Bonito CineSur encerra 4ª edição com filmes premiados

Foto: Reprodução
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Evento reforçou integração do cinema sul-americano

Após nove dias de programação, o Bonito CineSur encerrou sua quarta edição premiando produções do Brasil, Paraguai, Peru, Colômbia e Equador. Além de revelar os vencedores das mostras competitivas, o festival homenageou o cineasta e indigenista Vincent Carelli e consolidou Bonito como ponto de encontro do audiovisual sul-americano.

Os atores Valentina Herszage e Paulo Betti subiram ao palco do Auditório Kadiwéu – Centro de Convenções de Bonito para conduzir a cerimônia que premiou os curtas e longas-metragens escolhidos pelos jurados e pelo público nas mostras Sul-Matogrossense, Ambiental e Sul-Americana.

Do palco, os apresentadores resumiram o espírito do festival. “O cinema é a janela para o mundo. Nos dá asas para voarmos no horizonte e além”, afirmou Valentina Herszage, enquanto Paulo Betti completou: “O cinema nos reuniu aqui, no coração do Pantanal, e nos presenteou com histórias que atravessaram fronteiras, línguas e culturas, trazendo à tona a potência e a diversidade da nossa América do Sul.”

Outro destaque da noite foi a entrega do Troféu Pantanal ao cineasta e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, em reconhecimento pelo conjunto de sua obra cinematográfica. O cineasta que fez do cinema uma ferramenta de luta. Carelli, antropólogo de formação e cineasta por urgência, fundou, em 1986, o projeto Vídeo nas Aldeias e entregou as primeiras câmeras VHS nas mãos dos Waiãpi, no Amapá. Pela primeira vez, indígenas assumiam o controle da própria imagem e deixavam de ser apenas objeto do olhar do outro. Nascia ali o primeiro cinema indígena das Américas. Vídeo nas Aldeias é uma escola, um arquivo vivo, uma trincheira política. A poética de Carelli é a da escuta para devolver a palavra e a imagem aos povos originários. Seu trabalho atravessa o cinema, a antropologia e a luta por direitos.

A premiação especial entregue a Vincent se soma à concedida à atriz chilena Paulina García, grande homenageada desta edição, que recebeu o Troféu Pantanal na noite de abertura do Festival, em 24 de julho.

“Estou muito feliz. Esse Festival é feito com muito amor, capricho e uma missão rara, a de conhecer mais de perto e conectar o cinema sul-americano. Escolhemos para exibir ontem um filme chamado ”Martírio’ , sobre o genocídio do povo Guarani-kaiowá. Estou aqui portando esse xale palestino em solidariedade ao povo palestino. Costumo dizer que a região dos Guarani-kaiowá é a nossa Faixa de Gaza. Lamentavelmente, é um genocidcio que não para há 40 anos e parece que a humanidade ruma à barbárie. Agradeço à todos e vamos em frente.”

O júri internacional de cinema sul- americano foi composto por Celso Franco, Dandara Ferreira e Gabriela Sandoval. Minom PInho, Olinda Tupinambá, Vincent Carelli integraram o júri da mostra ambiental. Enquanto o júri sul-mato-grossense foi formado por Daniela Siqueira, Luiz Carlos Lacerda (Bigode) e Solange Bouffay.

Vencedores da 4a edição do Bonito Cinesur.

Confira os vencedores do voto popular:

* JÚRI POPULAR

Melhor Longa-Metragem Sul-Americano

NAIRA, de Gabriela Quiroz (PERU)

Melhor Curta-Metragem Sul-Americano

A VIDA DE JERÔNIMO DENTRO E FORA DA CASCA, de Andrews Nascimento (BRASIL)

Melhor Longa-Metragem Ambiental

PÁRAMOS II EL ORIGEN, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)

Melhor Curta-Metragem Ambiental

BUEN VIVIR – ÑUTSE CANSEYE, de Zoé Nathalie Kugler (EQUADOR)

Melhor Filme Sul Matogrossense

HIGA KE – OLHO POR OLHO, de Conrado Roel e Debora Bah

*JÚRI OFICIAL SUL-AMERICANO

Melhor Longa-Metragem Sul-Americano

¿QUIEN MATÓ A NARCISO?, de Marcelo Martinessi (PARAGUAI)

Melhor Curta-Metragem Sul-Americano

SUKUA, de Omar E. Ospina (COLÔMBIA)

Melhor Longa-Metragem Ambiental

PÁRAMOS II EL ORIGEN, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)

Melhor Curta-Metragem Ambiental

HIPOPÓTAMOS, EL ARCA DE ESCOBAR, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)

Melhor Filme Sul-Mato-Grossense

NATASHA, de: Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta

MENÇÃO HONROSA

Menção Honrosa ao filme sul mato grossense QUATRO LUAS PANTANEIRAS, de Ana Carla Loureiro

Menção Honrosa ao longa sul americano NAIRA, de Gabriela Quiroz (PERU)

Pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro

O Diretor geral do Bonito CineSur, Nilson Rodrigues, agradeceu à equipe de produção, aos patrocinadores e ao poder público de Bonito e reafirmou o papel de integração e união entre os países que o festival tem: “O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem, nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema”.

 

 

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