Nova geração do Hip-Hop toma as ruas de Campo Grande com o Periferia Pede Paz

Foto: Reprodução
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Evento gratuito reúne música, dança, oficinas e cultura urbana neste domingo (15)

 

A cultura urbana volta a ganhar espaço nas ruas de Campo Grande com a realização de mais uma edição do evento Periferia Pede Paz – Nova Geração, que reúne artistas, jovens talentos e coletivos culturais ligados ao hip-hop sul-mato-grossense. O encontro acontece no dia 15 de março, a partir das 16h, na Praça do Bairro Dom Antônio, com entrada gratuita e programação voltada para quem vive e constrói a cultura das periferias.

A iniciativa propõe um espaço de encontro entre diferentes expressões da cultura de rua, com apresentações musicais, dança, atividades formativas e oficinas abertas ao público. Entre os nomes confirmados na programação estão o rapper Versos 67, conhecido pelas letras marcadas pela vivência periférica, e a artista Mel Dias, que mistura rap e funk em performances. Nesta edição, o evento também amplia o diálogo cultural ao receber manifestações da cena Ballroom.

Mais do que um festival, o Periferia Pede Paz surge como um espaço de fortalecimento cultural e social, onde jovens artistas encontram oportunidade de mostrar seu trabalho e compartilhar experiências. A proposta é valorizar a produção independente e reafirmar o papel do hip-hop como ferramenta de expressão, identidade e transformação nas comunidades.

Espaço de expressão

Com 16 anos de história, mas realizado apenas oito vezes devido à escassez de apoio e investimento público, o projeto resiste graças ao esforço coletivo de moradores, lideranças comunitárias e artistas locais.

Para a reportagem, Mano Mi, organizador do evento explica que nesta edição, além dos shows de hip-hop, o evento inclui oficinas formativas e recebe a participação da cultura Ballroom, promovendo um intercâmbio entre diferentes expressões culturais periféricas e reforçando a importância da diversidade e inclusão nos espaços comunitários.

“A ideia de realizar mais uma edição do Periferia Pede Paz nasce da própria vontade da comunidade de manter vivo um espaço de expressão, encontro e fortalecimento da cultura Hip-Hop. Queremos que os jovens tenham oportunidades de aprender, criar e se conectar com outras culturas periféricas, mostrando que resistência, arte e educação caminham juntas”, explica.

Programação

O público que acompanhará o Periferia Pede Paz – Nova Geração pode esperar uma programação diversa e dinâmica, totalmente voltada para a cultura urbana e a valorização de talentos locais. Antes do início dos shows, serão realizadas oficinas formativas com jovens da comunidade, promovendo aprendizado, troca de experiências e incentivo à produção artística.

No palco, a edição contará com pocket shows de rap e trap de artistas como Mel Dias, Miliano, Geld Mob, Versos 67, Pretisa e CPS, além de discotecagem com DJ Magão.As oficinas incluem Graffiti, ministrada por Ravnos Rodrigues; Breaking, com B.girl Jeyzzi; Vogue, com Roger Pacheco; e DJ, com Magão, contemplando diferentes expressões da cultura periférica.

“Queremos que todas as pessoas, independentemente da idade, possam se envolver e aprender. As oficinas são uma oportunidade de mostrar o que a cultura urbana produz, inspirar jovens e aproximar as pessoas do hip-hop e das outras manifestações da periferia”, afirma Mano Mi.

Protagonismo da Periferia

Eventos como o Periferia Pede Paz cumprem um papel essencial ao criar espaços de protagonismo para artistas das periferias. Em muitas regiões, talentos locais enfrentam barreiras para se expressar, seja pela falta de palcos, de incentivo ou de reconhecimento.

“A cultura Hip-Hop sempre foi sobre resistência e transformação. Através do rap, da dança, do graffiti e do conhecimento, conseguimos contar nossas histórias, denunciar injustiças e mostrar que é possível construir caminhos diferentes para o futuro”, destaca Mano Mi.

A iniciativa não apenas valoriza a produção artística local, mas também reforça a importância do Hip-Hop como uma ferramenta de transformação social, capaz de aproximar a comunidade, gerar aprendizado e abrir novas perspectivas.

“Eventos como o Periferia Pede Paz fortalecem os artistas e a autoestima da comunidade, e ajudam a consolidar o Hip-Hop como movimento cultural legítimo e educativo”, afirma complementa o organizador.

Cultura, conhecimento e transformação

O evento busca reforçar a ideia de que a periferia é produtora de cultura, conhecimento e transformação social. Mais do que um festival de música e dança, o evento é um espaço de reconhecimento da arte como ferramenta de mudança, oferecendo aos jovens oportunidades de expressão e protagonismo.

Além dos shows e oficinas, a iniciativa evidencia a importância de investir em projetos que conectem comunidade, educação e cultura urbana, valorizando a nova geração de artistas periféricos.

“Queremos que cada jovem que participe do evento se veja como criador e protagonista da própria história. Que percebam que sua voz importa, que suas experiências têm valor e que a cultura pode ser um instrumento de resistência, identidade e futuro. O grito pela paz continua sendo essencial, mas agora vem acompanhado da força da nova geração, com novos beats, linguagens e formas de ocupar os espaços”, finaliza.

O evento é realizado pelo Ponto de Cultura CPS, através da Conspiração Produções, com apoio do Governo Federal e da Sectur/Fundac, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.

 

Amanda Ferreira

 

 

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