Reconhecida como Patrimônio Imaterial de MS, Festa do Divino Espírito Santo preserva há mais de um século a fé, a cultura e as tradições da Comunidade Quilombola Santa Tereza, em Figueirão
A tradicional Festa do Divino Espírito Santo, realizada pela Comunidade Quilombola Santa Tereza, em Figueirão, iniciou suas celebrações nos dias 9 e 10 de maio, reunindo moradores, foliões e visitantes em momentos marcados pela fé, cultura popular e confraternização. Agora, a expectativa se volta para a continuidade da programação, que acontece nos dias 23 e 24 de maio, encerrando a 115ª edição de uma das manifestações religiosas mais importantes da região norte de Mato Grosso do Sul.
Após a saída da bandeira e o percurso realizado pelos foliões ao longo de 15 dias pelas propriedades e comunidades da região, a chegada da bandeira será um dos pontos centrais da programação do próximo fim de semana. O retorno dos devotos simboliza a preservação das tradições transmitidas entre gerações da comunidade quilombola de Santa Tereza.
No sábado, 23 de maio, os festejos começam à tarde com a recepção dos foliões e da bandeira. Em seguida, haverá celebração de missa, jantar comunitário, reza do terço, hasteamento do mastro e a tradicional queima da fogueira. A noite segue com apresentações culturais, incluindo a dança do catira, além de baile e leilão, reunindo famílias e visitantes em um ambiente de fé e celebração popular.
Já no domingo, 24 de maio, a programação terá início logo cedo com café da manhã coletivo. Durante o dia também serão realizados sorteio da festa do próximo ano, apresentações musicais ao vivo, leilão e almoço gratuito para os participantes. A organização reforça que os visitantes devem levar pratos e talheres para as refeições e lembra que não será permitida a entrada de bebidas no recinto da festa.
A 115ª Festa do Divino Espírito Santo é organizada pelos festeiros Joaquim Amorim Malaquias e Sirleia Aparecida Rodrigues Malaquias, juntamente com membros da comunidade local. O evento conta ainda com apoio de instituições culturais, religiosas e do poder público municipal, mantendo viva uma celebração que representa não apenas a religiosidade, mas também a identidade histórica e cultural da Comunidade Quilombola Santa Tereza.
Tradição cultural
Em entrevista ao Jornal O Estado, Fernanda Rodrigues Pereira, integrante da família organizadora e responsável pela divulgação da 115ª Festa do Divino Espírito Santo, afirmou que a expectativa para a edição de 2026 é bastante positiva.
Segundo ela, os preparativos vêm sendo realizados há meses, com atenção aos detalhes e dedicação da comunidade para garantir uma celebração marcada pela organização, fé e preservação das tradições culturais da Comunidade Quilombola Santa Tereza.
“A cada dia a ansiedade aumenta, porque essa festa representa muito para todos nós. Os 15 dias do giro da bandeira são um momento de fé, encontros e fortalecimento da nossa cultura. Esperamos receber a população com muita alegria e acreditamos que será mais uma edição especial, marcada pela união, pela tradição e pela participação da comunidade”, destacou Fernanda.
A Festa do Divino Espírito Santo representa mais do que uma celebração religiosa para a Comunidade Quilombola Santa Tereza. Segundo ela, a tradição faz parte da identidade local e atravessa gerações desde 1909, mantendo viva a memória, a cultura e os costumes herdados dos antepassados da comunidade.
“A nossa comunidade é muito unida e isso fica ainda mais forte durante a realização da festa. Cada família contribui de alguma forma, seja na organização, no preparo das atividades, no giro da bandeira ou recebendo os visitantes e foliões. É essa união que mantém viva a nossa tradição, a nossa cultura e a fé que aprendemos com os nossos antepassados”, afirmou a organização.
Patrimônio Imaterial de MS
A história da Festa do Divino Espírito Santo, teve início por volta de 1909, durante uma epidemia de febre que atingiu a região e afetou integrantes da família Malaquias. Diante da gravidade da situação e sem encontrar cura nos remédios caseiros conhecidos na época, Dona Maria Francelina fez uma promessa ao Divino Espírito Santo: caso conseguisse salvar seus familiares, realizaria todos os anos uma celebração em agradecimento.
Após encontrar raízes medicinais no cerrado e preparar remédios que ajudaram na recuperação dos doentes, nasceu a tradição religiosa que atravessa gerações até os dias atuais.
Nos primeiros anos, a comemoração era simples e reunia apenas familiares e pessoas próximas, com rezas e confraternizações. Em 1913, a festa ganhou uma nova dimensão com a criação do tradicional “Giro da Bandeira”, realizado por foliões que percorriam grandes distâncias a cavalo levando fé, orações e a bandeira do Divino Espírito Santo às famílias da região.
“O reconhecimento da nossa Festa do Divino Espírito Santo como Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul foi muito importante para a nossa comunidade, porque além de trazer maior valorização e reconhecimento da nossa história e cultura, também fortalece a preservação dessa tradição centenária”, conta.
Mesmo com adaptações ao passar dos anos, a essência da tradição permanece viva desde o início do século passado. Em reconhecimento à importância cultural e histórica da celebração, a Festa do Divino Espírito Santo da Comunidade Santa Tereza foi declarada Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul por meio de decreto estadual publicado em 2021.
“Esse reconhecimento ajuda a mostrar a importância da festa não só para a nossa comunidade, mas para todo o estado. Além disso, os apoios e recursos conquistados através desse tombamento contribuem para manter firme a nossa tradição”, finaliza.
Serviço: Para saber mais informações a respeito da programação, acesse o perfil no instagram oficial da Capela; @capela_divino.espirito.santo.
Amanda Ferreira