Furtos caem na Capital, mas insegurança dispara a venda de sistemas de vigilância

No Universitário, a
população adotou as
câmeras para tentar
frear os crimes de roubo - Foto: Nilson Figueiredo
No Universitário, a população adotou as câmeras para tentar frear os crimes de roubo - Foto: Nilson Figueiredo

Com queda de 32,7% em janeiro, especialistas dão dicas contra “crimes de oportunidade”

 

Os índices de roubos e furtos em Campo Grande apresentaram uma queda nos dois primeiros meses do ano, se comparado ao mesmo período de 2025. No entanto, apesar da diminuição das ocorrências, a população tem buscado cada vez mais por serviços de segurança e monitoramento, seja residencial, para estabelecimento comercial e empresas ou, até mesmo para obras, que sofrem com furtos recorrentes, especialmente de materiais de construção.

Dados consolidados do ano passado mostram que, em Campo Grande, a Polícia Civil registrou 1.580 roubos e mais de 15 mil furtos. No entanto, se comparar os dois primeiros meses de 2025 com os de 2026, é possível observar uma queda nos índices nos registros destes dois tipos de crimes.

De acordo com a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), em janeiro de 2025, os moradores da Capital sofreram 165 roubos e, no mesmo período deste ano, este número foi de 111 ocorrências.

Já na prática de furto, os números diminuíram 20,6% desde o ano passado para cá. Em janeiro de 2025, foram registrados 1.477 furtos e, neste ano, a base de dados da Sejusp mostra que foram 1.172 ocorrências. O segundo mês do ano passado somou 1.224 crimes e, em 19 dias, fevereiro deste ano já conta com 426 boletins por crimes de furto.

O delegado e ouvidor-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Wellington de Oliveira, explica que o número de furtos, de forma geral, costuma ser maior que os de roubo, porque configura um crime de oportunidade. Ou seja, o criminoso pode aproveitar a falta de vigilância ou de movimentação no local para praticar o crime.

“O número de furtos costuma ser maior que o de roubo, porque se trata de um crime de oportunidade e ocorre sem o contato direto com a vítima. Ocorre principalmente em locais com menor vigilância e, normalmente, este criminoso está motivado e isso facilita a ação e a falta de contato reduz a chance de reação por parte da vítima”, detalha.

O especialista em segurança pública recomenda que para evitar episódios de crimes em residências, estabelecimentos comerciais e outros lugares, os responsáveis adotem uma iluminação adequada, monitoramento por câmeras e procedimentos padronizados para abertura e fechamento dos locais. Para obras em andamento, Oliveira sugere que medidas como controle de entrada de pessoas e veículos e inventário de materiais sejam adotadas como forma de diminuir os riscos.

AUMENTO NA PROCURA POR CÂMERAS

Assim como recomendado pelo especialista, a implantação de sistemas de monitoramento e segurança, como câmeras e cercas elétricas tem aumentado em Campo Grande, prova disso é que a procura por esse tipo de serviço aumentou de 40% a 70% na Capital.

Dona de uma empresa de alarmes e monitoramento, Thayna Avellar, relata que em seu estabelecimento houve o aumento considerável na procura pelos serviços oferecidos, como alarmes, câmeras e concertinas.

“Hoje 70% dos nossos clientes são residências, mas também atendemos comércios e obras. A demanda aumentou bastante no último ano, percebemos isso pela procura por cercas elétricas, concertinas, câmeras de segurança e alarmes”, afirmou.

O aumento também foi percebido na empresa de venda e instalação de câmeras. Alexandre Hoffmann Boretti, proprietário de uma empresa que presta este serviço, afirmou que muitos clientes estão procurando por monitoramento especialmente pela insegurança que está crescente nos bairros.

“Aqui tivemos um aumento de 50%, principalmente pela insegurança que as pessoas estão sentindo até mesmo para residências. Tenho clientes em bairros como o São Bento e Itanhangá, onde também relatam não ter muita segurança”, afirmou.

Histórico de insegurança no Universitário

A reportagem do jornal O Estado recebeu relatos que evidenciam o aumento de crimes nos bairros de Campo Grande. No Universitário, por exemplo, diversas casas, comércios e obras já foram alvos de assaltantes. Na Avenida Pontalina, comerciantes estão sendo vítimas frequentes de roubos violentos em seus estabelecimentos e os crimes são registrados desde o ano passado.

Proprietária de uma loja de roupas infantis. Jhennyfer Bertelli, de 31 anos, relata que em seu comércio não houve crimes, mas, a loja ao lado, pertencente à sua cunhada, sofreu com assalto três vezes, o que deixou um prejuízo de mais de R$ 10 mil. A empresária ainda destaca que na mesma semana do ocorrido, mais três lojas foram furtadas nas redondezas.

“Houve vários roubos e furtos, mas teve uma vez que quebraram o vidro, mesmo tendo câmeras e alarme. Tivemos prejuízo com calças jeans e com o vidro, que só para arrumar ficou em R$ 3 mil”, conta.

A proprietária explica que os recorrentes assaltos também já levaram ao fechamento de lojas na mesma avenida, uma vez que o prejuízo gerado é grande e a falta de segurança é algo constante na região, por onde andam muitas pessoas em situação de rua.

“Na mesma semana que entraram aqui, também invadiram a loja do meu cunhado, que vendia cosméticos. Depois disso, ele vendeu o ponto. Uma outra loja também foi assaltada e a pessoas vendeu o ponto”, pontou, destacando que a galeria onde as lojas da família ficam já foram assaltadas diversas vezes, mas nenhuma ação efetiva para o reforço da segurança foi tomada.

 

Por Ana Clara Julião

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *