João Augusto é condenado a mais de 60 anos por duplo feminicídio de Vanessa e Sophie

Crédito: Pagu
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Defesa alegou surto no momento do crime, mas depoimentos e provas apresentados durante o julgamento sustentaram a acusação de duplo feminicídio

 

O réu João Augusto Borges recebeu pena de mais de 60 anos pelos crimes de duplo feminicídio da esposa, Vanessa Eugênio, e da filha de 10 meses, Sophie Eugênio Borges.

Além disso, ele foi condenado a cinco anos de prisão por ocultação de cadáver, somando um total de 67 anos e seis meses de prisão, além de 83 dias-multa e indenização mínima fixada em R$ 10 mil para cada família.

A sentença foi proferida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos no fim da tarde desta quarta-feira (27), exatamente um ano após o crime, depois de cerca de 8 horas de julgamento, cuja proposta era dar uma resposta célere ao caso.

O magistrado entendeu que o crime ocorreu em razão da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica, e que causou sofrimento excessivo às vítimas.

Julgamento

Durante o julgamento, a defesa tentou afastar a acusação de duplo feminicídio e solicitou incidente de sanidade mental, que foi indeferido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos.

Ao conversar com o júri, a promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Luciana do Amaral Rabelo, explicou que o duplo feminicídio deveria ser considerado, tendo em vista a plena capacidade mental apresentada por João.

A promotora destacou que, durante os depoimentos prestados à polícia, ainda que ele tenha afirmado “não se lembrar” do ocorrido, conseguiu fazer contas e soube informar quantos litros de gasolina comprou, entre outros detalhes.

Uma das testemunhas, irmã de Vanessa e madrinha de Sophie, Wesla Kenia Lima, afirmou em depoimento emocionado que a morte  da irmã caçula, foi como “perder um pedaço” de si mesma.
Ela relatou ainda que Vanessa não sabia cozinhar e dizia que João queria “ser recebido com bolo e café” quando ela voltava do trabalho. Segundo a testemunha, a irmã costumava pedir receitas de bolo para a irmã mais velha.

Ao ser ouvido, João informou que não se recordava do ocorrido e que reagiu em um momento de nervosismo, após supostamente ter levado um tapa no rosto.

O depoimento do colega de trabalho, Welison Matheus elucidou que ele planejava, havia algum tempo, a morte de Vanessa, tendo afirmado que não queria pagar pensão.

O crime

João Augusto chegou em casa na noite de 26 de maio de 2025 e, após uma suposta discussão por ter esquecido de levar compras, matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e, em seguida, a filha de 10 meses, Sophie, por enforcamento.

Posteriormente, comprou gasolina e levou os corpos de Vanessa e Sophie para uma rua no Indubrasil, durante o período noturno, onde ateou fogo nas duas vítimas. A polícia foi acionada e encontrou os corpos carbonizados.

No dia seguinte, João alegou à família que Vanessa havia saído de casa com a filha sem levar o celular. Ele chegou a ir até a 6ª Delegacia de Polícia em uma tentativa de registrar o desaparecimento das duas. Nesse ínterim, acabou confessando o crime e foi preso.

 

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