Evento reúne chefs, restaurantes e produtores locais para apresentar pratos à base de plantas e incentivar uma alimentação consciente
Muito além das saladas, a gastronomia vegana e vegetariana mostra que é possível unir criatividade, sabor e consciência ambiental. Em Campo Grande, um restaurante vegano realiza, durante agosto, um festival gastronômico dedicado à culinária baseada em plantas. O ‘Trevo Veggie Festival’ seguirá o formato de competição, com grande final marcada para o dia 6 de setembro, na Feira Borogodó.
Conforme o edital de inscrição, o Trevo Veggie, realizado pelo restaurante Trevo Veggie, é um festival gastronômico competitivo, que tem como objetivo promover e fortalecer a gastronomia vegetariana, incentivar novos talentos da culinária campo-grandense e fomentar a cultura local por meio da integração entre gastronomia, música, poesia e outras manifestações artísticas. O projeto é realizado com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais) e tem como proposta aproximar a população da culinária vegetariana, valorizando profissionais da gastronomia e promovendo experiências culturais acessíveis e inclusivas.

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“O Festival surgiu como uma proposta lúdica de aproximar pessoas da comunidade geral que tenham habilidade culinária ou interesse no ramo para se desafiarem numa competição dentro da gastronomia vegetariana e vegana, com o objetivo principal de mostrar como pode ser prático e muito mais próximo do dia a dia da maioria das pessoas implementar pratos com ingredientes livres de origem animal na dieta”, explicou ao jornal O Estado a idealizadora do festival, Creuza Amaral.
As inscrições estão abertas até o dia 15 de agosto. Poderão participar pessoas que tenham no mínimo 18 anos, residam em Campo Grande e região, possuam disponibilidade para participar de todas as etapas, sem exigência de formação acadêmica em Gastronomia, aberto para chefs profissionais, cozinheiros, empreendedores gastronômicos e estudantes independentes.
Para a inscrição, é preciso apresentar uma receita autoral ou de livre execução totalmente vegetariana e enviar um vídeo de até três minutos contando a trajetória e relação (ou interesse pela gastronomia vegetariana. Apenas 50 inscrições serão recebidas; destas, 15 serão selecionadas para a competição.
“Qualquer pessoa que seja apaixonada pela cozinha e pelo universo de possibilidades que ela pode nos apresentar está apta a participar. Nosso intuito foi aproximar de maneira democrática todos aqueles que se identificam com o mundo da gastronomia, independentemente de terem experiência ou não”, disse Creuza.
Etapas

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Os 15 participantes selecionados participarão de uma prova prática em cozinha profissional. Cada participante deverá preparar o prato inscrito dentro do tempo estabelecido pela organização. Os dez classificados participarão de uma nova prova culinária em cozinha profissional. Ao término desta etapa, serão classificados cinco finalistas.
A grande final acontecerá durante a Feira Borogodó, aberta ao público. Os finalistas prepararão seus pratos em cozinha profissional e, após apreciação pelos jurados, porções dos mesmos pratos serão transportadas até a Feira Borogodó para degustação do público presente, promovendo uma experiência gastronômica aberta e democrática. O público atribuirá notas aos pratos por meio de cédulas de votação numeradas e depositadas em urnas disponibilizadas pela organização.
“Os critérios avaliados serão criatividade, técnica, organização e, especialmente, o sabor. A história por trás do prato tem um peso grande também, mas, no geral, a degustação será às cegas: os jurados não saberão quem preparou o prato antes de dar a nota”, destacou a idealizadora.
As notas serão apuradas pela Comissão Organizadora e somadas às notas atribuídas pela comissão julgadora para definição da classificação final. Durante toda a programação haverá apresentações musicais, poesia e outras atividades culturais.
O festival ainda promoverá uma palestra sobre culinária vegetariana e gestão de eventos e uma tarde gastronômica no restaurante Trevo Veggie, com pratos preparados pelos vencedores do festival e desconto de 50% no cardápio durante a ação.
Jurados
A comissão julgadora contará com o chef Lucas Caslu e a chef Beatriz Branco. Descendente de okinawanos e cozinheiro há 16 anos, Caslu dedica sua trajetória à valorização da culinária de Mato Grosso do Sul. Sua experiência inclui festivais, feiras, eventos culturais e a honra de representar o Brasil em Tóquio, no programa Brasil em Sabores, do Itamaraty, levando os sabores do nosso estado para o mundo.
E a conexão com o Trevo vem de longa data. Cliente desde os primeiros anos do restaurante, na Rua Maracaju, Caslu agora retorna para contribuir com seu olhar técnico e sensível na escolha dos talentos que irão brilhar no festival.
Já a chef Beatriz Branco busca valorizar as riquezas do Cerrado e do Pantanal brasileiro, tendo fundado a fábrica de chocolates orgânicos e veganos chamada Angi Chocolates, que é localizada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Também foi a primeira sul-mato-grossense a participar do reality show Shark Tank Brasil, em episódio focado em negócios liderados por pessoas LGBTQIAP+.
Não é difícil
Para Creuza, outro ponto levantado pelo projeto é a desmistificação da rotina de quem quer adotar hábitos veganos ou vegetarianos.
“A culinária faz parte da vida de todas as pessoas, de maneira individual ou coletiva. A rotina de grande parte da sociedade é praticamente dividida em pelo menos 3 refeições ao dia. Toda e qualquer celebração, também no geral, é regada a roda de amigos e boa comida. Quando, dentre esses amigos, familiares, conhecidos, alguém muda a dieta, seja por estilo de vida, seja por necessidade fisiológica, num primeiro momento a sensação é de que não haverão mais muitas possibilidades de congregar mais. Ou que, ao adotar uma dieta vegetariana ou vegana, automaticamente será necessário investir muito mais tempo no preparo, na aquisição de insumos, bem como será muito mais caro e menos saudável”, explica.
“Então, por meio do projeto, pretendemos sim trazer uma nova perspectiva e mostrar como, na realidade, incluir essa dieta no dia a dia é simples, possível e viável para quem assim desejar”, complementa.
“A expectativa é das melhores, em que esperamos que o público presente no dia da feira possa se surpreender com as possibilidades apresentadas, ouvir um pouquinho da trajetória dos finalistas durante o processo e se sentir incentivado a conhecer novas formas de se alimentar e praticar consumo consciente. Pretendemos com isso abrir as portas, sim, para uma tradição cultural na nossa cidade”, finaliza a idealizadora.
Por Carolina Rampi