Contratação de seguro agrícola despenca 42,7% em MS em 2026

Crédito: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Crédito: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Queda nas contratações entre janeiro e maio ocorre em meio à redução da proteção subsidiada e reforça a importância da gestão de riscos no planejamento da safra

A contratação de seguro agrícola em Mato Grosso do Sul caiu 42,7% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Conjuntura CNseg, análise mensal da Confederação Nacional das Seguradoras.

No acumulado de 12 meses, entre maio de 2025 e maio de 2026, a retração foi ainda maior, chegando a 47,3%. Mesmo com a redução, o Estado representa 9,2% do mercado nacional de seguro agrícola.

A queda ocorre em um cenário no qual o seguro rural ganha importância para o planejamento financeiro da atividade agrícola, já que a produção concentra uma parcela significativa do capital investido pelo produtor antes da colheita e da geração de receita.

Para o economista e diretor de negócios da Agricon Consultoria, Hudson Garcia, o seguro agrícola deve ser considerado uma ferramenta de gestão de riscos, e não apenas uma despesa adicional da produção.

“O seguro agrícola é uma ferramenta estratégica porque permite ao produtor transferir parte de um risco que, de outra forma, ficaria totalmente dentro da propriedade. É uma forma de proteger o capital investido na lavoura e preservar a capacidade financeira do produtor diante de uma eventual perda”, explica.

Segundo o especialista, a contratação precisa ser avaliada ainda durante o planejamento da safra, considerando o volume de capital exposto e a capacidade financeira de cada propriedade.

“A questão não é simplesmente quanto custa o seguro, mas quanto risco o produtor consegue assumir. É preciso avaliar quanto capital está exposto, quais riscos podem comprometer esse capital e quanto dessa exposição pode ser transferida por meio da cobertura contratada”, afirma.

Seguro agrícola como proteção ao capital

O seguro agrícola é uma das modalidades do seguro rural destinadas à proteção contra perdas provocadas por eventos climáticos, de acordo com as condições estabelecidas em cada apólice.

A cobertura pode ser estruturada sobre diferentes bases, como custeio, produtividade ou faturamento, conforme as características do produto contratado.

Para Hudson Garcia, o seguro precisa ser analisado dentro da estrutura financeira completa da produção agrícola.

“O produtor planeja os custos com sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, operações, mão de obra, financiamento e logística. O seguro precisa estar dentro dessa mesma lógica de planejamento, porque estamos falando de proteger uma parcela do capital que foi investido antes de a receita da produção acontecer”, destaca.

Programa de subvenção também registra redução

A retração na contratação do seguro agrícola em Mato Grosso do Sul ocorre paralelamente à diminuição da proteção proporcionada pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Em 2024, aproximadamente R$ 1,072 bilhão em subvenções permitiram a emissão de 138.101 apólices. Naquele ano, as apólices abrangiam cerca de 7,3 milhões de hectares e R$ 51,6 bilhões em capital segurado.

Já em 2025, foram utilizados R$ 565,4 milhões em recursos, atendendo mais de 42 mil produtores, com 3,2 milhões de hectares e R$ 17,8 bilhões de capital protegido.

Os números do PSR não representam todo o mercado de seguro agrícola, uma vez que também existem contratações realizadas sem subvenção federal. Ainda assim, os dados demonstram a redução da área protegida pelo programa nos últimos anos.

Risco deve ser considerado no planejamento da safra

Na avaliação do economista, não existe uma fórmula única para determinar quanto da produção deve ser protegido por seguro. A decisão depende do nível de risco que cada propriedade consegue absorver sem comprometer sua estrutura financeira.

“Todo negócio assume riscos. No agronegócio não é diferente. O produtor pode reter determinados riscos, reduzir outros com tecnologia e manejo e transferir uma parcela por meio do seguro. O importante é entender qual nível de risco a propriedade consegue suportar sem comprometer seu capital de giro, suas obrigações e a próxima safra”, conclui.

Cenário climático exige atenção

A próxima safra também será acompanhada de um cenário de atenção às condições climáticas. A atualização de agosto do Climate Prediction Center, da NOAA, aponta 95% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026.

O fenômeno, porém, não determina isoladamente o comportamento da produção agrícola. O impacto sobre as lavouras depende de fatores como cultura, localização, características do solo, época de plantio, manejo e distribuição das chuvas.

Diante desse cenário, a queda na contratação de seguro agrícola reforça a necessidade de planejamento e gestão de riscos por parte dos produtores de Mato Grosso do Sul, especialmente para proteger o capital investido durante o ciclo produtivo.

 

** Com informações de assessoria

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