Vereadores levam pedido à Sejusp e defendem mais efetivo e estrutura para a fronteira
A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos voltou a colocar as áreas de fronteira brasileiras no centro do debate sobre combate ao crime organizado. Em Mato Grosso do Sul, que faz divisa com Paraguai e Bolívia e ocupa posição estratégica nas rotas do tráfico internacional, o assunto ganhou novos desdobramentos nesta semana com a mobilização de autoridades de Ponta Porã em busca de reforço no policiamento local.
Na quarta-feira (3), uma comitiva liderada pelo presidente da Câmara Municipal, Jelson Bernabé (Republicanos), se reuniu com o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira. Durante o encontro, os parlamentares entregaram um documento solicitando aumento do efetivo policial e investimentos em infraestrutura, equipamentos e recursos humanos para atender o município e seus distritos.
Além de Bernabé, outros vereadores participaram da agenda, que também contou com representantes da administração municipal. Entre as demandas apresentadas ao Governo do Estado está o fortalecimento das estruturas das polícias Civil e Militar, diante das características da cidade, localizada na linha internacional com o Paraguai.
A reivindicação ocorre em meio à repercussão da decisão anunciada pelo governo norte-americano em 28 de maio, que incluiu PCC e CV na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (5) e amplia os instrumentos que podem ser utilizados pelos Estados Unidos para monitorar e combater atividades ligadas aos grupos criminosos.
Embora a determinação não altere a legislação brasileira nem modifique o enquadramento jurídico das facções no país, ela aumenta a atenção internacional sobre territórios considerados estratégicos para a atuação dessas organizações. Mato Grosso do Sul aparece com frequência nesse contexto devido à posição geográfica e à presença de municípios fronteiriços que são alvo constante de operações contra o tráfico de drogas, armas e outros delitos transnacionais.
Durante a reunião, os vereadores defenderam a necessidade de investimentos contínuos para ampliar a capacidade de atuação das corporações na região. Segundo os parlamentares, a presença mais efetiva das forças policiais é uma das cobranças mais frequentes feitas pelos moradores, tanto na área urbana quanto em localidades mais afastadas.
O documento entregue à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) propõe uma série de medidas, entre elas melhorias na estrutura das unidades policiais, aquisição de novos equipamentos e fortalecimento das condições de trabalho dos profissionais responsáveis pelo atendimento à população.
Para Jelson Bernabé, a pauta reflete uma demanda antiga dos moradores de Ponta Porã. “Estamos levando ao Governo do Estado uma reivindicação legítima da população de Ponta Porã. Nossa cidade possui características específicas por estar localizada na faixa de fronteira, o que torna ainda mais importante o fortalecimento das forças de segurança. Precisamos garantir condições adequadas para que as corporações possam desempenhar seu trabalho com eficiência e proporcionar mais tranquilidade aos cidadãos”, afirmou.
O presidente da Câmara destacou ainda que o tema tem sido tratado como prioridade pelo Legislativo municipal. Segundo ele, o crescimento das demandas exige uma estrutura compatível para garantir respostas mais rápidas às ocorrências e ampliar as ações preventivas.
Os parlamentares ressaltaram que as reivindicações não se restringem ao perímetro urbano. Distritos e comunidades rurais também foram incluídos no documento encaminhado ao Estado, por enfrentarem desafios semelhantes relacionados ao atendimento policial.
A expectativa é que as demandas apresentadas à Sejusp resultem em novos investimentos para o município. A intenção é ampliar a capacidade operacional das corporações, melhorar o atendimento à população e reforçar a sensação de segurança em uma das áreas mais estratégicas de Mato Grosso do Sul.
Por Danielly Carvalho