Impulsionado pelo FCO Mulheres Empreendedoras, volume de recursos saltou em apenas três anos
O volume de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) destinados a mulheres empreendedoras teve um crescimento de quase oito vezes em apenas três anos. A política FCO Mulheres Empreendedoras encerrou o ano de 2025 com aproximadamente R$ 2,8 bilhões aplicados em negócios liderados por mulheres. O montante representa um aumento expressivo em relação a 2023, quando foram alocados R$ 370 milhões no primeiro ano de implementação da política.
Mulheres à frente de empresas e empreendimentos rurais de mini, micro, pequeno e pequeno-médio portes, além de Microempreendedoras Individuais (MEI), têm direito a contratar crédito com condições mais favoráveis do que as praticadas no mercado. As operações financeiras enquadradas no FCO Mulheres Empreendedoras dispõem de taxas de juros reduzidas, prazos de pagamento mais longos, maiores limites de financiamento e períodos de carência adequados ao retorno do investimento. Com os recursos contratados, é possível financiar tanto a implantação quanto a ampliação e modernização de negócios.
O FCO é um dos instrumentos de crédito geridos pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para executar programas de financiamento voltados às cadeias produtivas do Centro-Oeste. As diretrizes e prioridades para aplicação dos recursos do fundo são de responsabilidade da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).
Segundo a Superintendente da Sudeco, Luciana Barros, as condições diferenciadas do FCO Mulheres Empreendedoras permitem que mulheres que antes estavam à margem do sistema de crédito possam transformar pequenas iniciativas informais em negócios estruturados e sustentáveis. “Ao possibilitar que atividades que antes eram apenas complementares passem a representar a principal fonte de renda familiar, o programa promove maior autonomia econômica para as mulheres e contribui para a melhoria das condições de vida de suas famílias. Esse processo fortalece não apenas os negócios, mas também a inclusão produtiva e social”, afirma Barros.
Distribuição por setor
Desde sua implementação, os recursos do FCO Mulheres Empreendedoras foram distribuídos de forma relativamente equilibrada entre os setores rural e empresarial, com leve predominância do setor rural. No acumulado de 2023 a 2025, o setor rural concentrou cerca de R$ 2,7 bilhões, enquanto o empresarial recebeu aproximadamente R$ 2,4 bilhões. No setor empresarial, destacou-se a linha de Desenvolvimento do Comércio, que somou aproximadamente R$ 1,9 bilhão no período. Já no setor rural, a maior concentração ocorreu na linha de Desenvolvimento Rural, com cerca de R$ 1,8 bilhão.
Para a Coordenadora-Geral de Gestão de Fundos e Desenvolvimento e Financiamento da Sudeco, Raquel Santori, o crescimento no alcance da política demonstra sua consolidação no fortalecimento do empreendedorismo feminino. “Esse recorte indica que a política tem alcançado de forma ampla mulheres empreendedoras tanto nas áreas urbanas quanto no meio rural, apoiando simultaneamente pequenos negócios de comércio e serviços e atividades agropecuárias, especialmente da agricultura familiar”, destaca Santori.
Salto na produtividade
A trajetória da arquiteta Thayná Sampaio Gonçalves e de sua sócia, a contadora Luiza Evangelista de Amorim ilustra como o acesso a crédito pode mudar o patamar de entrega de um empreendimento. Donas da Modo Mobiliário, uma fábrica de móveis planejados em Brasília, as empresárias iniciaram o negócio há cinco anos, tendo em mãos apenas o dinheiro correspondente à rescisão dos contratos de trabalho.
Aos poucos, a dupla foi investindo o que recebeu dos primeiros clientes para crescer. A grande virada veio no início de 2025, quando as sócias decidiram adquirir máquinas novas para melhorar a qualidade e a rapidez da produção. Orientadas pelo gerente do Banco do Brasil e incentivadas por uma consultoria do Sebrae, elas acessaram cerca de R$ 170 mil em crédito com as condições do FCO Mulheres Empreendedoras. “O maquinário é muito mais tecnológico. As peças cortadas em uma máquina automática são muito mais assertivas, e a gente acredita que isso vai fazer uma diferença muito grande no nosso faturamento”, explica Gonçalves.
Segundo a empresária, o financiamento foi decisivo não apenas pelo valor, mas pelas condições oferecidas. “As taxas foram a parte mais importante, além da possibilidade de pagamento mais flexível. Era um juro menor do que o empréstimo do próprio banco”, afirma a arquiteta.
Para outras mulheres que desejam trilhar o caminho da indústria, a empresária deixa um recado de resiliência: “Seja corajosa, tenha pulso firme no que decidir e acredite que vai dar certo. É uma luta atrás da outra, mas pense no seu objetivo final”.
Com informações da Agência Gov.