Cantora será homenageada durante as comemorações dos 47 anos da universidade
A cantora e compositora Tetê Espíndola se juntará a nomes como Ney Matogrosso, Almir Sater, Isaac de Oliveira e o irmão Humberto Espíndola, e receberá o título de Doutor Honoris Causa, pela UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), em cerimônia que celebra os 47 anos da instituição, nos dias 1 e 2 de julho.
Além de Tetê, o empresário Edison Ferreira de Araújo e o educador Pedro Chaves também receberão o título de Doutor Honoris Causa, a mais alta honraria a personalidades que deixaram contribuições expressivas para a sociedade. As cerimônias serão realizadas no Teatro Glauce Rocha, respectivamente nos próximos dias 1º, às 8h30, e 2 de julho, às 19h, com transmissão ao vivo pela TV UFMS.
Nesta terça-feira (30), às 10h, a programação também inclui a inauguração do Novo Museu de Arqueologia, e no dia 3 de julho, às 14h, o lançamento do novo edital do FUC – Festival Universitário da Canção de 2027, que vai comemorar os 50 anos de criação do Estado de Mato Grosso do Sul. Durante os meses de julho a setembro, o cantor Jônavo também fará apresentações em todos os câmpus.
Apesar de atualmente não morar mais em Campo Grande, sua trajetória artística se confunde com a história da cultura de MS, e nada mais simbólico do que representar esse alicerce com o título de Doutor Honoris Causa.
“Receber esse título de Doutora Honoris Causa pela Universidade me deixa muito honrada e feliz. Estou completando quase 50 anos de carreira e esse reconhecimento da minha arte neste momento é muito importante para mim”, disse em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado.
Tetê Espíndola afirmou que a homenagem representa um reconhecimento à sua trajetória artística e às raízes que inspiram sua obra. “Minha conexão com os pássaros, minha raiz fronteiriça e o meu berço musical contribuíram para a minha trajetória artística e isso me enche de orgulho. Por isso, esse reconhecimento pela UFMS me traz tamanha alegria, pois Campo Grande é onde eu nasci”, destaca.
Trajetória
A jornada da campo-grandense Tetê Espíndola começou dentro de casa, tocando com os irmãos no fim dos anos 1960. Vinda de uma família repleta de artistas, a cantora teve seus ouvidos treinados com muita música clássica e até serenatas da fronteira.
“Quando criança, convivi com meus tios trigêmeos, que tocavam piano, sobretudo música clássica. Também tive a oportunidade de participar de serenatas com o ‘Trio Paraguaio’, que tocava músicas de raiz, e me encantei com a harpa paraguaia. Minha mãe também costumava cantar para mim e meus irmãos as músicas da era de ouro da rádio, interpretadas pelas cantoras da época. Mais tarde, já na adolescência, comecei a cantar as composições que Geraldo Espíndola fazia para mim e, em seguida, formamos o grupo ‘LuzAzul’, com Alzira, Celito e Geraldo”, contou.
Ainda aos 14 anos, o grupo ganhou um festival de música em Campo Grande, com a canção ‘Sorriso’, interpretada por Tetê e composta por Geraldo. Foi o pontapé inicial para que a cantora decidisse por uma carreira fora de MS, e em 1978 chegam a São Paulo, na tentativa de uma carreira profissional. Com seu instrumento favorito, a craviola, os irmãos realizam diversos testes em gravadoras até serem chamados pela multinacional Polygram. Assim começa a sua brilhante carreira, com o disco Tetê e o Lírio Selvagem.
Sete anos após lançar o primeiro álbum, Tetê vence o Festival dos Festivais da Rede Globo, com “Escrito nas Estrelas”, em 1985, e fica conhecida em todo o Brasil como a cantora que tem “pássaros na garganta”. Em mais de 45 anos de carreira, Tetê conta com 20 álbuns lançados e várias participações em coletâneas e discos de outros artistas.
Com essa trajetória que transita entre a música, a pesquisa sonora, a identidade regional e a experimentação artística, para Tetê, seu trabalho surge de uma ‘intuição’, o que a leva para a inspiração e experimentação, onde sua voz é seu campo.
“É preciso estar presente para ouvir os sons da natureza, dos pássaros que revelam as paisagens e as memórias do lugar onde nasci. As minhas composições carregam esses saberes e essas vivências do Mato Grosso do Sul e do meu berço musical,, que é a família Espíndola. Acredito que a música tem essa capacidade de guardar e transmitir esses conhecimentos e essas memórias”.
Manter-se fiel à própria identidade artística foi essencial para construir uma carreira sólida e autêntica. A artista atribui essa trajetória à versatilidade desenvolvida ao longo dos anos. “A minha multiplicidade me deu liberdade de seguir vários caminhos como artista, compositora, intérprete, instrumentista e arranjadora. Permanecer fiel a quem eu sou me permitiu construir uma trajetória autêntica”, afirma.
Para a reitora Camila Ítavo, a história da UFMS se confunde com a criação e o desenvolvimento do Estado de MS, e celebrar o aniversário de federal é comemorar a trajetória de tantas pessoas que se dedicaram e se dedicam para o fortalecimento da educação, da ciência, da inovação e do crescimento de MS. “Esta é uma data muito especial, de muita gratidão e de muita alegria. Essas cerimônias reúnem pessoas que fizeram e fazem a diferença pelo nosso estado e pela nossa Universidade”, disse. O lançamento do FUC 2027 também abre as comemorações pelo cinquentário de Mato Grosso do Sul.
Ao receber a notícia de que será homenageada com o título de Doutora Honoris Causa, Tetê afirma ter sido tomada por sentimentos de alegria e gratidão. A artista também fez questão de agradecer às pessoas que participaram da concessão da honraria. “Recebi essa notícia com alegria e gratidão. Quero agradecer ao Conselho Universitário, aos reitores, à professora Camila, ao Itávo e ao professor Albert Schiavetto, que de forma gentil e carinhosa aprovaram a concessão desse título”, declara.
O que é:
A expressão honoris causa vem do latim e significa “por causa da honra”. No mundo acadêmico, ela é usada no reconhecimento do trabalho de pessoas que demonstraram grande empenho em suas áreas de atuação, independentemente de sua formação educacional. O homenageado ganha o título de doutor, mas não se trata do mesmo tipo de doutorado de quem defende teses.
Por Carolina Rampi
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