Interventor aposta em nova fase do transporte coletivo com frota renovada e tecnologia embarcada, mas venda ainda depende de aval
A eventual venda do Consórcio Guaicurus para o grupo goiano HP Mobilidade deverá vir acompanhada de uma ampla renovação da frota de ônibus de Campo Grande. Segundo o interventor-geral do consórcio, Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, a anuência da Prefeitura para a transferência do controle da concessionária estará condicionada a uma série de exigências, entre elas a substituição de cerca de 400 veículos, instalação de ar-condicionado e wi-fi em toda a frota e melhorias na infraestrutura do sistema de transporte coletivo.
Hoje, a frota do Consórcio Guaicurus é composta por cerca de 460 ônibus. Conforme o interventor, a intenção da administração municipal é que praticamente toda a operação passe por renovação, preservando apenas os veículos mais novos, entregues recentemente. “A ideia é que tenha uma frota nova, com uma idade média baixíssima e todos com ar-condicionado e wi-fi. Isso é condição”, afirmou.
Segundo ele, os 71 ônibus incorporados à frota em 2023 poderão ser mantidos, desde que recebam as adaptações necessárias, com a implementação de acesso à internet ao usuário e ar-condicionado.
De acordo com Alexandro, as exigências partiram da prefeita Adriane Lopes e deverão fazer parte das negociações para que o Município autorize a mudança no comando da concessionária. “Ela vai apresentar o que precisa ser feito. Eles sabem que precisam da anuência do município para que o negócio se concretize”, explicou.
O interventor afirmou ainda que a intenção da administração municipal é aproveitar a negociação para cobrar investimentos que, segundo ele, são reivindicados há anos pelos usuários do transporte coletivo. Além da renovação da frota, as exigências incluem a reforma dos terminais e outras melhorias na prestação do serviço.
Nova empresa
Na avaliação de Alexandro Oliveira, a possível entrada de um novo grupo no transporte coletivo representa o cenário mais favorável para Campo Grande. Segundo ele, uma empresa com capacidade de investimento teria condições de acelerar a modernização do sistema sem a necessidade de um longo processo administrativo para substituição da atual concessionária. “Se vier uma empresa com capacidade de investimento, que queira prestar um bom serviço, é o melhor dos cenários”, afirmou.
O interventor disse que, pelas informações que levantou, a HP Mobilidade possui histórico de atuação em outras cidades e estrutura empresarial para realizar investimentos. Ele ressaltou, porém, que a concretização da venda ainda depende de etapas como a aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da anuência da Prefeitura de Campo Grande.
Alexandro também afirmou que a intervenção segue normalmente, independentemente da negociação envolvendo a venda do consórcio. Segundo ele, o trabalho continua voltado à garantia da continuidade do transporte coletivo e ao acompanhamento da situação da empresa até que haja uma definição sobre a mudança no controle da concessionária.
Caso a transferência seja aprovada, caberá ao Município negociar as contrapartidas que deverão ser assumidas pela nova operadora antes da conclusão do negócio.
Por Biel Gill e Laura Brasil
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram