Série Mestres em Artes da UFMS – Primeira Turma

Foto: Acervo da Mestre Neddy
Foto: Acervo da Mestre Neddy

Neddy Esther Moraes: arte, planejamento e inclusão na formação humana

Nesta edição, conheceremos a trajetória de Neddy Esther Pache de Souza Asseff de Moraes, professora, pesquisadora e Mestre em Artes pela UFMS, cuja atuação une arte, educação e inclusão, reafirmando o papel do planejamento pedagógico na formação estética e humana dos estudantes em Campo Grande, MS.

A trajetória da professora e artista visual Neddy Esther Pache de Souza Asseff de Moraes é marcada pelo encontro entre arte, educação e inclusão. Integrante da primeira turma do Mestrado Profissional em Artes (PROF-ARTES/UFMS), sua atuação profissional revela uma busca constante por compreender como a arte pode contribuir para a formação humana e ampliar as possibilidades de aprendizagem de todos os estudantes.

Foto: Acervo da Mestre Neddy

Formada inicialmente no Bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em 2003, Neddy construiu sua carreira entre a produção artística e a docência. Ao longo dos anos, atuou tanto no ensino regular quanto na educação especial, experiências que fortaleceram sua convicção de que o ensino de arte deve ser acessível, significativo e capaz de acolher diferentes formas de aprender.

A inquietação surgida no cotidiano escolar foi o ponto de partida para sua pesquisa de mestrado. Segundo a pesquisadora, uma das questões que mais chamavam sua atenção era a forma como o planejamento das aulas de Arte frequentemente era tratado apenas como uma exigência burocrática, sem uma intencionalidade pedagógica voltada para o desenvolvimento estético dos estudantes. Essa reflexão tornou-se o centro de sua dissertação, intitulada Planejamento no ensino de artes visuais na perspectiva histórico-crítica: objetivação e elevação estética.

Produção com alunos e intervenção da artista e professora Neddy – Foto: Acervo da Mestre Neddy

Desenvolvida a partir dos referenciais da Pedagogia Histórico-Crítica, de Dermeval Saviani, e da teoria histórico-cultural de Lev Vigotski, a pesquisa buscou demonstrar que o planejamento não deve se limitar à organização de atividades, mas constituir-se como um instrumento capaz de promover experiências estéticas significativas. Para Neddy, o contato mediado com obras de arte amplia a capacidade dos estudantes de imaginar, sentir e compreender o mundo, contribuindo para sua formação cultural e humana.

A investigação analisou um plano de aula elaborado pela própria pesquisadora para turmas da Educação Infantil da Escola Municipal João Nepomuceno, em Campo Grande. A proposta utilizou obras do artista sul-mato-grossense Pedro Guilherme, reconhecido por suas representações da fauna regional e das referências culturais dos povos Terena e Kadiwéu. Os resultados evidenciaram que o contato sistematizado com produções artísticas qualificadas favoreceu a ampliação do repertório visual das crianças, permitindo novas formas de percepção e expressão.

Após a conclusão do mestrado, Neddy assumiu funções de coordenação pedagógica em escolas da rede municipal de ensino, experiência que ampliou sua compreensão sobre os desafios enfrentados pelos professores no planejamento das práticas educativas. Posteriormente, passou a atuar na Sala de Recursos Multifuncionais, desenvolvendo atividades voltadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Foto: Acervo da Mestre Neddy

Nesse contexto, a professora tem utilizado a Metodologia Triangular, proposta por Ana Mae Barbosa, como uma das principais referências para o trabalho pedagógico. A abordagem articula o fazer artístico, a leitura de imagens e a contextualização histórica e cultural, favorecendo múltiplas formas de acesso ao conhecimento e contribuindo para uma educação mais inclusiva.

Ao refletir sobre os impactos do mestrado em sua trajetória, Neddy destaca que a principal transformação ocorreu na maneira de compreender a educação e a arte. O aprofundamento teórico permitiu que práticas antes realizadas de forma intuitiva passassem a ser desenvolvidas de maneira mais consciente e fundamentada. Essa mudança fortaleceu seu compromisso com uma educação que valoriza o desenvolvimento estético, a diversidade dos sujeitos e o acesso à produção cultural como elementos essenciais da formação humana.

Atualmente, suas reflexões apontam para novas possibilidades de pesquisa, envolvendo temas como o desenho infantil, a aplicação da Metodologia Triangular em diferentes áreas do conhecimento e na Educação Especial, além da saúde mental dos professores. Questões que, segundo ela, emergem diretamente das demandas e desafios encontrados no cotidiano escolar.

A trajetória da professora artista e pesquisadora Neddy Esther Moraes demonstra como a formação continuada pode transformar práticas pedagógicas e ampliar horizontes de atuação. Entre a arte, a pesquisa e a educação inclusiva, sua experiência reafirma o papel do professor como mediador cultural e agente de transformação, comprometido com uma escola capaz de promover aprendizagens significativas para todos.

Por Alex Barbosa de Lima

 

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