UEMS lidera parceria internacional com universidade britânica em imersão científica no Pantanal

Foto: Saul Schramm/Governo do Estado
Foto: Saul Schramm/Governo do Estado

A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) será protagonista de uma iniciativa internacional voltada à sustentabilidade e à cooperação acadêmica. Em parceria com a University of Birmingham, da Inglaterra, a instituição promove entre os dias 31 de maio e 11 de junho de 2026 o programa “Immerse Pantanal: Interdisciplinary Transnational Education for Sustainable Bioeconomy”, com atividades em diferentes regiões do Pantanal sul-mato-grossense.

Coordenado pelo CORAL/UEMS (Centro Observatório das Rotas Latino-Americanas), o projeto reunirá estudantes e pesquisadores brasileiros e britânicos em experiências de campo, debates científicos e intercâmbios culturais voltados aos desafios das mudanças climáticas, da bioeconomia e do desenvolvimento sustentável.

A iniciativa conta com apoio financeiro e logístico da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e posiciona Mato Grosso do Sul no centro das discussões internacionais sobre preservação ambiental e inovação científica.

Segundo o coordenador do CORAL/UEMS, professor doutor Ruberval Franco Maciel, o programa representa “um marco de diplomacia científica”, fortalecendo o papel da universidade como referência em internacionalização acadêmica e inovação sustentável.

Pantanal como laboratório vivo

O roteiro da imersão inclui atividades em Campo Grande, Bonito, Aquidauana, Anastácio e comunidades indígenas da região pantaneira. Os participantes terão contato com pesquisas aplicadas, conservação ambiental, agricultura sustentável, turismo científico, prevenção de incêndios e valorização de saberes tradicionais.

Um dos principais pontos da programação será a Unidade Universitária da UEMS em Aquidauana, considerada estratégica para estudos em sustentabilidade, agroecologia, piscicultura, reflorestamento de espécies nativas e conservação do solo.

De acordo com Maciel, a estrutura oferece condições para pesquisas de longa duração e desenvolvimento de soluções voltadas à transformação socioeconômica e à melhoria da qualidade de vida das comunidades locais.

Além das atividades acadêmicas, o programa também dialoga com áreas estratégicas do Governo do Estado, envolvendo educação, saúde, cultura, desenvolvimento humano, meio ambiente, ciência, tecnologia e inovação.

A proposta está alinhada aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas), especialmente nas áreas de educação de qualidade, ação climática, redução das desigualdades, produção sustentável e preservação ambiental.

Cooperação internacional

Para a University of Birmingham, o projeto amplia a cooperação acadêmica entre as instituições e dá continuidade às experiências iniciadas no programa “Immerse Amazonia”, realizado anteriormente na região amazônica.

O codiretor do UBBI (University of Birmingham Brazil Institute), doutor Angelo Martins Júnior, destacou que o programa busca proporcionar aos estudantes oportunidades de crescimento acadêmico e pessoal, ao mesmo tempo em que promove soluções para os desafios das mudanças climáticas.

“Queremos inspirar a próxima geração de pesquisadores e líderes globais para enfrentar os impactos ambientais e construir soluções sustentáveis”, afirmou.

A parceria entre UEMS e University of Birmingham foi fortalecida após intercâmbios acadêmicos realizados em 2025, com apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e encontros institucionais promovidos na universidade sul-mato-grossense.

Estudantes britânicos no Pantanal

O programa receberá oito estudantes da Universidade de Birmingham, que participarão de uma escola de verão interdisciplinar baseada no Pantanal, reconhecido pela Unesco como Reserva da Biosfera e Patrimônio Mundial.

Durante duas semanas, os participantes irão desenvolver atividades conjuntas com estudantes brasileiros, formando equipes para discutir alternativas aos problemas socioambientais da região, como secas extremas, incêndios florestais e avanço da agricultura intensiva.

Além das pesquisas e debates, os estudantes produzirão ensaios e curtas-metragens sobre o Pantanal e seus desafios ambientais.

Com mais de 181 mil quilômetros quadrados distribuídos entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o Pantanal é considerado a maior área úmida tropical do planeta e abriga rica biodiversidade, incluindo onças-pintadas, jacarés, capivaras e centenas de espécies de aves.

Programação

O cronograma do “Immerse Pantanal 2026” prevê atividades em universidades, fazendas experimentais, comunidades indígenas e empreendimentos de turismo sustentável.

Entre os destaques estão visitas à Estância Mimosa e ao Recanto Ecológico Rio da Prata, em Bonito; atividades na Fazenda São Francisco; ações de agricultura familiar em Anastácio; além de oficinas culturais e interculturais na Aldeia Babaçu, da comunidade indígena Terena.

As atividades serão encerradas em Campo Grande, com apresentação de relatórios, debates sobre cooperação internacional e um encontro de confraternização entre os participantes.

 

Por Michelly Perez

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