Vizinho ouviu gritos e mulher foi vista em imagens saindo do local que a vítima foi encontrada caída em banheira de estabelecimento comercial
Na manhã e tarde desta sexta-feira (22), o caso do incêndio que teria provocado a morte de Gilvan de Assis Figueiredo teve novos desdobramentos em Dourados. O homem seria um morador de rua e foi encontrado carbonizado no banheiro de um estabelecimento comercial no bairro Jardim Itália no município.
Segundo o boletim de ocorrência por volta das 04h40 um vizinho ouviu um forte grito e que ao sair para verificar percebeu que o banheiro do estabelecimento estava em chamas. Ele ainda arrombou a porta do banheiro e iniciou o combate ao incêndio com água até a chegada do Corpo de Bombeiros.
Outro vizinho também informou possuir câmeras de segurança em sua residência que teriam registrado o momento em que a vítima, aparentemente um morador em situação de rua, entrou no banheiro para se abrigar do frio. Ele também relatou que uma mulher teria, possivelmente, ateado fogo no local e posteriormente saído.
Confome a ocorrência, o homem, vítima do crime, teria entre 25 e 35 anos e foi encontrado agachado sobre o vaso sanitário, coberto por fuligem, com o corpo parcialmente carbonizado e irreconhecível, impossibilitando a identificação de suas características físicas. As vestes dele encontravam-se totalmente queimadas. No local também foram encontrados indícios da presença de uma segunda pessoa, possivelmente do sexo feminino.
Nas buscas policiais no Jardim Itália e complexo esportivo Jorge Antonio Salomão foi localizada Loara de Oliveira Ancine e Vitor Paulo Machado, que foram abordados e disseram estar usando entorpecente. Loara estava com roupas iguais da pessoa que aparece nas imagens analisadas momentos antes do local pegar fogo.
Ela se desesperou e culpou uma outra mulher identificada como Mayara, alegando que ela sim teria motivos para matar a vítima, uma vez que momentos antes, Mayara e a vítima haviam se desentendido por conta de R$ 10,00 (dez reais).
Nas buscas por Mayara, que foi localizada, ela informou que não tinha participação e que havia passado a noite na casa de um amigo, onde inclusive havia acabado de tomar banho e se trocado. A polícia foi até a residência citada e um homem identificado como Leandro Marques Pinheiro confirmou que esteve com Mayara durante a madrugada. Ela apresentou as suas roupas que havia acabado de trocar.Todos os envolvidos foram encaminhados para a polícia.
Loara veio a confessar que de fato, ela havia ido até onde a vítima estava e com a chama de um isqueiro havia iluminado o local e ateado fogo em uma sacola que estava no local, para procurar por pedras de ctack que pudessem estar caídas ao chão do local. Ela não encontrou os entorpecentes e saiu do local sem observar que o fogo que ateou havia se alastrado pelo banheiro e disse não ter visto que a homem estava no local, que só veio a saber posteriormente que havia morrido carbonizada no local.
Prisões
Na tarde desta sexta-feira (22) Loara de Oliveira Ansini, de 36 anos foi autuada em flagrante pelo crime de homicídio qualificado. Conforme apurado pela polícia, ela foi a responsável por colocar fogo no banheiro onde a vítima estava.
Já a mulher também presa na manhã de hoje que era apontada como suspeita foiouvida apenas na condição de testemunha.

Foto: Dourados News
Na imagem acima, a mulher que foi detida na manhã desta sexta-feira foi levada para a delegacia.
Investigações
Segundo o Dourados News, as investigações precisam esclarecer a motivação do crime e qual a relação entre a suspeita e a vítima. A polícia também apura a possibilidade de um desentendimento entre os dois antes do incêndio.
Outro ponto informado foi o fato de a vítima não ter tentado escapar das chamas. A partir disso, a suspeita investigativa levantada pela Polícia Civil, é a de que o homem pudesse já estar incapacitado ou até morto antes do incêndio.
Contudo, para concluir as suspeitas, precisam sair as informações dos laudos periciais e do exame necroscópico realizado no corpo da vítima.
“A polícia também apura o fato de a vítima não ter demonstrado reação para fugir do fogo. Essa possibilidade vai depender do laudo necroscópico apontar qual foi a causa da morte”, explicou o delegado Lucas Albe.
A perícia realiza por enquanto os trabalhos para apurar a causa da morte e também tenta identificar qual tipo de líquido inflamável foi utilizado para provocar o incêndio criminoso.
O banheiro, cena do crime, fica ao lado de um estabelecimento comercial na esquina das ruas Alpes e Belo Horizonte. Conforme a Polícia Civil, a vítima costumava passar as noites no local.