Em todo o Brasil o número sobe para 14,9 milhões, conforme levantamento do MTE
Mato Grosso do Sul tem cerca de 239,5 mil trabalhadores submetidos à escala 6×1, segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). O contingente corresponde a 40,57% dos analisados pelo ministério no Estado. Outros 350,8 mil trabalhadores já estão inseridos na escala 5×2.
A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (27), por 34 votos favoráveis e quatro contrários o relatório do deputado Leo Prates sobre a proposta de PEC (Emenda à Constituição) 221/19 que acaba com a escala de trabalho 6X1. O texto prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. O texto segue agora para o plenário da Casa para votação em dois turnos.
Em meio à discussão sobre redução da jornada semanal, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados realizou nesta semana mobilizações em frente a uma unidade de frigorífico, em Campo Grande, para defender a redução da jornada sem diminuição salarial.
A entidade afirma que trabalhadores da indústria frigorífica estão entre os mais expostos ao desgaste provocado por jornadas prolongadas e ritmo intenso de produção. O setor reúne funções marcadas por repetição de movimentos, esforço físico contínuo e pouco intervalo de recuperação ao longo da semana.
“A luta pelo fim da escala 6×1 é uma luta por dignidade humana. O trabalhador precisa ter tempo para descansar, conviver com a família, cuidar da saúde, estudar, praticar sua fé e viver com mais equilíbrio”, afirmou um dos diretores do sindicato.
O debate sobre a redução da carga horária voltou à pauta nacional nos últimos meses, especialmente em setores como comércio, serviços, logística e indústria, onde o modelo 6×1 permanece mais presente.
O levantamento do MTE identificou a jornada de trabalho de 44,7 milhões de brasileiros. Desse total, 14,9 milhões ainda trabalham na escala 6×1. Outros 38,6 milhões cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre eles, 37,2 milhões trabalham exatamente 44 horas por semana.
Caso a jornada semanal fosse reduzida de 44 para 40 horas, aproximadamente 578,5 mil trabalhadores seriam impactados em Mato Grosso do Sul.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de trabalhadores na escala 6×1, com cerca de 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem Sul (2,9 milhões), Nordeste (1,97 milhão), Centro-Oeste (1,34 milhão) e Norte (751,7 mil).
Entre os estados, São Paulo registra o maior contingente de trabalhadores nesse regime, com 4,28 milhões de pessoas. Na sequência aparecem Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná.
Por Djeneffer Cordoba