Ator que participou do remake de Pantanal comenta morte de Benedito Ruy Barbosa

Foto: Reprodução
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Autor ícone das novela estavas internado no Hcor (Hospital do Coração), em São Paulo

Morreu na manhã desta terça-feira (7) o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa. Ele estava internado no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo e, de acordo com boletim médico enviado pela unidade ao EXTRA, faleceu devido a complicações de insuficiência renal crônica. A notícia da internação havia sido confirmada na última segunda (6).

“O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de IRC (insuficiência renal crônica). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”, diz o comunicado do hospital.

Ainda de acordo com a unidade de saúde, o escritor tinha o diagnóstico de insuficiência renal crônica há três anos. Ele apresentava um histórico de internações por conta de infecções recorrentes do trato urinário. Em janeiro deste ano, ele havia ficado 19 dias internado também no HCor.

Trabalhos da vida

O autor de novelas era o mais velho entre cinco irmãos e nasceu no dia 17 de abril de 1931, no município de Gália, no interior de São Paulo. Sua infância, no entanto, foi vivida na cidade vizinha, Vera Cruz, uma área de cafezais com grande concentração de imigrantes japoneses e italianos. Seu pai, Otávio Barbosa, fundou e dirigiu o jornal A Voz de Vera Cruz até morrer, aos 29 anos de idade, em 1942.

O primeiro trabalho dele foi como auxiliar de guarda-livros. Diante da falta de perspectivas no interior do estado, mudou-se sozinho para São Paulo, onde passou a estudar à noite e trabalhar durante o dia. Até que ele buscou a família e passou a morar em um cortiço do bairro do Bom Retiro com os parentes. Benedito complementava sua renda trabalhando como vendedor de verduras na feira e faxineiro em um banco. Também trabalhou em um banco.

Em 1954, Benedito passou em um concurso promovido pelo jornal Estado de S. Paulo e foi contratado como revisor. Sua estreia como repórter aconteceu na editoria de esportes do jornal Última Hora. Trabalhou ainda na Gazeta Esportiva e foi redator de publicidade da Radial Propaganda. Nessa época, o primeiro romance que escreveu, “Fogo frio”, já fazia sucesso.

O sucesso lhe rendeu um convite para trabalhar como roteirista na agência J. W. Thompson, passando a cuidar de todas as novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive. Teve novelas exibidas pela TV Tupi, trabalhou ainda na Excelsior e na Record, até ser contratado como assessor especial pela TV Cultura, em 1971. Naquele mesmo ano, escreveu “Meu pedacinho de chão” produzida em parceria com a Globo e exibida simultaneamente nas duas emissoras.

Chegada na Globo

O contrato dele com a emissora foi assinado em 1976 para escrever “O feijão e o sonho”. Também fez “À sombra dos laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979). Ele passou pela TV Bandeirantes, para escrever “Os imigrantes” (1981), mas depois voltou para a Globo. Fez “Paraíso” (1982), “Voltei pra você” (1983), “De quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986) e “Vida Nova” (1988).

Benedito também dirigiu e reformulou os episódios do “Sítio do Picapau Amarelo”. Em 1990, foi trabalhar na TV Manchete, quando escreveu a novela “Pantanal”. Depois, com sucesso, ele voltou para a Globo e fez “Renascer” (1993). Teve ainda “O rei do Gado” (1996), “Terra Nostra” (1999), “Esperança” (2002), os remakes de “Sinhá Moça” e “Meu pedacinho de chão”, “Velho Chico (2016) e mais.

História com MS

Um dos seus principais trabalhos foi ‘Pantanal’, da qual teve remake adaptado por Bruno Luperi, neto de Benedito. Para o Jornal O Estado, o artista ator Tero Queiroz, natural de Mato Grosso do Sul e que participou do remake, comentou sobre a morte.

Ele avalia que a morte de Benedito Ruy Barbosa representa uma das maiores perdas para a cultura brasileira, principalmente pelo olhar que o dramaturgo dedicou ao interior do país e às pessoas que vivem longe dos grandes centros urbanos.

“A partida do Benedito é uma perda para a cultura brasileira profunda. Acho que ele foi um dos poucos autores que enxergaram o Brasil para além do centro, do Rio e de São Paulo, dos centros industriais. Ele contou a história dos interiores, dos chamados caboclos, dos peões.”
O ator, que participou do remake de Pantanal, lembra que cresceu em uma fazenda em Corguinho, no interior de Mato Grosso do Sul, e se reconhecia nas histórias escritas por Benedito.

“’O Rei do Gado’ é uma das melhores novelas já feitas no Brasil. Ela marcou muito a minha infância e também o campo onde eu vivia. Eu nasci e fui criado em Corguinho, nos arredores do Rochedo, em fazendas do interior de Mato Grosso do Sul. Quando assistia às novelas escritas por Benedito, sentia que a gente estava sendo visto, que não estava esquecido nos confins do Brasil.”

Para Tero, um dos maiores méritos do autor foi transformar em dramaturgia temas ligados ao homem do campo, aos biomas brasileiros e à preservação da memória, sem perder a força narrativa.
“A perda dele é a de um autor capaz de transpor o que via e sentia para a tela sem tornar isso piegas. As novelas eram muito bem escritas, as tramas muito bem construídas. Além de ‘O Rei do Gado’, ele deixou sucessos como ‘Renascer’ e ‘Sinhá Moça’, entre tantos outros. Benedito conseguiu preservar a memória do homem do campo, mostrar a importância dos biomas e defender essas ideias de uma forma muito direta e muito bonita.”

O ator também destacou a dimensão internacional da obra do dramaturgo e afirmou que seu legado continuará vivo por meio da família, que segue escrevendo para a televisão.
“As novelas brasileiras são consumidas em todo o mundo e Benedito exportou sua arte para o planeta inteiro. Além disso, fico feliz em ver que esse legado continua. O neto dele, Bruno Luperi, reescreveu o remake de ‘Pantanal’ do qual participei, e a filha dele, Edmara Barbosa, também é uma grande autora. Eles valorizam e ampliam esse legado.”
Por fim, Tero acredita que o maior reconhecimento ao escritor será manter sua obra viva e como referência para as próximas gerações.

“O que nos resta agora é celebrar a memória dele, sua história e tudo o que deixou sobre a arte de escrever novelas. Benedito conseguiu o que a maioria dos artistas sonha: deixar uma contribuição permanente para a cultura e para a história. Esse legado nunca deve morrer.”.

Cristiana Oliveira e o Pantanal

A atriz Cristiana Oliveira lamentou ao gshow a morte de Benedito Ruy Barbosa. A atriz relembrou a importância do dramaturgo em sua carreira, marcada pelo papel da primeira Juma de Pantanal, e como ele levou o Pantanal para o resto do Brasil. A novela foi exibida originalmente em 1990.

“Benedito faz parte da minha vida. Acho que é um pedacinho que vai embora, porque ele me deu um dos maiores presentes na teledramaturgia. Foi o início de tudo”, declarou.
Ela exaltou o legado do autor com obras como O Rei do Gado, Terra Nostra e Paraíso. “A perda dele dói em mim e acho que dói no Brasil inteiro, porque foi um homem que soube contar a história do Brasil que o Brasil não conhece”, afirmou.

A veterana das telas comenta a grandiosidade da perda e aposta o legado do escritor em sua família. “Tenho absoluta certeza que o neto dele e as filhas dele vão continuar com o legado dele. Mas ele deixou muita emoção no Brasil, através das personagens dele tão bem construídas e com as tramas tão bem elaboradas”, pontuou.

“É um luto para o Brasil dele não continuar escrevendo outras histórias, mas acredito que a família dele vai continuar com isso”, lamentou Cristiana. (Com informações da Folhapres e gshow).

Carolina Rampi

 

 

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