrigues, de 63 anos, conta que os transtornos já causaram prejuízos dentro de casa, incluindo a queima de eletrodomésticos e a perda de alimentos.

“Só dá temporal e já falta luz. Às vezes vai até de noite, e a gente já espera. Já queimou minha geladeira e eu tive que comprar outra, mesmo sem ter condições. Também perdi comida e tive que jogar tudo fora”, afirma.

Maria relata que a demora no restabelecimento do fornecimento aumenta ainda mais a insegurança, principalmente dentro de casa. “Choveu, já tem que acender vela. É direto”, resume.

No Conjunto Arnaldo Estevão de Figueiredo, a esteticista e cabeleireira Eloisa Pereira, de 61 anos, também relata problemas recorrentes. Moradora da Rua dos Previdenciários, ela afirma que a rede da região apresenta muitos fios antigos e que já presenciou até faíscas em um poste próximo à residência.

“Quando chove ou venta forte, a gente já espera que a energia vai cair. Às vezes falta, às vezes oscila, e isso acaba trazendo prejuízo. Se a gente não corre atrás, acaba perdendo aparelho e ficando no prejuízo”.

Mais do que a interrupção no fornecimento, os relatos revelam um sentimento de apreensão constante entre os moradores. Em comum, eles afirmam que o medo começa antes mesmo da chuva cair, diante da possibilidade de novos apagões, prejuízos materiais e dificuldades dentro de casa.

Em nota a energisa informou que “o temporal que atingiu Campo Grande no último fim de semana, casou danos como queda de árvores e galhos arremessados pelo vento contra a rede elétrica. Apesar dos impactos, nenhum bairro teve o fornecimento de energia interrompido por completo. As áreas afetadas foram atendidas de forma pontual por equipes da concessionária de energia, Corpo de Bombeiros e Agetran. Em regiões onde houve queda de árvore sobre a rede elétrica, postes precisaram ser substituídos. Mesmo durante o serviço, a distribuidora realizou manobras no sistema elétrico para isolar os trechos e garantir a continuidade do fornecimento de energia para os clientes”.

Renovação das concessões de energia

O Ministério de Minas e Energia convocou 14 distribuidoras para assinarem a renovação de suas concessões de energia elétrica, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (6). As empresas têm até 60 dias para formalizar os novos contratos.

Entre as contempladas está a Energisa Mato Grosso do Sul, além de outras concessionárias em diferentes regiões do país.

Ficaram fora da lista as distribuidoras da Enel em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. No caso paulista, a Agência Nacional de Energia Elétrica ainda analisa um Termo de Intimação. Já as concessões do Rio e do Ceará, apesar de recomendadas pela reguladora, aguardam decisão final do ministério.

O despacho também determina que a ANEEL disponibilize os termos aditivos às empresas. A renovação faz parte do processo nacional de atualização das concessões, com novas exigências de desempenho e qualidade na prestação do serviço.

Por Geane Beserra

 

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