Companhia celebra história com apresentação especial no Parque das Nações Indígenas
Com a missão de levar arte, identidade e cultura pelo Brasil e pelo mundo, a Cia de Dança do Pantanal celebra oito anos de história. E para marcar sua trajetória, o grupo realiza uma apresentação gratuita na terceira edição do Campão Cultural. O público terá a oportunidade de assistir ao espetáculo ‘Janela do Dia’, uma montagem que convida a reflexão sobre a importância de olhar para o horizonte e abraçar as possibilidades que o presente nos oferece. A apresentação acontece neste sábado (29), na Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas, a partir das 18h.
“Assim como a janela física em nossas casas, a janela do dia nos encoraja a olhar para o horizonte e abraçar as possibilidades que o presente nos oferece. Cada amanhecer é uma lembrança de renovação, um convite para deixar para trás as preocupações do passado e abraçar a esperança do futuro que se desenrola além dessa janela. Portanto, aproveitemos cada manhã como uma oportunidade de começar de novo, com gratidão pela beleza que a janela do dia nos oferece”, diz a sinopse do espetáculo.
A direção artística fica por conta de Márcia Rolon; coreografia por Wellington Junior e trilha sonora da compositora Renata Rosa. No palco, os intérpretes-criadores Agustin Salcedo, Aline Espiírito Santo, Izabelle Paiva, Kelven Alex, Luz Coelho, Marcos Souza, Nayara Conceição e Núbia Santos dão vida a essa narrativa através do movimento e da expressividade corporal.
Caminhada
A Cia de Dança do Pantanal nasceu em 2017, e é um dos frutos do Moinho Cultural Sul-Americano. Ela nasceu de um projeto da Mostra Corumbá – Santuário Ecológico da Dança. Desde então, a companhia tem sido um verdadeiro palco para jovens talentos, promovendo a dança como uma ferramenta de transformação social e cultural. Para Márcia Rolon, diretora-executiva do Moinho Cultural, esse aniversário marca apenas o início de uma trajetória ainda mais grandiosa:
“Criamos a Cia de Dança do Pantanal com crianças que sonhavam em pisar no palco. Hoje, estamos levando o Pantanal, este bioma tão rico e as nossas complexidades fronteiriças, para o mundo. Completar oito anos é dar início a uma caminhada que esperamos que seja longa, brilhante e que inspire mais pessoas a acreditar e apoiar nossa jornada”, destacou.
Para Núbia Santos, bailarina que faz parte da Cia desde a sua fundação, a data tem um significado especial. “É como a realização de um sonho porque eu vi a Cia de Dança do Pantanal nascer. Eu ouvia a Márcia contar sobre o quanto seria importante o Moinho ter uma companhia de dança profissional, e isso torna tudo ainda mais especial porque eu sou fruto desse projeto. Hoje, quando olho para trás e vejo todo o caminho percorrido, percebo que fizemos história. A Cia é algo único para o estado, um produto real que entrega um trabalho potente, digno de ser visto pelo mundo. Amo fazer parte dessa história e levar a dança, que é o meu grande amor, com a Cia”, afirmou a bailarina.
A dança também tem um papel essencial na vida dos artistas que integram a companhia, como destaca a bailarina e professora da Cia, Taiandi Moraes. “Falar da Cia de Dança do Pantanal é falar da dança na minha vida. Se tornou um meio de autodescoberta, crescimento pessoal, conexão com outras pessoas e com o outro. Explorar emoções, expressar a individualidade e, acima de tudo, aprender a persistir. A existência dessa Cia é fundamental, principalmente para as novas gerações que estão chegando”, lembrou.
Um dos espetáculos de maior destaque da Cia é GUADAKAN. Com coreografia de Chico Neller, a obra é inspirada em um mito indígena Guató, etnia presente na fronteira entre Brasil e Bolívia, e conduz o público às origens dos povos pantaneiros, compartilhando sua sabedoria ancestral e um poderoso alerta sobre a preservação do bioma. Desde sua estreia, a montagem já encantou mais de quatro mil espectadores em diversas cidades, incluindo Corumbá, Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, além de Rio de Janeiro e Assunção, no Paraguai.
“É um espetáculo que nos convida a refletir sobre os desafios ambientais do Pantanal, trazendo à cena as transformações que esse bioma enfrenta, desde queimadas e secas até o processo de regeneração. A arte tem o poder de mobilizar e despertar um olhar mais empático sobre a relação entre o ser humano e a natureza”, destacou a coordenadora de dança do Moinho Cultural e bailarina da Cia, Aline Silva Espírito Santo.
Futuro brilhante
De acordo com Márcia Rolon, a continuidade e expansão da Cia de Dança do Pantanal só são possíveis graças ao apoio de diversos parceiros que acreditam na força transformadora da arte. A Companhia conta com o suporte do Instituto Cultural Vale, do Ministério da Cultura e do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul. Neste ano, com o incentivo exclusivo via Pronac, a Cia também passou a contar com novos patrocinadores: JMacedo, BTG Pactual e Too Seguros.
“A cultura sul-mato-grossense, com o Pantanal como sua essência, é a base da nossa identidade artística. Para 2025, temos uma série de projetos e eventos planejados, todos alinhados com a valorização das nossas raízes e a difusão da cultura pantaneira por meio da dança. Nosso compromisso é continuar levando a riqueza do nosso estado para novos palcos, conectando públicos diversos à força e à beleza do Pantanal através da arte”, finalizou Aline.
Serviço: O espetáculo ‘Janela do Dia’ será apresentado neste sábado (29), na Concha Acústica Helena Meirelles, no Parque das Nações Indígenas, às 18h, com entrada gratuita.
Por Carolina Rampi e Amanda Ferreira