Sementes que viram histórias, escritor transforma cotidiano em livro infantil

livro O Menino que plantou o sol - Assessoria

Escritor Ricardo Guedes Kumm lança O menino que plantou o sol, obra que propõe reflexão sobre cuidado, coletividade e a relação com o mundo ao redor

Pequenas ações do dia a dia se transformam em ponto de partida para uma reflexão maior na nova obra do escritor Sul-mato-grossense Ricardo Guedes Kumm. Após percorrer diferentes regiões de Campo Grande espalhando cerca de oitenta sementes de girassol, ele apresenta ao público o livro O menino que plantou o sol, publicado pela Editora Oceando, com lançamento marcado para o dia 25 de abril, inspirado nessa experiência de conexão entre cotidiano, natureza e consciência.

A prática começou de forma discreta, com sementes carregadas no bolso e distribuídas entre praças, calçadas e canteiros de bairros como a Vila Sobrinho e a Praça do Papa. Com o tempo, o hábito se expandiu para além dos espaços públicos, alcançando amigos e conhecidos por meio da partilha e até de envios pelo correio, dando origem a uma experiência que ultrapassa a escrita e dialoga com a realidade.

A ideia do livro surgiu a partir de uma atividade proposta em um curso de filosofia frequentado pelo autor, onde o plantio serviu como ponto de partida para reflexões mais amplas. O exercício despertou um novo olhar sobre o cultivo e suas implicações, levando Kumm a incorporar o gesto à sua rotina e transformá-lo em base simbólica para a construção da narrativa.

Na obra, a história acompanha uma criança que, ao perceber os impactos da degradação ao seu redor, decide intervir por meio do plantio. Ao longo da trajetória, o personagem compreende que cultivar vai além de lançar sementes à terra, exigindo habilidade, cuidado e constância. A narrativa propõe uma reflexão acessível ao público infantil sobre escolhas, consequências e a importância de atitudes que contribuam para o coletivo.

Sementes pelo caminho

Para o escritor Ricardo Guedes Kumm, a experiência de plantar sementes acabou se tornando um exercício de atenção e reconexão com o cotidiano.

“O simples ato de fazer qualquer coisa com atenção, colocando intenção em cada gesto, é um dos maiores presentes que podemos viver. Algumas compreensões só vieram mais tarde, e talvez por isso essa experiência tenha sido tão significativa”, conta para a reportagem.

A prática, iniciada de forma despretensiosa durante caminhadas pelo bairro, despertou um novo olhar sobre o entorno, levando-o a observar detalhes antes ignorados, como plantas, pássaros e pequenos ciclos da natureza, incorporando essa percepção à sua produção literária.

“Quando comecei a espalhar sementes durante meus passeios, passei a enxergar o mundo de outra forma. É algo simples, mas transformador e, como não posso voltar no tempo, levo isso para a literatura, tentando alcançar outras pessoas por meio da escrita”, revela Ricardo.

Gesto simples

Ricardo destaca que os aspectos mais marcantes da experiência foram a forma como as pessoas acolheram a proposta de plantar, não apenas no sentido literal, mas também simbólico.

“O que mais me tocou foi ver como algo tão simples foi recebido com tanto significado. Quando sugeri que as pessoas pensassem também nas ‘sementes’ que gostariam de cultivar na própria vida, surgiram relatos cheios de entusiasmo”, afirma Ricardo.

Ao compartilhar sementes com colegas de trabalho e incentivar reflexões sobre objetivos pessoais, ele percebeu que o gesto despertava conexões, afetos e novas perspectivas dentro e fora do ambiente profissional.

“Teve gente que levou a ideia para dentro de casa, plantando com a família e criando momentos de união. Acho que isso reflete, em pequena escala, o impacto que essa experiência teve em mim e, talvez, o mesmo sentimento de quem me apresentou essa proposta lá no início”, completa.

Propósito para os leitores

A proposta de seu trabalho também carrega um convite à reflexão coletiva. A partir de experiências simples, ele busca estimular uma mudança de postura diante do cotidiano, incentivando as pessoas a observarem com mais atenção os espaços que ocupam e a pensarem em formas de contribuir de maneira prática para torná-los melhores.

“A ideia é provocar esse olhar mais atento para o que está ao nosso redor e se perguntar, com sinceridade, como posso ajudar? O que posso fazer para melhorar o lugar onde vivo? A Nova Acrópole ensina justamente isso: viver a filosofia na prática, com responsabilidade e senso coletivo. Quando as pessoas caminham na mesma direção, pensando no bem comum, tudo se torna mais humano e mais verdadeiro”, finaliza.

Sobre o escritor

Natural de Dourados (MS), o escritor nasceu em 1989 e iniciou sua trajetória literária em 2024, com participações em antologias, revistas e jornais. É formado em Pedagogia pela UNIP e cursou Letras – Inglês pela UEMS, atuando no cenário cultural do Estado.

Atualmente, preside a União Brasileira de Escritores – Seccional Mato Grosso do Sul (gestão 2026–2027), é secretário do IBRAT-MS e membro da ATTMS. No mesmo ano em que começou a publicar, conquistou o primeiro lugar em concurso de poesia da Revista AOLA, na categoria adulto.

O projeto visual do livro é assinado por Temily Elias Comar, artista visual e esposa do autor. Graduada em Artes Visuais, com especialização em Linguagem Audiovisual e Cinema e formação em Arteterapia, ela estreia no mercado editorial com a obra. A publicação marca a primeira colaboração do casal em um livro infantil, reunindo escrita e ilustração em uma construção conjunta.
A publicação integra o catálogo da Editora Oceando e também está disponível para compra no site e pelo telefone (67) 99258-9261.

Serviço: O lançamento do livro O menino que plantou o sol, do escritor Ricardo Guedes Kumm, acontece no dia 25 de abril, às 15h30, no Parque das Nações Indígenas. A atividade será realizada no Portão Guarani, em um quiosque localizado em frente à torre indígena, reunindo leitores e interessados em literatura e experiências ligadas ao cotidiano e à natureza.

Por Amanda Ferreira

 

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