Boi gordo em alta muda estratégia da indústria e provoca férias coletivas

Foto: Divulgação Sicadems
Foto: Divulgação Sicadems

Menor disponibilidade de animais leva frigoríficos a reduzir ritmo de abate

 

Recentemente uma das maiores empresas de frigoríficos, no Brasil anunciou férias coletivas para funcionários de duas unidades em Mato Grosso. O principal motivo é a alta na arroba do boi gordo que vem elevando os custos de produção. A prática também é comum em Mato Grosso do Sul.

Segundo Douglas Coelho, analista de mercado pecuário, essa é uma estratégia natural da indústria.” Eles utilizam para adequar as suas operações de acordo com as disponibilidades de animais em cada período. A ociosidade para o frigorífico é um custo alto também. Imagina manter o funcionário, depender de bastante energia e tudo mais, para ter uma oferta contida. E o que a gente viu em 2026 é uma junção de disponibilidade de animais mais restrita, junto com um começo de ano bem chuvoso”, relatou.

O ritmo acelerado do preenchimento da cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China, em um momento de oferta restrita de animais para abate, fez o preço do boi gordo atingir recorde nominal histórico.

Para Douglas, a paralisação não impacta diretamente no consumidor final. “Acredito que seja mais uma resposta dessa oferta restrita. Já estamos entrandeo em maio e não tivemos uma queda expressiva no momento, apenas alguns ajustes que são naturais, mas o que estamos vivendo em 2026, é um ano de firmeza como um todo”

Nesta segunda-feira (27), das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 26 não tiveram alterações nos preços do boi gordo. Houve quedas de valores no Triângulo Mineiro, Belo Horizonte (MG), sul de Minas Gerais, Goiânia (GO), sul de Goiás, Dourados (MS) e Redenção (PA).

Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado o boi gordo seguiu cotado a R$ 363 a arroba para o pagamento a prazo. A cotação do “boi China” caiu R$ 3, para R$ 365 a arroba.

Mercado externo

As exportações de carne bovina seguem em bom ritmo. Dados da Secex  (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que o volume médio que tem sido embarcado por dia segue acima de 10 mil toneladas. Na parcial de abril (16 dias úteis), a média está em 13.516 toneladas diárias de carne in natura.

Segundo o analista pecuário ” Os países vizinhos como Uruguai e Argentina tem matéria prima mas é uma matéria prima mais cara, que não tem muita regularidade para atender grandes players como a China. Então estamos em uma situação previlegiada, por mais que estamos entrando em um ciclo de enxugamento de oferta”, completou.

 

Polyana Vera

 

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