Ramal ferroviário em Inocência terá até 54 km, investimento bilionário e promete reduzir tráfego de caminhões e custos logísticos da celulose
O lançamento da pedra fundamental da ferrovia da Arauco, realizado nesta sexta-feira (6) em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, foi apresentado pelo governo federal como um marco para a reintegração do Estado à malha ferroviária nacional. Durante o evento, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que os novos investimentos em infraestrutura recolocam Mato Grosso do Sul no mapa ferroviário do País após anos de desativação e perda de competitividade.
Segundo o ministro, a obra representa a retomada de um modal estratégico para o desenvolvimento regional. “Mato Grosso do Sul será religado à Malha Nacional. Está desligado desde que a sua mãe deixou de andar de trem”, afirmou Renan Filho, ao lembrar que o transporte ferroviário já fez parte da rotina da população, inclusive em Campo Grande.
O ramal ferroviário ligará a futura fábrica do Projeto Sucuriú, da Arauco, à malha nacional, permitindo o escoamento de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano diretamente por trem até o Porto de Santos. A expectativa é que a ferrovia substitua até 190 viagens diárias de caminhões, reduzindo o tráfego pesado nas rodovias do chamado Vale da Celulose, além de diminuir acidentes e o desgaste da infraestrutura viária.
Para Renan Filho, a ferrovia resolve um gargalo histórico da logística sul-mato-grossense. “A ferrovia não é o problema. A ferrovia é a solução. Ela reduz caminhões nas estradas, diminui conflitos e garante mais segurança para as pessoas”, declarou.
Projeto privado antecipa debate sobre a Malha Oeste
O projeto foi apresentado inicialmente como voltado ao transporte de cargas, mas o ministro afirmou que há planejamento futuro para o transporte de passageiros, condicionado à modernização da rede ferroviária. Segundo ele, a atual estrutura, com bitola estreita e traçados que atravessam áreas urbanas, impede esse tipo de operação. “Só dá para transportar pessoas depois que a gente tem a rede. O próximo passo, depois de revigorar a rede, é trabalhar para que a gente volte a ter transporte de pessoas”, disse.
Além da ferrovia da Arauco, Renan Filho detalhou a escalada de investimentos federais no Estado. Em 2022, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 250 milhões em recursos do Ministério dos Transportes. O volume subiu para R$ 600 milhões em 2023, R$ 750 milhões em 2024 e deve alcançar R$ 850 milhões em 2025. Somam-se a isso cerca de R$ 20 bilhões em investimentos privados previstos em concessões das BR-262, BR-267, BR-163 e de uma rodovia estadual.
Durante a cerimônia, o ministro também confirmou que a relicitação da Malha Oeste está prevista para ocorrer ainda neste ano, com rebitolagem do trecho entre Campo Grande e São Paulo. “Isso reintegra Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional”, afirmou.
Para o diretor-presidente da Arauco no Brasil, Carlos Altimiras, a ferrovia é parte central do empreendimento industrial. “A ferrovia não é um complemento do projeto. Ela é um dos seus principais pilares estruturantes”, afirmou, ao destacar que a shortline representa um marco dentro do novo modelo ferroviário brasileiro baseado em autorizações.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, ressaltou os ganhos econômicos e ambientais da iniciativa. “Ferrovia significa economicidade, menor emissão de CO₂ e redução do custo do frete, fazendo com que o produto de Mato Grosso do Sul seja mais competitivo no mundo”, disse.
O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo dos Santos, afirmou que o empreendimento simboliza uma mudança histórica para o município. “Por muito tempo o desenvolvimento passou por nós, agora ele começa por aqui”, declarou.
A ferrovia integra o Projeto Sucuriú, que prevê a construção da maior fábrica de celulose de linha única do mundo, com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões). A planta industrial deve iniciar operações no final de 2027, com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano. Durante as obras, a expectativa é de até 14 mil trabalhadores, além de cerca de 6 mil empregos fixos diretos e indiretos após o início da operação.
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram