Campo Grande soma 210 pontos críticos de descarte irregular e já aplicou mil notificações

Foto: Roberta Martins
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Terreno no Jardim das Hortênsias é apontado como um dos casos mais graves; área pode ser destinada a centro comunitário

O avanço do descarte irregular de lixo em áreas públicas levou Campo Grande a registrar mais de 210 pontos considerados críticos espalhados pela cidade. Segundo a GCM (Guarda Civil Metropolitana), já foram lavrados mil autos de notificação contra responsáveis por despejar resíduos de forma irregular.

Entre os locais que concentram maior volume de lixo está um terreno público no Jardim das Hortênsias, na região do Aero Rancho. A área, que já recebeu intervenções de limpeza em outras ocasiões, voltou a acumular resíduos como móveis velhos, entulho e restos de materiais domésticos.

Foto: Roberta Martins

Durante vistoria realizada no espaço, a prefeita Adriane Lopes (PP) informou que a associação de moradores formalizou pedido para utilizar o terreno na construção de um centro comunitário. Segundo ela, a solicitação passará por análise técnica antes de eventual autorização. “Após a apresentação do protocolo da solicitação, uma comissão irá avaliar o pedido. A partir disso, vamos trabalhar para a cedência da área para que a associação construa o centro comunitário”, afirmou.

A prefeita também mencionou os impactos do descarte irregular no período de chuvas e os reflexos para a saúde pública. “As pessoas têm descartado irregularmente na porta de casa materiais que, com o período de chuvas que estamos vivenciando, podem trazer vários tipos de problemas para a comunidade. Os agentes comunitários de saúde já levaram esse problema à Secretaria de Saúde”, declarou.

Dados da administração municipal indicam que bairros como Aero Rancho, Lageado, Moreninhas, Noroeste e Av. Ernesto Geisel concentram parte significativa das ocorrências.

O secretário da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Marcelo Miglioli, afirmou que o cenário tem se agravado na Capital. “Essa ação é para mostrar que Campo Grande está chegando a uma situação insustentável. Talvez aqui seja um dos pontos mais críticos da cidade, mas é reflexo do que vem acontecendo em diversas regiões. Infelizmente, não é toda a população, mas uma parcela ainda acredita que jogar lixo em ruas, praças e áreas públicas é algo normal, e não é”.

Ele destacou que o município mantém equipes e estrutura permanentes voltadas à retirada de resíduos descartados de forma irregular.

O secretário da Sear (Secretaria Especial de Articulação Regional), Darci Caldo, relatou que o terreno já foi alvo de sucessivas limpezas, mas o problema persiste. “Este é um ponto que já foi limpo várias vezes, mas a situação se repete. Antes, o descarte era feito dentro da área. Nós construímos uma praça, pista de caminhada e quadra de areia, cercamos o espaço, e agora o lixo está sendo jogado na rua”, relatou.

No campo da fiscalização, o secretário da GCM, Anderson Gonzaga, explicou que a operação envolve monitoramento por câmeras e atuação integrada com outras forças de segurança. Segundo ele, o descarte irregular pode ser enquadrado como crime ambiental, com encaminhamento à delegacia em caso de flagrante. “Estamos iniciando uma ação integrada, com participação das secretarias e da segurança pública. Além da limpeza, precisamos do apoio da população para informar e denunciar. Teremos patrulha ambiental, viatura diária e equipe de inteligência atuando de forma reservada para flagrar os responsáveis”, afirmou.

Moradora do bairro há 33 anos, a cozinheira Vilma Eugenio Fidelis, de 58 anos, afirma que o cenário se repete mesmo após as limpezas. “Sempre foi assim. A prefeitura vem, limpa, mas no dia seguinte já começam a jogar lixo de novo. Vêm de carro e despejam de tudo, principalmente sofá”, relatou.

Segundo ela, a área deveria ser utilizada como espaço de convivência e lazer, mas o acúmulo de resíduos impede o uso. “Foi feita uma quadra de areia, mas não tem como usar. O mau cheiro é muito forte. Eu faço caminhada, mas preciso ir até o parque, porque aqui é impossível. Era para ser uma área de lazer”, disse.

Com informações da Repórter Geane Beserra

 

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