“Essa era a realização de um sonho”, diz filho de fiscal tributário morto por Alcides Bernal

Crédito: Roberta Martins
Crédito: Roberta Martins

Depoimento emocionado marcou o primeiro dia de júri do ex-prefeito Alcides Bernal, com relato do filho da vítima sobre os planos e a trajetória do fiscal tributário

O primeiro dia de júri Alcides Bernal, na tarde desta terça-feira (26), foi marcado pela emoção durante o depoimento do filho do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que morreu após ser baleado pelo ex-prefeito.

Gabriel Mazzini foi chamado ao júri na condição de informante e, antes de iniciar o relato sobre a trajetória do pai, caiu no choro.

“Essa era a realização de um sonho para ele. No fim do ano passado, ele sofreu uma convulsão e aí meio que reviu a vida dele”, contou Gabriel.

Após o episódio de saúde, em que o pai chegou a convulsionar, os bombeiros tiveram dificuldade para retirá-lo da residência, já que ele morava em um sobrado.

A situação fez com que o fiscal tributário mudasse o estilo de vida. Ele perdeu peso, começou a frequentar academia e passou a cuidar mais da saúde.

Em busca de uma nova residência, onde pretendia morar com o filho e a mãe dele (avó de Gabriel), Roberto comprou o imóvel do ex-prefeito.

Segundo Gabriel, o pai pediu ajuda ao filho, que é advogado, para levantar toda a documentação da casa. “Ele foi atrás da documentação com a certeza de que estava tudo certo”, disse.

Antes de fechar negócio, Roberto esteve no imóvel acompanhado da esposa, de um corretor credenciado e de um chaveiro.

Eles entraram na residência após o corretor afirmar que o imóvel estava vazio. Na ocasião, foram abordados por funcionários da empresa de segurança, a mesma que, segundo Bernal, teria informado sobre a segunda entrada no imóvel, situação que culminou na tragédia.

O rapaz afirmou que a família nunca teve contato com Alcides Bernal, mas tentou obter informações com a empresa de segurança, sem sucesso.

O que diz a empresa de segurança?

O fiscal da empresa informou, durante o julgamento, que esteve na residência após verificar movimentação no local e alertou que Roberto e o chaveiro não tinham autorização para abrir o imóvel.

Segundo o relato, Roberto teria afirmado que possuía a posse da casa. O funcionário também teria informado que o ex-prefeito estava a caminho.

Ainda conforme o fiscal, os dois homens estavam alterados. Alcides segundo o fiscal pode ter, ligado para a empresa, e uma atendente informou que ele estaria “bravo”.

Nesse momento, a central da empresa orientou que o ex-prefeito fosse até o imóvel. O fiscal que esteve no local afirmou ainda que “nunca tinha visto ele lá”.

A morte do fiscal tributário ocorreu na tarde de 24 de março, quando Roberto, acompanhado de um chaveiro, esteve no imóvel e acabou surpreendido por Bernal.

Na audiência foram ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público.

Outro lado

Em entrevista ao Jornal O Estado, o advogado de defesa, Ricardo Machado, afirmou estar confiante de que a verdade será estabelecida.

No júri desta quarta-feira (27), serão ouvidas as testemunhas de defesa e o ex-prefeito Alcides Bernal.

 

** Com Maria Gabriela Arcanjo

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