Em 2024, o Jornal O Estado entrevistou a jovem Eloah Nantes, então com 16 aninhos, que habitava o mundo das passarelas, tendo ganhado o Miss Teen Global Beauty, no Rio de Janeiro. Agora, dois anos depois e com 18 anos, Eloah ganha Mato Grosso do Sul como cantora e mostra que tudo é possível.
Novamente no jornal O Estado, Eloah relata que, assim como a carreira de modelo e miss, a trajetória de cantora começou no susto. “Sempre gostei de cantar no chuveiro, cantava em casa, mas jamais pensava que iria cantar como profissão”, relembra. Foi por meio das tragédias climáticas ocorridas no Rio Grande do Sul que a jovem sentiu um chamado para os palcos.
“Fiquei muito triste com aquilo, passei várias noites chorando, pensando como poderia ajudar e incentivar as doações. E, em uma noite, veio para mim a letra de uma música em relação a isso. Foi a partir daí que as pessoas ficaram interessadas em mim e começaram a me chamar para eventos”.
Seu primeiro show foi para um público de 5 mil pessoas, no Arraial das Graças, em Campo Grande. Vendo que era aquilo que queria seguir, Eloah passou a pesquisar e estudar música, inclusive com aulas de canto.
“Estudei para ficar mais segura do que estava fazendo; antes eu parecia um peixe fora d’água, tremendo de nervosismo”.
Tradição paraguaia
Atualmente, embaixadora da Colônia Paraguaia, Eloah relembra que ficou ainda mais próxima da cultura da fronteira durante os preparativos para as competições de Miss, das quais precisava apresentar algo típico que representasse o seu Estado. Para isso, ela escolheu a música ‘Pássaro Campana’ para se apresentar, aprendendo a dança típica com os membros da colônia.
“É por isso que uso a flor do Paraguai no meu chapéu, para representar as paraguaias. Nas minhas apresentações hoje, sempre canto em Guarani; aprendi diversas músicas, canto polca castelhana, para representar mesmo a cultura”. Depois disso, Eloah foi recebida de braços abertos pela comunidade, sendo declarada a embaixadora.
‘A Braba do Tambor’
Sua primeira música é chamada de ‘A Braba do Tambor’, em homenagem à competição os 3 tambores. A canção navega entre o ‘novo sertanejo’, com influências do funk, sertanejo universitário e country.
“Ela representa o esporte dos 3 tambores, que é muito forte aqui em Mato Grosso do Sul, mas pouco falado em comparação ao Laço Comprido, por exemplo. Inclusive, recentemente tivemos o recorde mundial, do Sidnei Junior, que fez o percurso em 16.052 segundos. Lancei a música para falar um pouco sobre esse esporte, trazer um reconhecimento”, explica.
Referências
Mesmo que esteja apostando no country, as raízes falam mais alto e Eloah ainda tem como inspiração os clássicos, como Délio e Delinha. Porém, a nova geração também faz parte de seu repertório, e ela cita nomes como Maria Mendonça, como inspiração até mesmo no modo como conduzia a carreira.
“Tanto pelo carisma quanto pela qualidade vocal, sou apaixonada pelas músicas dela. Outra referência que tenho é Perla Paraguaia, que canta lindamente as músicas em Guarani; a Júlia Saraiva, que é daqui de Mato Grosso do Sul, está levando o nome do Estado para fora, e tenho certeza de que vai estourar no Brasil. Já um dos sonhos de colaboração seria a Mariana Fagundes, de quem sou muito fã”.
Mesmo tendo se formado em Técnica Agrícola, Eloah se descobriu na performance e no canto. “Sempre senti esse amor pela fazenda, por viver junto com os bichos, no meio do mato mesmo. Acho que dá para conciliar as duas coisas: cantar e, ao mesmo tempo, estar na fazenda, cuidando dos animais e das plantas. São dois amores que consigo levar juntos”, reflete.
Seguir os sonhos
Mesmo tão jovem, ela já trilha um caminho de sucesso. Nas redes sociais, suas apresentações são sempre vistas como fonte de inspiração, o que dá ainda mais ‘gás’ para continuar sua trajetória. “Eu comecei no susto. Mas é justamente nesses momentos que a gente mostra do que é capaz, porque nunca está totalmente preparado. Às vezes a gente até tenta se preparar, mas surgem situações que nos surpreendem. O importante é seguir firme”, disse.
“Sempre coloco Deus à frente de tudo. Peço para que Ele me guie, ilumine meu caminho e tome a frente da minha vida. Desde então, tem sido uma história muito bonita. O conselho que eu deixo é: siga os seus sonhos e não desista. Muitas vezes a gente escolhe um caminho que parece mais fácil e deixa o sonho de lado, mas nem sempre esse é o melhor caminho. Vale muito mais a pena fazer o que a gente ama. Nenhum caminho é fácil, então escolha aquele que faz sentido para você e faça tudo de coração”.
Coração de mãe
Acompanhando a filha em cada passo, Carla Nantes é puro orgulho e não esconde as lágrimas ao falar de Eloah e da sua vontade de seguir o seu chamado. “Tudo o que a Eloá quiser fazer na vida, eu vou estar ao lado dela, apoiando. Ela é uma filha maravilhosa, dedicada, e eu tenho muito orgulho dela”.
As duas possuem uma verdadeira relação de união e troca, em que os aprendizados são compartilhados. “A Eloá sempre traz um jeito novo de pensar. Eu tenho mais experiência por ser mais velha e, muitas vezes, direciono algumas ideias dela. Em outras situações, é ela quem me ensina e até me faz mudar de opinião. É uma troca constante. Tanto ela me ajuda quanto eu a ajudo. Como mãe, vou estar sempre ao lado dela nessa carreira que escolheu. Muita gente diz que é um caminho difícil, mas a gente vive um dia de cada vez”.
Mesmo com cada dificuldade, ela pretende seguir com a filha, para mostrar o lado mais seguro. “A gente, como mulher, às vezes acha que consegue dar conta de tudo sozinha, que é totalmente independente, mas nem sempre é assim. Todo mundo precisa de alguém ao lado. Se precisar dormir no chão, a gente dorme. Se for em um hotel cinco estrelas, também. Tudo é aprendizado, crescimento e experiência”.
Os elogios para a mãe também não faltaram. “Eu tenho uma mãe maravilhosa, que está sempre comigo em todos os momentos. Desde os ensaios, quando ela fica organizando tudo, até as apresentações, ela nunca me deixa sozinha. Isso me dá uma segurança enorme. É muito bom ter alguém para dizer se a roupa está boa, se o cabelo bagunçou, se o batom borrou. Ela também fala se eu cantei bem ou não. Ela é maravilhosa, uma inspiração como mulher forte, que nunca desiste. Nunca vi uma pessoa tão determinada quanto a minha mãe”.
Por Carolina Rampi