Artistas e familiares prestam homenagens a grafiteiro morto em acidente na Zahran

Foto: Reprodução
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Pedro Morato perdeu o controle da motocicleta que conduzia e bateu em um muro de comércio

Artistas do meio do grafite e das artes urbanas postaram homenagens a Pedro Nunes Moraes Morato, de 33 anos, morto na noite do último domingo (2), em um acidente de trânsito na Avenida Fábio Zahran, na Vila Carvalho, em Campo Grande. Pedro, que também era artista digital, ilustrator e designer, deixa um filho de 10 anos.

Produtora, curadora e artista visual, Laís Rocha Oliveira, conhecida como Bejona, comentou a falta que Pedro fará no meio artístico. “É inacreditável como a vida é incostante… Sentiremos muito a sua falta, amigo, você é gigante e sempre será lembrado por tudo de maravilhoso que sempre foi”.

Assim como Bejona, o artista Leo Mareco é conhecido por suas artes no lambe-lambe, arte urbana que ocupa as ruas junto com o grafite. “Sua arte será eterna, meu mano”, postou em suas redes sociais junto a uma foto com Pedro e outros amigos, na frente de um mural. “Vários projetos juntos, Pedro sempre foi muito generoso. Ele acreditou na minha arte antes de mim mesmo! Foi ele quem apresentou meu trabalho ao Felipe Grimaldi e que me abriu muitas portas! Só lembranças boas de você meu mano e eterna gratidão”, complementa.

Professora, grafiteira e muralista, Erika Pedraza chamou Pedro de “Jacaré Maluquinho do Rolê”, em referência à arte de assinatura do artista, o jacaré Jacobino. “Não encontro uma foto nossa, mas sei que tem. Mas encontrei essa de você sorrindo. É como a gente vai lembrar de você. Hoje a cena de Graffiti Campão tá de luto!”.

Lucas Nascimento, o Rabisco Easy, postou uma animação utilizando o jacaré, símbolo de Pedro. No stopmotion, a arte termina com o animazinho partindo para o céu.

Uma tia de Pedro postou em suas redes sociais sobre a perda do sobrinho, a quem chamou carinhosamente de Pedroca. “Madrugada triste, muito triste. Pedroca foi embora, assim, de maneira inesperada, sem dar tempo da gente abraçar, beijar, sentir seu cheiro, ouvir sua voz linda, sua risada, ver seus lindos olhos brilhando, curiosos, enquanto sua mente, criativa, borbulhava, e um novo desenho se transformava em um lindo mural”, disse.

“Pedro deixou seu jeito ímpar de ser: doce, gentil, carinhoso, bem-humorado, aventureiro… Meu amor, nesses 33 anos de convivência, você só me ensinou, desde criancinha, nos deu tanto amor. Estávamos esperando por você aqui conosco e agora tudo que espero é que você seja bem recebido aí no outro plano”.

A familiar terminou a homenagem agradecendo pela presença de Pedro. “Te amamos, sobrinho, ao infinito e além. Siga em paz”.

No aniversário de seis anos do filho, o artista publicou uma fotografia dos dois juntos, relatando o orgulho de ser pai. “Tudo que eu tenho, todo meu amor, minha maior riqueza. São seis anos que minha vida mudou para tudo que há de melhor no mundo, meu amigo, meu chulé, meu periquitinho, o Pai te ama infinitamente, obrigada, Deus! Obrigada filho por existir na minha vida!”.

A arte de Pedro Morato faz parte de Campo Grande, sendo uma presença constante em praças, muros e vias da cidade. Seu jacaré, que ganhou o nome de Jacobino, representa o jacaré-do-papo-amarelo, nativo do Cerrado, marca registrada de seu trabalho, habita locais como o Parque das Nações Indígenas, na pista de skate, e na Avenida Fábio Zahran, próximo à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Em 2021, ele fez parte do projeto artístico ‘Mural Arte Urbana’, realizado pela Águas Guariroba, junto a outros cinco artistas, que trabalharam em conjunto para grafitar o muro da ETA (Estação de Tratamento de Água), no bairro Vilas Boas. O mural de 282 m², considerado um dos maiores da Capital.

“Nasci em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Desenvolvi uma identidade artística focada no Pantanal. Ao criar grafites, animações e ilustrações, incluo elementos regionais, como o cotidiano do pantaneiro, animais, natureza, costumes e memórias da minha infância”, descreve em seu portfólio.

O acidente

Pedro morreu ao se envolver em um acidente na Avenida Fábio Zahran, mesma rua onde existe um mural de sua autoria. A colisão aconteceu por volta das 20h30 e mobilizou equipes de resgate, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.

Conforme informações do boletim de ocorrência, Pedro conduzia uma motocicleta Royal Enfield Himalayan quando colidiu com um BYD Dolphin, que seguia na mesma direção, no cruzamento com a Rua das Primaveras.

O artista percorreu mais alguns metros na avenida, mas, ao olhar para trás em determinado momento, perdeu o controle da motocicleta logo depois de uma bifurcação com a Rua Ouro Branco. Ele então atingiu o muro de um comércio.

A força do impacto foi tão intensa que o capacete usado por Pedro se partiu. O Corpo de Bombeiros foi acionado, porém a equipe constatou que o motociclista já estava sem vida quando chegou ao local.

A área foi isolada para o trabalho da perícia e o caso será investigado para esclarecer as circunstâncias do acidente. O corpo da vítima foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal).

 

Por Carolina Rampi e Juliana Aguiar

 

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