Militar à paisana ouviu gritos de socorro, presenciou um disparo contra a vítima e interveio na ação criminosa
O roubo que deixou uma vítima baleada na cabeça, na sexta-feira (29), terminou com a prisão de integrantes do grupo criminoso após a intervenção de um policial militar que estava à paisana e decidiu agir. Segundo a investigação, os suspeitos “vieram para o tudo ou nada”.
O que começou como uma tentativa de assalto em um ponto de ônibus teve desdobramentos que levaram à identificação dos envolvidos. Um dos criminosos, menor de idade, foi abandonado pelos comparsas na UPA Coronel Antonino após ser baleado durante a ação. À polícia, ele revelou que o crime teria sido planejado por um detento identificado como “Magno”.
De acordo com as investigações, a rotina das vítimas vinha sendo monitorada pelo grupo havia alguns dias. Conforme orientação do presidiário, os criminosos acreditavam que uma das vítimas possuía dinheiro em espécie e outros bens de valor.
Na manhã de sexta-feira (29), uma das vítimas acompanhava o companheiro até o ponto de ônibus quando foi abordada pelo trio. Um dos suspeitos tentou colocá-la à força dentro do veículo utilizado no crime. Segundo o policial que interveio na ocorrência, a vítima resistiu intensamente. “Ela segurou com tanta força que chegou a arrancar o poste do ponto de ônibus do lugar”, relatou.
O estampido do disparo e os gritos de socorro chamaram a atenção do militar, que estava em casa, à paisana.
“Comecei a escutar gritos de ‘não, não, para’, como se fosse uma briga. Achei que havia uma discussão na rua. Quando abri a janela, vi um dos elementos disparando contra a cabeça da vítima”, contou o policial, que terá a identidade preservada.
“Nesse momento, corri para o quarto, peguei a arma e saí. Quando cheguei à varanda, gritei: ‘Parou! Parou! Polícia!'”, disse.
O adolescente armado chegou a apontar a arma para o policial, que reagiu e efetuou disparos, atingindo o suspeito na mão. Em seguida, os criminosos fugiram no veículo.
Apoio
Após a intervenção, o policial acionou reforço e equipes do Corpo de Bombeiros foram ao local. Apesar de ter sido baleada na cabeça, a vítima sobreviveu e segue em recuperação.
“Na hora em que saí, percebi que eles queriam matar. Quem dá um tiro na cabeça de uma vítima veio para tudo ou nada. Ainda bem que eles gritavam, porque isso chamou minha atenção. Naquele momento, pensei apenas em defender aquelas pessoas”, afirmou o militar.
Prisões
Com o adolescente ferido, o grupo o abandonou na UPA Coronel Antonino. A polícia foi acionada após a entrada de um paciente com ferimento por arma de fogo. Na unidade de saúde, o menor confessou participação no crime e informou que os outros dois envolvidos haviam fugido em um VW Gol em direção ao Bairro Tiradentes.
“Foi isso que facilitou a prisão deles. O menor foi baleado na mão, o carro também foi atingido e teve o vidro quebrado. Além disso, o veículo era produto de furto”, explicou o policial.
Ainda conforme o depoimento do adolescente, os criminosos descobriram que uma das vítimas emprestava dinheiro e, por isso, monitoravam sua rotina havia pelo menos dois dias.
A intenção do grupo era levar as vítimas até a residência delas para roubar bens e objetos de valor.
“Da forma violenta como chegaram, eles vieram para tudo ou nada. Se tivessem conseguido levar as vítimas, possivelmente o desfecho seria ainda mais trágico”, avaliou o militar.
Os outros dois suspeitos foram presos.
Missão cumprida
Em entrevista ao Jornal O Estado, o policial, lotado na 5ª Companhia da Polícia Militar, afirmou que o treinamento constante da corporação foi fundamental para a resposta rápida à ocorrência. “Essa vontade de ser policial é entender que o cidadão de bem precisa poder andar na rua com tranquilidade e ter liberdade para isso”, concluiu.
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram