Projeto reúne filmes e registros históricos em mostra sobre a memória audiovisual do Estado

Foto: Nilson Rodrigues/Divulgação
Foto: Nilson Rodrigues/Divulgação

“MS Memórias Audiovisuais” tem programação gratuita e segue até o mês de julho

O Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MIS-MS), no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, deu início à 24ª Semana Nacional de Museus com a exposição “MS Memórias Audiovisuais”. A mostra propõe uma imersão na história do cinema e da produção audiovisual do Estado, reunindo obras que dialogam com diferentes épocas, linguagens e formas de narrar a cultura sul-mato-grossense por meio das imagens.

A abertura da programação ocorreu no dia 18 de maio, com sessão especial de filmes e a apresentação da exposição ao público. A iniciativa destaca o audiovisual como patrimônio cultural e instrumento de preservação da memória coletiva, reforçando o papel do cinema como registro das transformações sociais, políticas e culturais do país e do Estado ao longo do tempo.

Com programação gratuita até 16 de julho, a exposição reúne sessões de cinema, instalações, experiências imersivas, acervos históricos, debates, palestras, lançamento de livro, lançamento de catálogo e encontros com realizadores.

Ao longo das semanas seguintes, o evento promove uma série de exibições gratuitas que incluem produções clássicas, contemporâneas, documentários, animações e ficções. Entre os títulos exibidos estão “Alma do Brasil” (1931/1932), “Inocência” (1983), “Selva Trágica” (1963), além de obras mais recentes como “Enigmas no Rolê” (2024) e “As Quatro Estações da Juventude” (2025), evidenciando a diversidade do audiovisual brasileiro e regional.

A programação também contempla filmes que dialogam diretamente com a identidade pantaneira e com narrativas do interior do Estado, como “Banho de São João nas Águas do Rio Paraguai” (2019) e “Comitiva Esperança – Uma Viagem ao Interior do Pantanal” (1983/1984). Além disso, o evento inclui sessões de animações, mostras temáticas e debates, ampliando o alcance educativo e cultural da iniciativa.

Legado

O coordenador do MIS, Marcio Veiga, destacou em entrevista ao jornal O Estado que muitos visitantes do museu se impressionam ao entrar em contato com objetos antigos ligados à construção da memória audiovisual.

“Muitas dos visitantes que recebemos se impressionam com os objetos antigos que fizeram parte da construção da memória audiovisual. A obra cinematográfica e/ou audiovisual também tem esse poder de tocar, principalmente as gerações mais novas, que ao perceberem que se fazia muito e com tanta maestria sem ter quase nenhum avanço tecnológico, se sentem convidadas a dar sequência nesse legado”, afirmou.

O projeto percorre quase um século de imagens em movimento ligadas ao antigo sul de Mato Grosso e a Mato Grosso do Sul, conectando produções pioneiras da década de 1930 ao atual crescimento do audiovisual regional impulsionado pelas políticas públicas de fomento cultural.

“Esta exposição consegue traduzir o passado, o presente e o futuro do audiovisual sul-mato-grossense. Viva o cinema sul-mato-grossense e os museus de Mato Grosso do Sul”, destaca Eduardo Mendes, diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

Ao longo da programação, a mostra prevê a exibição de mais de 30 filmes, episódios e registros audiovisuais, reunindo obras de cerca de 25 diretores e realizadores. O conjunto inclui clássicos históricos, documentários, animações, filmes-ensaio, produções indígenas e obras contemporâneas que ajudam a compreender as transformações culturais, sociais e territoriais de Mato Grosso do Sul.

Importância

A exposição “MS Memórias Audiovisuais” ocupa de forma excepcional as duas galerias do MIS-MS e integra a programação dedicada à preservação da história do audiovisual em Mato Grosso do Sul. A mostra apresenta ao público um panorama que conecta memória, tecnologia e cultura, destacando a importância do museu como espaço de preservação e também de reflexão sobre as transformações da sociedade por meio das imagens e dos sons.

“O MIS hoje conta com duas galerias expositivas, uma de longa duração e outra de temporárias. Essa exposição, ao ocupar os dois espaços, permite que o público conheça mais da história do audiovisual no Estado e também veja o museu como um lugar de interação e memória da nossa sociedade. É uma curadoria que une tecnologia e história dos equipamentos, e convida a refletir sobre a velocidade das transformações e seus impactos na vida contemporânea”, afirma o coordenador Marcio.

A exposição “MS Memórias Audiovisuais” integra as ações do Rota Cine MS, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual sul-mato-grossense, com foco em formação, circulação, preservação da memória e valorização da produção regional.

A execução do projeto ocorre por meio de parceria entre o Governo do Estado, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e o Instituto Curumins, com recursos da PNAB  (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura), do Ministério da Cultura, Governo Federal.

Semana dos Museus

Neste ano, a Semana Nacional de Museus acontece com o tema “Museus unindo um mundo dividido” e, em Mato Grosso do Sul, é coordenada pelo Sistema Estadual de Museus em parceria com a Rede de Educadores em Museus de MS. A programação envolve museus públicos e privados, municipais, estaduais e federais em cidades como Campo Grande, Dourados, Bonito, Coxim, Costa Rica, Nova Andradina e Amambai.

O encontro no MIS-MS simbolizou também um momento de fortalecimento da rede museológica sul-mato-grossense, reunindo gestores, pesquisadores, educadores e representantes de instituições culturais de diferentes regiões do Estado.

A programação segue com atividades até hoje, 22 de maio, reunindo debates e exposições que destacam diferentes dimensões da memória e do patrimônio cultural sul-mato-grossense. No dia 22, os encontros abordam temas como museus e patrimônio cultural enquanto instrumentos de memória viva, identidade coletiva e desenvolvimento local, além da trajetória do Museu Lídia Baís e sua contribuição para a construção do legado artístico na Capital.

 

Amanda Ferreira

 

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