Tecnologia reduz mão de obra nas lavouras de soja e milho em MS

Marcos Maluf (Comunicação Aprosoja/MS)
Marcos Maluf (Comunicação Aprosoja/MS)

Mecanização e automação reduziram em 6,9% os trabalhadores da soja e em 10% os do milho, enquanto agroindústria e agrosserviços ampliaram a ocupação 

A produção de soja e milho avança em Mato Grosso do Sul, mas o número de trabalhadores diretamente envolvidos nas lavouras vem diminuindo. O movimento é associado ao avanço da mecanização, da automação e da tecnificação no campo.

Na soja, a população ocupada recuou 6,9%, o equivalente a 31.987 trabalhadores. No milho, a redução foi de 10%, com 43.087 pessoas a menos. Os dados fazem parte do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

A redução ocorre mesmo com a produção elevada em Mato Grosso do Sul. Na safra 2025/2026, o Estado registrou 16,7 milhões de toneladas de soja e 11,1 milhões de toneladas de milho.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a mecanização e a automação diminuem a necessidade de determinadas atividades manuais, mas aumentam a demanda por profissionais em outras áreas da cadeia produtiva.

“No caso da soja e do milho, a mecanização e a automação reduzem determinadas atividades manuais. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva mantém demanda por trabalhadores em áreas como agroindústria, agrosserviços, assistência técnica, logística, manutenção e operação de máquinas”.

O cenário acompanha uma mudança no mercado de trabalho do agronegócio brasileiro. Em 2025, o setor empregou 28,40 milhões de pessoas, o maior número da série histórica iniciada em 2012. O total representa 26,3% da população ocupada no país e um aumento de 601.806 trabalhadores em relação a 2024.

Enquanto o segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária, registrou queda de 1,1%, com 87.378 trabalhadores a menos, a agroindústria cresceu 1,4% e os agrosserviços avançaram 6,1%.

Em Mato Grosso do Sul, a agropecuária encerrou 2025 com saldo positivo de 1.256 empregos formais, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No mesmo ano, o Estado teve saldo geral de 19.756 vagas com carteira assinada, enquanto construção civil, serviços, indústria e comércio apresentaram resultados superiores.

O mercado de trabalho rural também sofre influência do calendário agrícola. Em abril de 2026, a agropecuária registrou saldo negativo de 115 vagas em MS. Em agosto de 2025, foram 175 vagas negativas, período que coincidiu com o vazio sanitário da soja.

Com o encerramento do vazio sanitário em 15 de setembro e a liberação do plantio a partir de 16 de setembro, a demanda por trabalhadores ligados à produção de soja volta a acompanhar o início da nova safra.

A transformação tecnológica também aumenta a importância da qualificação profissional. Um levantamento da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com base em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do Caged de 2021, mostra diferenças de remuneração entre trabalhadores da agropecuária conforme o nível de escolaridade.

Nos municípios analisados, mulheres com ensino superior completo apresentaram remuneração média de R$ 5.138,46, enquanto aquelas com ensino médio tiveram média de R$ 2.378,29.

“A tecnologia aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para operar máquinas, utilizar ferramentas digitais e atuar em atividades de gestão e suporte à produção. A qualificação passa a fazer parte da estrutura necessária para acompanhar as mudanças na agricultura”, finaliza Raphael.

Além do impacto no mercado de trabalho, soja e milho têm peso relevante na economia de Mato Grosso do Sul. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 2,94 bilhões dos US$ 10,1 bilhões exportados pelo agronegócio sul-mato-grossense.

 

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