“As críticas respondemos com trabalho”, diz Marcelo Miglioli sobre o novo modelo de pavimentação

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

Com 70% da malha asfáltica vencida, Capital adota sistema de manutenção contínua por regiões para dar agilidade e evitar “remendos”

Campo Grande se prepara para dar início a um programa de infraestrutura que promete mudar a dinâmica de manutenção das ruas da Capital. Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado, Marcelo Miglioli, titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), revelou que a Prefeitura está na fase final de assinatura de contratos para um projeto de recapeamento estruturado em pilares inéditos: a regionalização e a continuidade.

De acordo com o titular da Sisep, os processos licitatórios já foram homologados e a expectativa é que os documentos sejam assinados até o final de abril. O plano divide a cidade em sete regiões, cada uma com um contrato específico.

“Toda a malha asfáltica será coberta. A grande novidade é que não faremos mais licitação por rua individual, o que dava uma morosidade enorme ao processo. Agora, o objeto é a região, dando um dinamismo operacional muito maior ao Executivo”, explicou Miglioli.

Outro diferencial destacado pelo secretário é o caráter de “longo prazo” da iniciativa. Os contratos são contínuos e podem ser prorrogados por até 10 anos.

“Não foi um programa pensado apenas para esta gestão, mas para a cidade. O próximo gestor poderá aproveitar essa estrutura para manter um planejamento duradouro”, pontuou.

 

O desafio do asfalto vencido

Miglioli não fugiu do diagnóstico crítico sobre a situação atual das vias. Segundo ele, 70% da malha asfáltica de Campo Grande está “vencida”. Enquanto as normas técnicas preveem uma vida útil de 10 anos para o pavimento, a Capital possui trechos com mais de 40 anos sem nunca terem recebido intervenções profundas.
“O problema é que, historicamente, nunca houve uma preocupação com um programa de recuperação. Na seca, o asfalto resiste, mas nas águas o pavimento envelhecido não suporta. Você tapa um buraco e a chuva abre outro logo ao lado”, desabafou o secretário. Entre os bairros que demandam intervenção urgente, ele citou o Carandá, Jocondo Orsi e o Autonomista, além de diversas áreas da região central.

Para viabilizar o projeto, a Prefeitura busca parcerias. Embora conte com recursos próprios, há conversas avançadas com o Governo do Estado e a bancada federal. A massa asfáltica será adquirida via consórcio central, estratégia adotada para reduzir custos.

 

Críticas e herança passiva

Questionado sobre as críticas à zeladoria urbana, o secretário afirmou que a resposta vem através do trabalho. Ele classificou parte dos ataques como “eleitoreiros” e lembrou que a atual gestão herdou um passivo de 1,1 mil quilômetros de ruas sem pavimentação.

“Falar que os problemas surgiram agora é uma falta de verdade absoluta. Estamos encarando problemas antigos, buscando soluções, e lançaremos o maior programa de pavimentação e drenagem da história de Campo Grande.”

Ele citou que intervenções anteriores, como as das avenidas Afonso Pena e Mato Grosso, foram realizadas com recursos estaduais, e que agora o município retoma o protagonismo das obras.

“A prefeita Adriane Lopes não aprovou nenhum loteamento que não viesse com drenagem e pavimentação. Esse é um problema que vem de nove anos atrás e que, até 2024, pouco tinha sido enfrentado”, afirmou.

 

Novo edital de drenagem

Além do recapeamento, a Sisep prepara o lançamento de um edital com 22 lotes de pavimentação e drenagem. O foco, segundo Miglioli, é resolver gargalos históricos de alagamento, situação que preocupa moradores de diferentes bairros e regiões da cidade.

“Hoje não se faz um metro de asfalto em Campo Grande sem rede de esgoto e drenagem pluvial antes. É planejamento para evitar que o asfalto novo precise ser cortado depois”, finalizou.

Por Michelly Perez e Maria Gabriela Arcanjo

 

 

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