Espera por socorro expõe desafios no atendimento de emergência na Capital

Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

A demora no atendimento de ocorrências de urgência e emergência em Campo Grande tem gerado reclamações de moradores e levantado questionamentos sobre a estrutura disponível para resgates na Capital. Denúncias encaminhadas ao Jornal O Estado relatam situações em que vítimas de acidentes aguardaram por horas até a chegada de ambulâncias e equipes de socorro.

Um dos casos mais recentes aconteceu no fim da tarde da última terça-feira (19), quando um motociclista de aplicativo ficou ferido após se envolver em acidente enquanto transportava uma passageira.

Segundo informações enviadas à reportagem, a primeira equipe de socorro que chegou ao local realizou o atendimento da passageira, encaminhada posteriormente para a Santa Casa. O motociclista, porém, permaneceu aguardando outro transporte para receber atendimento médico. Conforme o relato, o resgate demorou mais de duas horas para chegar.

A situação é semelhante a outra denúncia recebida pelo Jornal O Estado em setembro de 2025. Na ocasião, um motociclista ficou cerca de quatro horas esperando atendimento após sofrer um acidente na Avenida Bandeirantes.

Conforme a denúncia, a vítima foi atingida por um carro que fugiu do local sem prestar socorro. O acidente aconteceu por volta das 7h e o atendimento teria chegado somente no fim da manhã.

Anúncio de novas viaturas
Os relatos surgem em meio a anúncios recentes de reforço na estrutura de atendimento de emergência em Campo Grande. Em março de 2025, o Governo Federal anunciou o envio de uma nova Unidade de Suporte Avançado do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para a Capital. Campo Grande foi uma das 559 cidades contempladas com novas ambulâncias pelo Ministério da Saúde.

Pouco mais de um mês depois, em abril, a Prefeitura de Campo Grande entregou outras sete ambulâncias ao Samu, sendo seis unidades de suporte básico e uma de suporte avançado. À época, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que os veículos ampliariam a capacidade operacional do serviço e fortaleceriam a resposta rápida em ocorrências de urgência e emergência.

Já o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul informou, em dezembro de 2025, que passou a operar com sete UR (Unidades de Resgate) em Campo Grande, utilizadas em atendimentos pré-hospitalares. A corporação também mantém em atividade a URSA (Unidade de Resgate e Suporte Avançado), motossocorro e outras viaturas especializadas.

Influência no Tempo-resposta
Mesmo com o reforço da frota, moradores continuam relatando demora nos atendimentos. Procurado pela reportagem, o Corpo de Bombeiros afirmou que diversos fatores podem impactar o tempo-resposta das equipes, principalmente durante o deslocamento das viaturas.

Segundo o major Eduardo Tracz, muitos motoristas ainda têm dificuldade em perceber a aproximação dos veículos de emergência. “Muitas vezes, os condutores estão com vidros fechados, som alto e pouca atenção ao entorno, o que dificulta perceber os sinais sonoros e luminosos das viaturas”, afirmou.

O militar destacou ainda que a abertura de espaço no trânsito é fundamental para agilizar o socorro. “Quando a viatura estiver com sinais luminosos ou sonoros acionados, significa que está em atendimento a uma ocorrência. Nesse momento, cada segundo conta”, disse.

Conforme o major, o tempo-resposta das equipes é considerado eficiente, mas pode ser comprometido pela dificuldade de deslocamento nas vias da cidade. Ele também lembrou que deixar de dar passagem para veículos de emergência é infração gravíssima prevista no CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

A legislação determina prioridade de circulação para ambulâncias, viaturas policiais e veículos de resgate em atendimento de urgência, desde que estejam identificados com sirenes e iluminação acionadas. Nessas situações, os motoristas devem liberar passagem e, se necessário, deslocar o veículo para abrir espaço.

A reportagem também entrou em contato com o Samu para esclarecimentos sobre as denúncias, estrutura disponível para atendimento e tempo médio de resposta das ocorrências na Capital. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Por Ana Clara Julião e Biel Gill

 

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