Laboratório da UFMS é berço de possíveis revoluções para o futuro da Medicina

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

De estudos para aprimorar quimioterapias ao combate de superbactérias, alunos se dedicam a pesquisas inovadoras

Recentemente, o grupo de pesquisa do curso de Química da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) ficou conhecido após a divulgação do estudo que usa nanotecnologia no aperfeiçoamento da quimioterapia. No entanto, o laboratório é formado por mais pesquisadores, tanto alunos de Química quanto da área da saúde, como Farmácia e Biomedicina, que também desempenham papel fundamental em outras análises que podem revolucionar a medicina nos próximos anos.

A reportagem do jornal O Estado esteve no laboratório onde as pesquisas estão sendo desenvolvidas para conhecer um pouco mais da rotina de estudantes da graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) que veem na pesquisa um futuro não apenas para uma carreira individual, mas também, para o aperfeiçoamento dos tratamentos medicinais.

Entre os estudos está o de Luana da Silva Oliveira que, motivada por uma luta pessoal por ver o sofrimento da própria mãe que contraiu uma bactéria que não consegue ser combatida com antibióticos comuns, a mestranda de Biomedicina da instituição, estuda modificações em medicamentos para que sejam capazes de acabar com infecções super-resistentes.

“A minha mãe tem uma ferida que foi contaminada por uma bactéria ultrarresistente e já passou por vários tratamentos com ciclos de antibióticos comerciais, mas nada conseguiu conter a bactéria. Então, na época que eu comecei a desenvolver a pesquisa, o professor trouxe essa proposta”, detalhou.

De acordo com ela o estudo parte de fármacos já existentes, os quais passam por manipulações seguras dos componentes para aumentar o potencial de ação, criando um novo tipo de ação para a qual as superbactérias não estejam adaptadas.

“Nessa síntese, vamos ter o fármaco original, mas vamos avaliar uma nova atividade, já que é conhecido que alguns microrganismos são resistentes aos antibióticos por já estarem adaptados. Então, a ideia é formular novos antibióticos para poder ter uma gama maior de medicações para ser utilizado”, explicou.

A mestranda, que está desenvolvendo a pesquisa há 2 anos, ainda destacou que os possíveis novos antibióticos futuramente podem ser relacionados com o uso da nanotecnologia para liberação de medicamento no organismo, que está sendo estudada pela doutora Kristiane Fanti de Alpino. Neste caso, a medicação da quimioterapia seria trocada pelos antibióticos, fazendo com que o fármaco tenha mais efetividade no combate de superbactérias.
“Ele também pode ter esse controle na liberação, o que seria um fator interessante, com uma liberação mais concentrada que não vai trazer nenhum dano ao paciente”, detalhou.

Foto: Roberta Martins

Intercâmbio de ideias

Os projetos de pesquisas e programas de pós-graduação da UFMS permitem, em alguns casos, a internacionalização e intercâmbio de alunos para que possam fazer mestrado ou doutorado sanduíche. Ou seja, com uma parte da pesquisa desenvolvida no Brasil e outra parte durante uma certa temporada em algum país estrangeiro.

No entanto, também é possível que a instituição receba alunos de outras nacionalidades para que possam contribuir com seus conhecimentos para os estudos desenvolvidos no Brasil, com troca de conhecimento e experiências culturais.

Este é o caso do doutor Vasilii Khripun, que é da Rússia e está em Mato Grosso do Sul após uma temporada na USP (Universidade de São Paulo). Em sua pesquisa, ele estuda catalisadores biomédicos, para que se tenha em laboratório uma imitação das enzimas da natureza. “É importante para nós não apenas como humanos, mas para nos servir como sociedade, porque é um catalisador e dá para fazer várias avaliações diferentes”, disse.

Incentivos

A pesquisa sobre nanotecnologia para quimioterapia desenvolvida na instituição tem o apoio do governo estadual, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), no entanto, os alunos da graduação e pós-graduação destacam a importância de se ter cada vez mais incentivos para que este tipo de estudos possam sair do papel.

“Quase todos aqui são bolsistas e é muito importante ter cada vez mais incentivos, porque só assim conseguiremos desenvolver as pesquisas”, disse a graduanda em Química Ana Beatriz Calestini, que foi acompanhada pelos alunos Sabrina Epifânio e Diego Maurio.

Aulas e ensino

Para além das pesquisas que buscam soluções para o campo da saúde, o curso de Química ainda desenvolve estudos para que o ensino das disciplinas durante a graduação seja mais efetivo, bem como para que os conteúdos ensinados na Educação Básica cheguem aos alunos da melhor forma possível.

A professora responsável pelo setor de ensino, Adriana da Silva Posso, explica que o objetivo é desenvolver materiais para que os alunos da graduação possam trabalhar com as disciplinas para além dos livros e apostilas. Para isso, algumas peças que representam moléculas e estruturas são impressas em 3D e distribuídas durante as aulas para que os alunos possam manipular, montar, desmontar e entender como as estruturas químicas funcionam na prática e, assim, tenham mais condições de integrar grupos de pesquisas nos laboratórios.
“Quando desenvolvemos outros materiais que são complementares, permite que os estudantes possam manipular esses materiais e não fiquem trabalhando só no material, por exemplo, que está no livro ou que é projetado.”, disse.

Coordenando os estudos de ensino desde 2025, a professora destaca que a estratégia adotada de mostrar a química para além das teorias dos livros tem ajudado os alunos a compreenderem melhor os conceitos, os preparando tanto para as pesquisas quanto para entrarem em salas do ensino básico sendo capazes de ensinar crianças e adolescentes sobre os estudos de química.

“É uma ciência que, de modo geral, os estudantes têm bastante dificuldade, muitos estudantes acabam desistindo ou tendo muitas reprovações por conta de não compreender os conceitos, por não conseguir proteger isso no mundo, então, projetar esses materiais ajuda bastante do ensino e no curso de licenciatura em Química”, afirmou.

 

Ana Clara Julião

 

 

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