Perder também pode ensinar. Em época de Copa do Mundo, os jogos da seleção brasileira podem servir como oportunidade para que famílias conversem sobre expectativa, emoções, respeito e frustração. A vitória gera euforia, mas a derrota pode vir acompanhada de choro, irritação e tristeza, tornando-se uma chance de aprender a lidar com os próprios sentimentos.
Segundo a psicóloga Maria Celina Ferreira Goedert, docente do curso de Psicologia da Estácio e representante da Psicologia do Esporte na Comissão de Saúde pelo Conselho Regional de Psicologia de MS, o esporte mobiliza emoções não apenas em quem joga, mas também em torcedores e familiares.
“Quando a gente é criança, esse pertencimento acontece de uma forma muito intensa. A criança não só assiste a um jogo, ela faz parte dele”, explica. Ela destaca que a admiração por jogadores e seleções ocupa um espaço importante no imaginário infantil, mas lembra que, diferente de filmes ou desenhos, o esporte é imprevisível e envolve pessoas reais, sujeitas a erros e derrotas. “O esporte é imprevisível. Lidar com essa frustração dentro do futebol pode ajudar a criança a levar esse aprendizado para outras situações da vida”, afirma.
Para Claudio Henrique Pereira Verão, mestre em Ciências do Movimento e coordenador do curso de Educação Física da Estácio, o futebol contribui para a formação de crianças e adolescentes ao apresentar situações presentes também na vida adulta, como lidar com resultados adversos e respeitar o adversário. “O futebol ensina que nem sempre vamos ganhar e que, quando tivermos resultados diferentes do esperado, precisamos respeitar quem venceu”, destaca.
Maria Celina reforça que esse aprendizado depende da mediação dos adultos. Em vez de minimizar a tristeza de uma criança dizendo “é só um jogo”, o ideal é acolher seus sentimentos e ajudá-la a compreendê-los. “Às vezes, a gente acha que crianças e adultos nascem sabendo lidar com vitória e derrota, mas ninguém aprende isso sozinho. É uma construção feita com apoio, convivência e bons exemplos”, pontua.
Ela ainda ressalta que o comportamento dos pais também influencia esse processo. Quando há diálogo e respeito, o futebol pode ensinar valores como resiliência, disciplina, trabalho em equipe e convivência. Assim, em época de Copa, tanto as vitórias quanto as derrotas se transformam em oportunidades de aprendizado que vão muito além dos 90 minutos.
Maria Gabriela Arcanjo
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